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A beleza do efémero

25/07/2015

Acredite, caríssimo, sei bem do que fala. Confesso que nesta fase da vida, com a provecta idade que conto nestes ossos, vejo o efémero como um obstáculo, uma fuga, mais do que um estilo de vida, um encantamento. Porque o efémero tornou-se entretanto um vício perigoso. A busca constante pelo efémero – que não o é, o meu caro sabe bem que o que queremos e buscamos é a eternidade do estágio, que na impossibilidade de se verificar o torna efémero -, faz de nós uns viciados no não compromisso, que nos liberta da chatice de sermos nós mesmos por inteiro e ao mesmo tempo nos prende com grilhões de ferro à desresponsabilidade da juventude, que se quer eterna, mas que lamentavelmente já acabou há imenso tempo, nós fomos os únicos que ainda não percebemos… E o preço a pagar por ela começa a ser alto demais, a não compensar a leviandade do efémero. Estou portanto numa fase da vida em que o que conheço já não serve e o que serve se me afigura penoso demais, outra vez, mais uma vez…     

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  • Pipoco Mais Salgado 26/07/2015 at 21:32

    Mistura aqui, minha cara Isa, vários conceitos, ele é o efémero que é um obstáculo, logo à frente é um retorno à eterna juventude, finalmente acaba por ser coisa leviana.

    Eu prefiro ver o belo do efémero, a incrível potência de sabermos que não dura sempre, o convite a sorver a essência…

    • Isa 26/07/2015 at 23:52

      Não misturo conceitos, caríssimo, faço associações, desculpe…

      Quanto à sua preferência, faz sentido :), podemos ser irresponsáveis e inconsequentes à vontade, sabendo que não há tempo para grandes julgamentos…

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