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A culpa é da vaidade

02/10/2013

Nutro um profundo desprezo, e até alguma irritação e nervoso básico, uma quase repulsa, para ser bem honesta, por quem imita, se apropria de ideias e coisas, principalmente expressões, dos outros e faz delas suas. Usa e abusa das mesmas, roubando para si algo que é de outrem, que partiu de outrem, que saiu das entranhas de outrem.

A grande maioria das pessoas fica lisonjeada quando a imitam, eu fico furiosa. É como se me roubassem a alma, se apropriassem dela, a usassem para outros fins que não os mais nobres. É uma sensação de frustração, tive imenso trabalho para chegar até ali, o processo foi lento e doloroso. E chega alguém, que provavelmente nem sabe o que está por detrás daquilo, e apropria-se, faz disso seu, sem ter passado pelo processo de morte lenta, do luto, do penoso renascimento, do amadurecimento, até ao resultado final. 

Crie algo seu, que saia de si, que seja autêntico. Sou um bocado viciada em autenticidade, espontaneidade, revelam muita coragem e alguma beleza, independentemente da forma mais ou menos convencional como se manifestam, é como se fossem psiques em estado puro, que não se preocupam tanto assim com as convenções sociais, a racionalidade exacerbada, gente que se permite ser gente, autenticamente, e não um personagem qualquer. 
Não há pior turn off do que descobrir que algo engraçado que alguém disse foi usurpado de outra pessoa sem o devido crédito lhe ter sido dado. Dá uma sensação desenxabida de cópia e a cópia, já se sabe, é sempre pior do que o original. Quanto mais não seja porque é fake…

O que me chateia mesmo é o crédito ser dado à cópia, e não ao original, a cópia ser considerada o original e o verdadeiro original ficar sem o brilho que lhe pertence.

Imitação é imitação; referência é referência, inspiração é outra coisa. Inspiração é usar o original para fazer algo melhor, contribuindo com algo seu, criando algo novo, acrescentando ao original, melhorando-o, seja de que forma for, tornando-o mais engraçado, mais bonito, mais qualquer coisa. É fazer do original algo original.

Já para não falar no desperdício. A cópia é sempre um desperdício de um original que se perdeu…

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