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Não sei o que dizer

26/03/2005

Nunca sei. Tudo me soa banal. Tudo me soa mal. Ridículo. Estúpido. Desnecessário. Tudo me soa a pouco. Pouco para quem ouve, para quem acaba de sofrer tamanha perda. Por outro lado, a solidariedade com quem sofre uma perda irrecuperável não me parece justa. Penso sempre que não tenho esse direito. O direito de chorar. Porque há sempre alguém que perde mais do que eu. Tenho obrigação de ser mais forte. De parecer, pelo menos.

Depois é a culpa, sempre a culpa, que me atormenta. Que me martiriza. E penso que deveria fazer qualquer coisa para que soubesses que senti. Por ti. Porque gosto de ti e não gosto de te ver sofrer. Ter de encarar e não poder fazer nada a não ser esperar faz-me sentir pior ainda. Podia dizer-te que estou aqui para o que precisares. Mas também não me soa bem. Não há nada que possa fazer para o trazer de volta. Posso apenas ouvir-te. Mas acho que não te deve apetecer falar. Porque já bem basta não conseguires deixar de pensar. É estúpido disfarçar, tentar falar de outra coisa como se nada se tivesse passado. É pior que tudo. Posso apenas estar. Ali. Para o que der e vier. Mas se calhar a única coisa que queres é ficar só. Com a tua dor. Dar-lhe tempo. Custa tanto encarar. Tanto…

Posso chorar. Às escondidas. Para que não vejas. Já bem basta o teu sofrimento. Por mim, que nunca mais vou poder ver-te. Estar contigo. Gozar o enorme prazer da tua companhia. É sempre egoísta a atitude de quem fica. Ou então de comoção. Porque não aguento ver ninguém chorar sem que não me dê também vontade. Sei lá porquê, sempre achei que chorava com demasiada facilidade. Nas situações menos oportunas. Nestas, em que devia aguentar-me, não consigo. É mais forte que eu. E sinto-me mal por isso. Não sei porquê.

O tempo passa e ainda não arranjei coragem para te falar. Porque não sei o que te dizer.

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