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MULHERES

08/03/2005

Neste dia internacional da Mulher, podia lembrar-me de Sophia de Mello Breyner Andersen, como exemplo das escritoras do mundo, de Marie Curie, como exemplo de cientistas no feminino, de Margareth Thatcher, como exemplo de mulheres da história ou até mesmo das gajas que andaram a queimar soutiens para que o mundo ocidental feminino pudesse ter um pouco mais de poder de escolha, etc, etc, – felizmente há muitos e bons exemplos – para afirmar que as mulheres podem chegar onde quiserem. Mas não. Não é de nenhuma delas que me lembro.

Ou então, poderia insurgir-me contra dias como este, porque as mulheres não precisam de dia internacional. Ou poderia achincalhar um canal de televisão por se chamar SIC Mulher, porque as mulheres não querem ser descriminadas com canais de TV. Lamento, também não é contra este tipo de iniciativas que me insurjo.

Só para chatear, lembro-me da descriminação social, laboral e salarial que se pratica no chamado mundo civilizado. Lembro-me do facto de se encostarem mulheres à parede para que optem por uma de duas vidas: a profissional ou a de casa. Lembro-me do machismo e do abuso de poder praticados em muito boa família desta moderna Europa em que vivemos. Lembro-me de mulheres em pleno mundo ocidental que sofrem pressões para viver como se vivia no século XV. E das que sofrem com a violência ou a prepotência de quem se apanha numa posição menos fragilizada.

Lembro-me que há países em pleno século XXI onde famílias arranjam casamentos como se filhas, sobrinhas ou irmãs fossem atrasadas mentais e não pudessem escolher. Lembro-me de mulheres que são obrigadas a mostrar a toda a gente que são viúvas, que já podem ter filhos, que são casadas ou solteiras. Lembro-me das mulheres que têm de se esconder por trás de uma burka, de um véu, de uma djillaba ou do que for, por serem mulheres. Lembro-me de mulheres que são abandonadas, depois de violadas, e ostracizadas pelas famílias – avós, mães e irmãs incluídas – porque desonradas, condenadas a viver escondidas e sozinhas, nas piores condições. Lembro-me de mulheres mutiladas na sua essência, porque sim.

Insurjo-me por ainda haver mulheres descriminadas por este mundo fora apenas por serem mulheres.

Saúdo as mulheres desse mundo pela capacidade que têm para fazer seja o que for por elas, pelos filhos, por quem quer que seja e que nunca lhes falte a coragem, a força, a persistência, a sensibilidade, a bondade e a paciência.

Defendo a invenção de dias como este, de canais ou programas de TV, do que for preciso enquanto houver UMA mulher mal tratada neste mundo e no outro!

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  • rose m prado 09/03/2006 at 13:09

    Isa querida

    Falou tudo.

    Beijos mil

  • ISA 09/03/2006 at 22:10

    valeu! bjs pra ti tb

  • Ana Paula 11/03/2006 at 21:27

    Belo texto!
    Isa, um dia não muito distante, essas diferenças não mais existirão. Continuemos na luta pelos nossos direitos e por um mundo mais justo para todos, sem discriminação de sexo, idade, raça, opção sexual ou espécie. Um mundo onde todo ser vivente possa ser tratado com a dignidade que merece.
    Beijos, linda.

  • ISA 12/03/2006 at 16:19

    assim seja, ana paula! bjs pra ti tb!

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