Livre

A cumplicidade é a minha parte preferida de qualquer relacionamento

21/10/2015

Aliás, quase me atrevo a dizer, é o que vale a pena num relacionamento digno desse nome. Os relacionamentos dão tanto trabalho, exigem tanto de nós, que se não há cumplicidade que compense, não valem a pena. Perdoem-me o radicalismo, na ausência de cumplicidade, o relacionamento basicamente não existe. O Ivan, de certa form, exclui outros que não sejam afetivos, mas eu falo de relacionamentos amorosos e de amizade, familiares ou não. Qualquer relacionamento, na verdade. Tudo o que é forçado não me interessa. A cumplicidade genuína, tem de ser genuína, caso contrário não passa de manipulação, é o que nos distingue dos outros, é precisamente o que nos vincula uns aos outros, nos tira do vazio imenso em que nos encontramos quando não nos sentimos verdadeiramente conectados. E a conexão de que falo é profunda, a um nível que não é racional, ainda que os exemplos de cumplicidade se possam inscrever na lógica, na razão, na justificação, na herança comum, sequer compensatório. Os exemplos de cumplicidade mais poderosos são os que nos dão coragem, nos transmitem confiança, por serem sentidos emocionalmente, entre pessoas que nunca se viram e de repente se descobrem almas gémeas no mundo que interessa, o das emoções, dos desejos, das sensações, dos sonhos. E até dos medos. O resto? O resto constrói-se.

Além de gostosa, a cumplicidade torna as pessoas insubstituíveis. Ela cria a sensação de que há um único ser humano no planeta que nos preenche emocionalmente. Apenas ele ou ela nos entende e faz com que nos sintamos à vontade, porque nos reserva um espaço equivalente em sua vida.

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