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Projeto Olympus – Do Arquétipo ao Complexo*

18/03/2019
Os arquétipos são inatos, universais e hereditários.

Contêm experiências partilhadas e o conhecimento da nossa espécie. São reconhecíveis em imagens, ideias, padrões, formas ou estrutura. Estas formas ou estruturas arquetípicas têm um efeito profundo em nós, na nossa psicologia, na forma como o nosso processo cognitivo funciona. São apenas conhecíveis indiretamente, pelas manifestações arquetípicas. Expressam tendências não aprendidas, comandam as nossas experiências e são inconscientes.

Estes arquétipos constelam na nossa psique de uma forma única e pessoal.

Os arquétipos são incrivelmente estáveis, daí a persistência de padrões de comportamento em nós e no mundo.

Cada complexo é a expressão pessoal de uma forma universal. E tem no seu núcleo um ou mais arquétipos à volta dos quais se constitui.

Podemos então dizer que um complexo é a manifestação do arquétipo no inconsciente pessoal.

Como personalidade autónoma

A integração da imagem arquetípica pelo ego leva à sua humanização, torna o ser na sua condição mais humana, uma mistura de amores e ódios, em vez de um só monstro que precisa de ser repelido e reprimido.

No entanto, e no caso das projeções que fazemos do nosso feminino (homens) e do nosso masculino (mulheres), se os aspetos pessoais e coletivos se encontram divididos, o aspeto coletivo por si só não se consegue integrar e permanece uma ameaça a todos os relacionamentos.

Ao reconhecer a presença do arquétipo no nosso mundo interno, na nossa imaginação e na projeção no feminino (no caso dos homens), podemos formar uma imagem mais humana da nossa mãe, da nossa mulher, desenvolvendo uma relação mais equilibrada e afetuosa com elas.

*Stephen Anthony Farah (Tradução e edição minhas)
Um mito, uma danza: Projeto Olympus, sessão de apresentação 22 de Março.

CBD

13/11/2021

Ao contrário de outras drogas legais, como o álcool, os cigarros e até mesmo os antidepressivos, o CBD combate, de facto, a ansiedade, sem contra-partidas.

Todas estas substâncias são usadas para o mesmo efeito, relaxar, combater a ansiedade, a depressão, adormecer emoções, tirar-nos do vórtice para o abismo, deixar-nos habitar o mundo sem corrermos o risco de sermos isolados ou presos.

No entanto, o CBD é um produto natural.

As explicações mais técnicas, biológicas, químicas, medicinais, deixo para os especialistas, como o Marcos e o Rafa, da Green Culture.  E o que não falta é literatura sobre a matéria, por essa internet fora.

Interessam-me mais os factos e efeitos em mim. O que acontece com o meu corpo e principalmente com a minha cabeça quando tomo CBD.

Antes de mais, convém esclarecer: CBD não é droga.

Não altera o psiquismo, não tem efeitos psicóticos, não prejudica o organismo. Para além de não ter quaisquer contra-indicações ou efeitos secundários.

A melhor analogia de que me lembro para tentar explicar como funciona é a do Glúten.

Quando deixamos, parece que nada acontece com o nosso corpo. No entanto, quando voltamos a comer, sentimos imediatamente onde a difícil digestão do glúten se manifesta: na barriga, inchaço, corpo pesado, entre outros sintomas.

O CBD funciona mais ou menos assim. Só que os efeitos são sentidos em todo o corpo, cabeça incluída. Deixa-nos bem, tranquilos, em relação a nós e ao mundo. Porque, ao contrário da nicotina, não é um veneno.

Sequer implica combustão, o que destrói os pulmões.

Pelo contrário, em pessoas com tendências para vícios, compulsões e obsessões, a enorme vantagem do CBD é a desaceleração do tempo mental. De reação a estímulos e a comportamentos automatizados, como comer ou fumar, em resposta a algo que nos incomodou e não conseguimos identificar porquê.

O CBD desacelera a ligação ao complexo que nos faz reagir.

Com cigarros, álcool, drogas, como o THC ou outras mais pesadas e sérias, comida, jogos, e outros vícios, basta porem-nos o objeto do vício à frente, para o pequeno demónio autodestrutivo que mora em nós se atirar a elas como gato a bofe.

Sem dar qualquer hipótese ao ego de resistir.  

O CBD, por sua vez, desacelera esse processo. Dá espaço a que outras vozes se ouçam, que não apenas a do pequeno demónio autodestrutivo. Combatendo assim a ansiedade.

O CBD controla a compulsão e a obsessão

O que ajuda a resistir, tomar decisões mais conscientes. E a seguir em frente, interrompendo a ligação neuronal e psíquica, responsável pela obsessão e a compulsão.

No entanto, ao contrário dos antidepressivos, ou do tabaco, o CBD não nos deixa letárgicos, apáticos, amorfos, anestesiados, sem reação, pouco funcionais. Deixa-nos, isso sim, infinitamente menos ansiosos, funcionais, concentrados no que é importante para nós e com vontade de fazer por isso.

Além disso, como não é aditivo, não dá crises de abstinência.

Ao contrário dos cigarros e do álcool, que parece que nos passou um camião por cima no dia seguinte. Ou ao que acontece, por exemplo, com os antidepressivos: tomar CBD não nos faz querer consumir mais para manter um estado normal de funcionamento no mundo. Basta conhecer a nossa dose.

Não obstante, é caríssimo.

Insustentável para a maioria das pessoas. Por não ser receitado pelos médicos, não ter comparticipação do Estado. Ao contrário dos antidepressivos, que podem custar apenas meia dúzia de euros por mês, com receita.

Se houvesse dúvidas de que o Estado está longe de ser “pessoa de bem”, estão sanadas. O sistema quer pessoas anestesiadas, controladas, que se conformem, aceitem tudo o que lhes dizem, sem questionar, reagir, responder, exigir.

Sem autonomia ou vontade própria.

De resto, uma das poucas vantagens de ficar mais velho é ter a consciência da finitude e, com isso em mente, redefinir prioridades e agir em conformidade. Eu decidi que quero escrever, dedicar o meu tempo livre ao que me interessa e me conecta com o todo.

Aproveitar as manhãs de sábado para tal.

Se fumar, seja o que for, passo o resto do dia e os fins-de-semana a vegetar em frente à TV, precisamente, apática, sem resposta, adormecida. Como não dá ressaca de espécie alguma – física, moral, ou munchies – com CBD, escrevo capítulos de livros, estudo, leio, sou produtiva, sem qualquer tipo de consequência nefasta para o meu corpo, mente e espírito.

Parece que se vende óleo de CBD nas farmácias, a 120€ o frasco…

Como não tem o patrocínio das farmacêuticas, não oferece dinheiro e outras vantagens para ser prescrito, não alimenta uma indústria que quer destruir-nos, não interessa ao sistema. Sendo o seu consumo desincentivado pelos preços que se praticam.

Setembro

03/09/2021

No hemisfério norte, setembro é um mês de começos. De coisas novas, anos escolares, profissionais, eventualmente, por causa da volta das férias de Verão.

Dentro das limitações que me são impostas pelos totalitaristas, tenho sentido falta da novidade, ainda que o consumar me desafie mais do que o consumir, sendo ao primeiro que quero dedicar o resto da minha vida.

Os primeiros 50 foram dedicados a consumir.

Não necessariamente bens materiais, embora, naturalmente, tenha acontecido. Algumas vezes em excesso.

Há muitos anos que, quando compro algo novo, doo algo que já não uso. Mas, depois de ver dois documentários sobre minimalismo, decidi ir mais longe e aderir ao desafio:

#LessIsNow

Assim, durante o mês de setembro, doarei ou deitarei fora o número de coisas correspondente ao dia. Sem adiar, todos os dias têm de sair coisas cá de casa.

Como comecei hoje, doei três coisas. Amanhã, serão 4. E por aí adiante até chegar às 30, no dia 30.

Pode ser qualquer coisa. Doada, vendida ou deitada fora.

Ontem estive a dar uma volta na minha roupa e notei os níveis de ansiedade aumentar em relação a algumas coisas que pensei em doar e não consegui.

A posse de bens materiais, e o respetivo consumo desenfreado, é certamente uma forma de compensar um vazio qualquer, uma questão de controlo e/ou poder, para esconder um qualquer complexo de inferioridade, para alimentar uma certa persona.

Correspondendo ao que queremos que pensem, vejam, de nós.

Os livros deixam-me segura. Apesar de os doar aos montes. Também são material de trabalho, no caso da minha biblioteca de psicologia, mitologia, arquétipos, e tal. Daí que está fora de questão, pelo menos num futuro próximo, desfazer-me deles. Sequer emprestá-los. Deixei de emprestar livros, as pessoas têm o péssimo hábito de não os devolver.

Sou apegada aos meus, confesso.

Daí que a libertação tenha de ser por outras vias. Apesar de ser mais duro desfazermo-nos de coisas de que gostamos muito, não convém esticar a corda das primeiras vezes. Manter os níveis de ansiedade controlados é fundamental, eu diria.

Esta posse neurótica de coisas tem também a ver com mentalidade de escassez.

A ameaça constante com que somos bombardeados, não só pelo nosso inconsciente pessoal, familiar, e coletivo nacional, mas também por todas as mensagens que nos são passadas, e que absorvemos inconscientemente, todos os dias, pela publicidade.

A crença de que seremos mais isto e mais aquilo, se adquirirmos este e aquele produto.

É absurdo e ridículo o mundo em que vivemos.

Ao ponto de se considerarem influenciadoras pessoas que apenas incitam ao consumo, sendo pagas para o fazer.

Outro desafio a que me proponho é a agradecer uma coisa por dia. Vai obrigar-me a repensá-lo, a não me concentrar apenas no mau, a olhar para o todo e a reconhecer-lhe o valor que tem e merece.

Não se trata da tolice e da infantilização do pensamento positivo, de não acolher as emoções desagradáveis, fingir que não nos afetam, nos tocam, nos matam por dentro um bocadinho.

Mas de reconhecer o equilíbrio de todas as coisas.

E de não exacerbar o peso ou o valor de cada uma delas. Não lhes dar mais importância do que a que têm.

Sê bem-vindo, Setembro.

Chelsea Handler

15/11/2020

Chelsea, a comediante americana de apelido Handler, é a única coisa de jeito na Netflix.

Na HBO é Undoing…

Fresca, desempoeirada, autêntica, apesar da persona pública, e nada politicamente correta.

Não tem medo de ninguém, o que muito me agrada.

Por outro lado, não ofende gratuitamente, nem se julga avaliadora ou julgadora do caráter alheio.

Mesmo de gente que conhece. Que faria de gente que nunca viu, a não ser por um ecrã de TV.

A fronteira entre a agressividade/ofensa gratuita e a ausência de politicamente correto pura e simples é muito ténue…

E difícil de discernir.

Salvo raríssimas e pontuais exceções, não é má língua, destilar de frustrações, projeção dos próprios complexos.

O que Chelsea faz é humor. E do bom.

E não precisa de se vestir como se fosse para um baile de gala. Ou de máscaras…. Optando muitas vezes por t-shirts básicas.

Quem tem conteúdo de valor não precisa de embrulho, gliter ou purpurinas. Vale por si.

Exceção feita a um pormenor ou outro, sou eu, sem medo da exposição. Revejo-me em quase tudo, exceto na veiculação do pensamento único. Porque o acho perigoso e carta branca para uma ditadura.

Por outro lado, jamais escolheria a política, ou os palavrões, para fazer humor, por ser demasiado básico. Embora entenda por que o faz, pelo momento histórico do país em que vive. De resto, o uso que Chelsea faz dos palavrões é tranquilo. Porque se prende diretamente com a maneira dela de falar.

Faz parte do pacote Chelsea Handler

Não matem já o ego*…

07/09/2019

Para Freud, a noção de ego é, num cenário que ilustra bem e aparece recorrentemente em filmes e histórias, a situação do anjo bom (superego) e do anjo mau (Id, que espera gratificação imediata), em ombros alternados, a sussurrar ideias aos nossos ouvidos.

O ego tem necessariamente de ouvir os dois lados e fazer uma escolha.

A noção de escolha é um componente importante do ego.

“A análise não torna reações patológicas impossíveis. Dá isso sim aos pacientes a liberdade de escolha por parte do ego para decidir por uma via ou por outra.” Freud

Também para Jung, esta ideia de liberdade de poder fazer escolhas é central para o ego.

Oposta é a ideia de compulsão.

Na medida em que nos experienciamos compulsivos, e talvez a compulsão mais fácil de visualizar seja a da adição, na medida em que somos uma vítima de uma adição, parece que a adição é quem faz as escolhas – a adição está no controlo.

Sou muito sincero quando digo que não quero ser vítima da minha adição.

Que pode levar a resultados desastrosos. Destruir aspetos da minha vida, relacionamentos, confiança. E a confiança em mim mesmo, podendo sentir-me desesperadamente infeliz como vítima da minha adição.

Posso comprometer-me a resistir à minha adição.

Ou não ceder a ela e trabalhar contra a experiência da adição. No entanto, quando tenho crises de abstinência do produto da minha adição e ele me visita, encontro-me sem forças para lhe resistir.

[Sim, é possível]

A medida na qual somos capazes de resistir à compulsão – de certa forma, escolher livremente – aumenta e somos capazes de fazer algumas escolhas. E de agir de acordo com as nossas crenças em relação à forma como deveríamos ser e o que deveríamos fazer. Ler Mais…

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