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SENTI FIRMEZA!

10/03/2005

Deus tem-me dado em tempo o que me não tem dado noutras coisas, que agora também não interessam nada. Como tal, há que aproveitá-lo da melhor maneira que sei e posso.

No caso concreto, e porque os cigarros fizeram parte de um passado demasiado recente, tão recente que nem coragem tenho ainda para achar que nunca mais vou fumar na vida, aproveito umas boas duas a três horitas por dia para fazer desporto já que é a única maneira que encontro de me conseguir manter sã da cabeça e do espírito e de não perder os amigos e a família para todo o sempre.

Mas de há uns dias para cá ocorreu-me que esta coisa quase doentia do desporto não se poderia já estar a tornar narcísica. Para agravar um pouco mais, como sempre fui muito mais dada ao aparecimento do refego do que propriamente do músculo, não posso deixar de pensar que fico contente por ver aparecer um musculosinho aqui outro ali, à medida que os dias vão passando e que não me vou baldando às aulas de Pump. Ainda assim, cheguei à conclusão que esta minha aparente obsessão com o corpo tem pouco de narcísica.

Antes mesmo de passar a enunciar porquê, gostava de saber se tal coisa não lhe passaria também pela cabeça se, da noite para o dia, lhe aparecesse um bundão de brasileira, neguinha ainda por cima, mas dos que treme, qual gelatina Royal, que nunca teve nem está interessado em ter por não fazer parte dos seus atributos genéticos e por isso mesmo não ser, para si, motivo de orgulho; Uns 65 quilos que teimam em não baixar – já pensei seriamente em atirar a balança do ginásio pela janela fora porque faça o que fizer ela está lá, implacável, nos 65kg, que nunca pesei na vida, como que a lembrar-me, não vá eu esquecer-me, que só tenho oito, 8 (!), quilos para perder e não estou a ver como -, independentemente dos 3 litros de água que beba todos os dias, das 400 calorias que perca por dia – assim dizem as máquinas de exercício cardiovascular nas quais passa uma hora por dia, que a meia já lá vai há semanas, a tentar criar músculos na metade de cima das coxas, que só lhe doem e os ditos nem vê-los, isto sem contar com outras tantas calorias que perde a fazer Step duas vezes por semana e digo-lhe que perde e não são poucas -, a tomar comprimidos para emagrecer e ao mesmo tempo a tentar controlar os apetites, de DOCES, descanse que não é de couves…, que aparecem com a regularidade de um relógio de cuco, dos que sinalizam até os quartos de hora; E, finalmente, se constatasse que não tem UM par de calças 38 que lhe sirva e que nos tempos mais próximos o melhor é pô-las num baú, a avaliar pela velocidade alucinante com que tem perdido peso no último mês e, praticamente, meio.

Sim, gostava de o ver, depois de já cá cantarem 8 quilos a mais do peso que considera ideal, de se ter viciado em exercício físico de tal forma que já não passa sem ele, de ver as suas pernas, cuja memória lhe diz vagamente que sim, que já foram finas e elegantes, se transformarem em dois troncos, o que é natural, dizem-lhe, porque está a ganhar massa muscular e as pernas engrossam, e olha à sua volta e vê as professoras que deambulam pelo ginásio fora que não têm pernas grossas porra nenhuma, têm-nas sim, bem desenhadinhas e com uns músculos de fazer inveja até a mim, que não sou disso. O que é que dizia? Vá, pode responder!

Enquanto isso eu explico-lhe do que se trata. Trata-se de conhecer os próprios limites. De ver até onde vai a resistência física. De testar a capacidade de persistência e de insistência. De, independentemente das transformações do corpo, ver que respira tão bem que até lhe faz impressão, que a sua resistência aumenta a olhos vistos, que os seus progressos são cada vez maiores, num curto espaço de tempo. É disto que se trata, nada mais.

Quando se começa com seis horas de desporto por semana, que passam a duas por dia – salvo nos dois dias em que são 3, por causa das aulas da noite que não nos podemos dar ao luxo de perder – já lá vão 8 por semana, ao fim de duas, é natural que a este ritmo se vá sentindo uma vontade cada vez maior de nos superarmos, ou pelo menos eu sinto, haja tempo e saúde que graças a Deus não me têm faltado. Entretanto descobrimos mais umas aulinhas daquelas boas para transformar tecidos moles em duros, por obra e graça de muito esforço e suor, e lá aumentamos a coisa para mais duas horitas semanais e assim passamos a ter aulas todos os dias, sempre que não nos armamos em preguiçosos e nos baldamos precisamente às que mais falta nos fazem. Na semana seguinte, as tais duas por dia passam a duas e meia – porque em vez da meia hora de cardiovascular se passa a fazer uma, depois de se descobrir que as máquinas têm um ecrãzinho, que mostra as calorias que se perde, e de saber que perder peso significa perder calorias e nesse caso, que se lixem os batimentos cardíacos desde que perca as 100 por cada quarto de hora, que até as máquinas que lhe pareciam inatingíveis lhe passam a sorrir quando descobre que é nelas que se perdem mais calorias e que se consegue um rabo que não trema.

Não sei como seria consigo mas parece-me que depois deste desporto todo é natural que se queira ficar com tudo no sítio, e o tempo que demora… Uma verdadeira eternidade. É preciso mesmo muita persistência. Também me parece assaz saudável que se procurem progressos todos os dias, em tudo o que se faz: no trabalho, na família… E, surpresa das surpresas, no desporto.

A ajudar à festa, quanto mais desporto faz, mais vontade lhe dá de fazer e mais lhe repugna a ideia de voltar a fumar.

Se isto não é suficiente…

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