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DEIXAR DE FUMAR

18/11/2004

Deixar de fumar está na moda. Há cada vez mais pessoas a deixar de fumar. Conheço uns quantos casos. Uns com ajudas outros sem. Uns por pura decisão outros à força, por promessas, aos filhos, por motivos de saúde… Uns que nunca pensei que conseguissem outros que sim, porque fumavam pouco.

Desde que comecei a fumar, há 15 anos, nunca, nunca estive um dia inteiro sem fumar. Nem mesmo constipada, com os brônquios a rebentar. Arranjava sempre maneira de fumar pelo menos 3 cigarritos. Furava-os com um alfinete para entrar menos fumo mas fumava. E nunca me passou pela cabeça deixar. Costumava dizer que quando um maço de cigarros custasse 500 paus, deixava. Desapareceram os escudos. Óptimo. Posso arranjar outra desculpa. Sempre achei que tinha de apanhar um susto para tomar a decisão. Já reduzi várias vezes mas acabo sempre por voltar a fumar um maço por dia. Portanto, comigo funciona a teoria do ou é de vez ou não é. E acredito que o mais difícil não é a dependência da nicotina. É o vício de mão, porque é o psicológico que custa verdadeiramente. A quebra de rotinas diárias, de anos. Os gestos automáticos. Pensei pela primeira vez no assunto, seriamente, quando o meu pai foi obrigado a deixar de fumar por questões de saúde. Porque vi o que lhe custou. O que lhe custou acabar com quase 50 anos de fumo. Porque vi pelo que passou à conta, em grande parte, dos cigarros. Na altura pensei nisso. O tempo foi passando, ele foi melhorando e eu fui-me esquecendo, apesar de ele insistir comigo para deixar de fumar todos os dias.

Começou por se proibir de fumar nos aviões. Passou para alguns espaços públicos e algumas empresas privadas. Chegou aos aeroportos, alguns mais fundamentalistas que outros (no de Lisboa é aceitável). Os cigarros aumentam mais, financeira e regularmente, do que qualquer outro produto. Apareceram as mensagens a preto carregado nos maços de cigarros. Vêm aí as imagens, chocantes e ainda mais assustadoras que as frases que já ninguém lê. As imagens são fortes e não passam despercebidas. Está prestes a ser aprovada uma lei que proíbe de fumar em “restaurantes, bares, discotecas, refeitórios e ainda nos locais de trabalho”. Estou em crer que em escolas também. Esqueceram-se dos cafés e das pastelarias, ou confeitarias como se diz no Porto, talvez por esta ser uma lei importada da UE, onde este conceito quase não existe.

Ainda bem. Para já não se pode admitir que haja pessoas a sofrer de problemas de pulmões por serem fumadores passivos. Depois é o desincentivo. Há que não incentivar as pessoas a fumar. E é fundamental que não se fume nas escolas. O fumo incomoda. Mesmo os fumadores. Portanto, faz sentido que não se fume em refeitórios e cantinas. E depois, há lá coisa mais nojenta que um cinzeiro cheio de beatas. Há lá coisa mais nojenta que o cheiro a beatas. Só de imaginar o que me faz ao corpinho então… Para além das razões estéticas, menos celulite, menos envelhecimento da pele, menos dentes amarelos, há também as da saúde. O tabaco faz mal. Aos pulmões, ao coração… E só de pensar na quantidade de cigarros que fumo estupidamente, sem condições, à pressa, nos que fumo e me sabem mal, sinto-me uma cretina. Uma verdadeira anormal e doente. Mas doente voluntariamente, o que é ainda mais estúpido.

Com a lei que há-de ser aprovada no Parlamento, os fumadores são ainda mais descriminados. E, quanto mais não seja, não me apetece nada ser descriminada. Se pessoas que fumam, há mais anos do que eu, tanto ou mais, conseguem deixar eu também consigo que não sou menos que os outros. E por isso vou deixar de fumar. E há-de ser antes dos maços de cigarros chegarem aos 2,50€. Tenho fé no livro: How to Stop Smoking, de um autor americano que não me lembro do nome, que se não é 100% eficaz anda lá perto. Fez efeito com os mais agarrados aos cigarros e passa pela teoria de: eu não estou a perder, deixar nada, estou a ganhar. Vou comprar e ler o livro, no original, e vou deixar de fumar. Só não sei é quando…

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  • Anonymous 18/11/2004 at 17:50

    Se te servir a versão em alemão, mando-ta já amanhã pelo correio. Não deixei de fumar por ler o livro, mas nunca mais fui o mesmo… Beijos de Berlim.

  • ISA 19/11/2004 at 00:43

    Pois… A versão em alemão só servria para passar a fumar 2 maços, só com os nervos de não perceber nada.

    Quanto a não seres o mesmo, que acredito que és, espero que seja por te sentires melhor. Mesmo que não seja, diz que sim que eu agora preciso é de lavagem cerebral contra os cigarros! Beijos!

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