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A UTILIDADE DA TEORIA: FINGE-QUE-NÃO-VÊ.

03/03/2005

Ninguém passa sem ela, sem a teoria do finge-que-não-vê, nem que seja pelo menos uma vez na vida. Ora diga lá se não é?

Quantas vezes encontramos pessoas a quem não nos apetece falar, a quem não sabemos o que havemos de dizer ou simplesmente com quem não estamos para fazer conversa de circunstância e optamos por fingir que não as vemos? Quantas? Normalmente o sentimento é mútuo e portanto não se pense que se está a fazer uma grande coisa por não falar àquela pessoa. Não sei se já lhe passou isso pela cabeça mas se ela não fala connosco é porque também não está para aí virada.

Há sempre uma boa desculpa, de parte a parte, se a pessoa for mais afoita e optar por falar: estava a olhar para ti e a pensar: “será que é, será que não é”, ao mesmo tempo que estou careca de saber que é e que penso: de onde é que eu conheço esta cara? Ou então: e agora que raio é que eu pergunto a esta gaja, que já não vejo há séculos e com quem não tenho nada, absolutamente nada em comum. Na pior das hipóteses até nem a podiamos ver quando a conhecemos e agora temos de nos mostrar contentes e, ainda por cima, de fazer conversa…

Há quem opte por ir lá, puxar por um braço e fazer uma grande festa: Olááááááá, estás boa? E então, que é feito? Só naquela para chatear.

Mas na maior das vezes fazemos o que toda a gente faz. À teoria do finge-que-não-vê, responde-se na mesma moeda. A merda é quando isso acontece uma e outra vez, entre as mesmas pessoas, nos mesmos sítios. É que apesar de recorrermos à tão familiar teoria, insistimos sempre em olhar constantemente para a pessoa a quem não queremos falar e invariavelmente os olhares cruzam-se, quanto mais não seja de fugida. Aí então ainda é mais ridículo. Porque, mesmo que seja pelo cantinho do olho e por mais pequeno que este seja, passa a ser completamente óbvio que estamos ambos a recorrer à teoria finge-que-não-vê quanto estamos fartinhos de saber que nos conhecemos.

E o mais ridículo de tudo é que estamos os dois a pensar exactamente o mesmo um do outro e nenhum se decide a mudar isso e a falar de uma vez.

E por isso mesmo pergunto: serve para quê, o raio da teoria?

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