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Obrigada, Cristiano.

12/12/2022

Sonhámos juntos com este campeonato do mundo, seria épico, final contra a Argentina e Portugal ganhar. O tira-teimas. O último duelo entre Cristiano Ronaldo e Messi, o número que faltava na tua conta de campeão de records.

No entanto, não aconteceu. Mas não é importante.

Obrigada, por tudo quanto fizeste pelo futebol português e pela nação. Por levares Portugal aos 4 cantos do mundo, agora toda a gente sabe que existe e onde é, por mérito teu.

Só um homem verdadeiramente grande para pôr um país minúsculo no mapa do mundo da forma como o fizeste. Mais uma vez, os números não deixam margem para dúvidas.

Mas o que me encanta é a tua criatividade.

Qualificaste-nos para Europeus impossíveis

Bem como a tua personalidade, a tua força emocional. Choraste em público, como um homem, quando tiveste de abandonar a final do Euro 2016, que ganhámos. Ganhaste tudo pelos clubes onde estiveste, inspiraste milhões de miúdos e graúdos (onde me incluo) por esse mundo fora.

Obrigada pelo exemplo do que é ser um verdadeiro atleta

Comprometido com a forma física, a saúde, a performance e os resultados. Pelo exemplo que deste aos teus companheiros de equipa e às novas gerações: esforço, trabalho, dedicação, querer sempre ser melhor é a receita de um campeão. Nunca achar que é o suficiente, que já chega. É ir até ao fim.

Obrigada pelo teu humanismo, que é conhecido de todos.

Por pores sorrisos na cara de milhões de portugueses, tão habituados a sofrer que parecem não conhecer outra realidade. Tu deste-nos a conhecer uma realidade de possibilidade, e isso é impagável: fazeres-nos acreditar que podemos sonhar.

Obrigada pela tua lusitanidade, Cristiano.

Por seres nosso e nunca te esqueceres disso. Mesmo quando o teu próprio país, aquele cuja bandeira defendeste com galhardia, coragem, competência e amor, te destrata. Ou exija um comportamento de um Deus, sem emoções, caráter, ego, esquecendo-se de que és só um homem.

Um herói, mas não um Deus.

Nunca, jamais traíste o teu país ou os teus valores. Não sei quantas mais pessoas poderão dizer o mesmo, aos 37 anos.

Por isso, escrevi dos textos mais inspiradores ao longo dos teus anos de futebol e dos meus de blogs. Um deles bateu todos os records de visualizações da blogosfera portuguesa até então. Sendo o mais visto de sempre durante meses.

Obrigada, pela inspiração, o exemplo, o caráter, a dedicação, a determinação, as alegrias, os shows de bola, o teu sorriso, as tuas lágrimas, todo o teu corpo e mente dedicados ao futebol e a defender as cores de Portugal, no desporto rei.

Obrigada.

Agora, acaba uma era e começa outra, cheia de miúdos giros e talentosos.

Sabemos que não chega. O Cristiano havia de dar aulas sobre força mental, emocional, aos jovens futebolistas.

Your love makes me strong, your hate makes me unstoppable.

E que seja incrível, o resto da tua vida.

Podias dedicá-la a ajudar pessoas a concretizar sonhos. Crianças e jovens, talvez…

O Cristiano

16/06/2021

Ontem, depois de ter perguntado a um amigo alemão se estava em Munique para o jogo contra a França, ele perguntou-me se estava em Budapeste, sendo eu uma fã incondicional do Cristiano.

Não sou o tipo de fã que o segue para todo o lado, tenho mais que fazer, mas o Cristiano está na minha bucket list de gajos.

O meu amigo não me fez a pergunta, mas eu respondi-me na mesma.

O que faria caso alguma vez tivesse a oportunidade de conhecer Cristiano Ronaldo?

Muito provavelmente ficaria muda, sem reação, incapaz de falar, como me aconteceu com o RAP e eventualmente aconteceria com o Sam Heughan. Ou o Johnny Depp, o De Niro… Fico muda perante as pessoas cujo desempenho admiro muito.

Ao Cristiano, esperava sentir-lhe aqueles abdominais, tirar uma foto com ele e, se me fosse concedida uma pergunta só, acho que queria saber como consegue gerir as emoções, o ego, manter-se minimamente equilibrado ao ponto de permanecer no topo dos atletas de alta competição por tantos anos.

Não há maior e mais planetária figura do que ele.

É preciso uma grande estrutura psíquica, e, obvio, estar muito bem acompanhado, para não se perder.

Não conheço ninguém como ele. Do seu tamanho, que não tivesse sucumbido a fraquezas várias como álcool, drogas, abuso de poder. Acabando por destruir a sua vida. Embora tenham tentado fazê-lo por ele tantas e tantas vezes.

Acho que é por saber muito bem o que quer, de onde vem, quem ele é. Ainda assim, seria essa a pergunta que lhe faria.

Cristiano Ronaldo e a alegadamente inatacável Der Spiegel

07/10/2018

A peça jornalística apresentada pela Der Spiegel na sua versão inglesa, na qual Cristiano Ronaldo é acusado de violação, é tendenciosa. O facto de apresentar alegados documentos comprobatórios não faz dela inatacável.

É tendenciosa no sentido em que descreve com demasiado detalhe a queixosa, implicando necessariamente a sua aparente vitimização e fragilidade, opondo-a ao predador Cristiano Ronaldo, que, por sua vez, ao lermos a reportagem, é imediatamente culpado. Sem direito a julgamento, a que outras partes sejam ouvidas, como a amiga da queixosa, a quem confessa: foi uma grande noite, à saída do quarto, à entrada no elevador…Ronaldo

Uma reportagem não é um julgamento.

O dever e a obrigação ética e moral, é aqui que a peça pode ser atacada, e muito, é o de imparcialidade. De ouvir todas as partes envolvidas, de investigação e de humanização. Numa reportagem séria, as pessoas são humanas, não deuses, semi-deuses, celebridades e desgraçadinhas. Vítimas ou agressores.

Há gente, maior, vacinada e com responsabilidades.

Mesmo que a maioria das pessoas só se baseie em achismo, ainda há quem entenda verdadeiramente do assunto e se atreva a questionar a afamada e aclamada Der Spiegel. Ainda que o Governo Sombra inteiro diga que é inatacável. Eu mantenho-me firme. E juro perante o RAP.

Como, em 9 anos de terapia, com manifestos sinais de stress pós-traumático, esta mulher não foi tratada?

Ou não há stress ou a terapeuta é uma merda. O que, convenhamos, para quem alegadamente ganhou 350 mil euros para ficar calada, com algum desse dinheiro arranjava terapeuta melhor. O Jung reencarnado, eu sugeria. Ler Mais…

Espírito Cristiano Ronaldo

20/06/2018

Já perdi a conta aos textos que escrevi sobre o Cristiano. Deveria ter uma categoria só para ele. É a figura pública que mais me inspira. Um verdadeiro herói, como os dos gregos.

E ainda há tanto para dizer… Ou o que mais se pode dizer? Só parafraseando o Guardian:

É beyhond comprehension.

No artigo, chamavam-lhe força mental e diziam que era o cérebro dele que deveria ser estudado. Eu chamo-lhe força emocional. E digo que, apesar de ficarem no mesmo sítio, a cabeça, cérebro e psique são coisas diferentes. O cérebro é objetivo, a psique subjetiva, embora haja uma série de coisas que se podem provar cientificamente. Ou, como diz Carl Jung numa frase belíssima:

It proved itself to me

No dia em que ia enfrentar o primeiro e mais decisivo jogo da fase de grupos do Mundial de 2018, sai uma notícia que diz que alegadamente concordou numa pena de 2 meses de prisão, que obviamente não cumprirá, e o pagamento de 18 milhões de euros ao fisco espanhol.

E ele vai e marca três golos a Espanha

Já para não falar na atitude durante todo o jogo, exemplar e manifestamente diferente da do Cristiano de 20 e poucos anos, com uma bola de ouro e o mundo inteiro a seus pés. É preciso ter uma grande cabeça para não se perder. Porque ele não se perde. e seria tão, tão fácil… Quantos aguentariam no top of his game, aos 33 anos, a bater records uns atrás dos outros, num desporto fisicamente exigente como o futebol, com a exposição mediática que ele tem? Planetária? Para além de estar a preparar-se para sair. Motivando a equipa, fazendo acreditar e lutar até ao fim, como faria um grande líder, um grande capitão. Que é o que ele é.

Ainda mais ajuda a foto que escolheu para ilustrar o jogo contra Espanha. E a legenda que lhe deu: Vamos família.

Só um verdadeiro herói para perceber que nada consegue sozinho

O que é inédito. A saída do individualismo puro e duro para uma coisa mais coletiva. Além de fisicamente não ter para ninguém, porque não tem, é o jogador mais completo que alguma vez se viu, ainda evoluiu psiquicamente, considerando a sua dimensão planetária e tudo quanto é dito e feito para o desmoralizar.

A ver se conseguimos, todos nós, absorver só um bocadinho daquela força emocional.

Esta força emocional, esta capacidade inacreditável de concentração, de não se deixar ameaçar por ninguém, muito menos se deixar levar por tudo quanto é feito e dito, vai, lá está, além de tudo o que é possível compreender. É escolher a voz certa para ouvir, de entre todas as que gritam na nossa cabeça. Um fenómeno. Como nenhum outro, tendo em conta todas as variáveis. E só não vê quem é completamente ceguinho…

Ainda por cima, e mais importante e inspirador que tudo, é nosso, o gajo. Que nunca, nunca renegou o país onde nasceu e o representa mais e melhor do que qualquer outro português. Ou os dez milhões de portugueses juntos…

“Your love makes me strong, your hate makes me unstoppable”. É possível:

Há que manter o espírito Cristiano Ronaldo, o nosso Magnificent 7,

“Até ao fim, c…”

Cristiano: The Zone*

19/06/2018

Todos nós nos impressionámos com a capacidade inacreditável de concentração de Cristiano no jogo contra Espanha.

Aqui fica a explicação:

“Foi aí, logo no início do encontro e quando os espanhóis pareciam não ter ouvido ainda o apito inicial do árbitro, que se viu Cristiano Ronaldo entrar naquilo que, há umas décadas, os atletas americanos passaram a chamar “the zone” – um estado de fluidez mental, capaz de nos fazer abstrair de tudo em nosso redor e nos deixar concentrar apenas no nosso objetivo […] , the zone

Cristiano encontrou a sua “zona”

Ainda os jogadores espanhóis estavam a pedir a intervenção do VAR, já ele tinha levado a bola para o local da falta e, serenamente, de olhos na baliza aguardava pelo apito do árbitro.

Indiferente a tudo o que se passava em seu redor.

Ignorando até a presença do guarda-redes David De Gea que, numa manobra normal nestes casos, tentou desconcentrá-lo, parando à sua frente, enquanto se dirigia para a baliza. Sem êxito: Cristiano estava apenas concentrado no que tinha de fazer, ainda para mais com a cabeça fresca.

“A partir do momento em que entras nesse estado, tu percebes que estás lá.

E as coisas à tua volta começam a mover-se quase em câmara lenta e a tua concentração fica absolutamente focada no teu objetivo. De tal forma, que até consegues adivinhar o que o teu adversário quer fazer”. […]

Foi isso que se viu, pelo menos, com a forma como correu para a bola e chutou, com precisão, para o primeiro golo da noite, indiferente a tudo e todos.

Mais de oitenta minutos depois, Cristiano Ronaldo continuava na mesma “zona”,

a demonstrar essa capacidade extraordinária de cumprir algumas das características: completa concentração na tarefa assumida, objetivo claro, facilidade de execução, consciência e ação num único movimento, além de uma sensação plena de controlo sobre tudo o que está a acontecer na competição.

Vale a pena rever todos os momentos ocorridos entre os minutos 85 e 87. A forma como Cristiano Ronaldo recebe a bola, de costas para a baliza, à entrada da grande área, e depressa toma a decisão de a proteger… e esperar a falta do defesa. Era esse o seu objetivo naquele momento.

Um objetivo claramente enunciado na forma como, imediatamente, pegou na bola e… reentrou na “zona”, apenas com os olhos na baliza, a mente a focar-se em tudo o que precisava de executar, mal o árbitro fizesse soar o apito: os quatro passos até à bola, a posição perfeita do corpo para que o seu pé direito pudesse impelir a bola numa curva perfeita sobre a barreira.

Felizmente, ficou tudo gravado em vídeo.

São mais de 90 segundos nesse “estado”, com Cristiano parado, no local que delimitou em quatro passos à retaguarda, sempre a controlar a respiração, de forma lenta, e de olhos fixos no objetivo.

Nos últimos momentos desse período de concentração, percebe-se que ele está absolutamente abstraído de tudo o que se passa à sua volta – podiam desabar as bancadas, registar-se uma invasão de campo nas suas costas, que ele continuaria focado única e exclusivamente na sua tarefa. […]

Foi um enorme golo de pé direito, é verdade. Mas foi, acima de tudo, o golo de um enormíssimo atleta que, nos momentos certos, saber entrar “na zona”.

Graças à sua maior arma: a cabeça.”

*Alegadamente publicado na Visão, explica muita coisa…

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