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A MINHA AVENTURA COM A MARGARIDA REBELO PINTO, SALVO SEJA!

18/11/2003

Estava eu em casa da X. e às tantas chega um casalinho. O Tomás e a não sei quantas. Nunca os tinha visto mais gordos.
Conversa pr’aqui, conversa pr’ali e ela só falava em escrever.
– “Porque estive o dia inteiro a escrever” etc., etc.
Eu, intrigada, lembrei-me de perguntar:
– “Mas tu escreves o quê?”
– “Livros.”
– “Com’é que te chamas, desculpa lá?” – E o ar com que eu disse isto…
– “Margarida.” – Nesta altura a X. olha para mim, sorri com ar de quem diz: ‘tás a gozar, não? E eu a leste, qual James Dean…
– “Margarida quê?” – É que nem me ocorreu que a única Margarida que escreve livros é esta!!! E agora me lembro, ela disse que se chamava Margarida quando me cumprimentou!!!
Ela baixa os olhos e responde quase sem se ouvir:
– “Rebelo Pinto” – naturalmente embasbaquei. Demorei horas a reagir. Ainda por cima a mulher tinha acabado de comemorar meio milhão de livros vendidos nesse dia ou no dia anterior ou assim… Era capa do Expresso desse fim-de-semana… A Única ou a Actual ou lá que raio era estava em cima de uma mesa, a uns escassos metros de mim, com a cara da mulher, que tenho à minha frente, estampada na capa…
– “Olha desculpa lá, não te reconheci.” – O que é que uma pessoa diz numa hora destas…
E controlar-me para não me rir de cada vez que me lembrava da cena? É que depois tudo fez sentido. O silêncio que se instalou à minha pergunta: “tu escreves o quê?” E que se manteve ainda mais pesado com a pergunta: “Margarida quê.” A X. a olhar para mim com um meio sorriso como quem diz: “‘tás-te a passar!!!”
Quanto mais pensava na história mais me dava vontade de rir. E a mulher ali à minha frente, o tempo todo…

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