Livre

A esperança foi encontrada antes de ti por alguém*

17/11/2015

Pode até nunca ter começado realmente, de facto, de verdade, sequer existido, a não ser numa fantasia comum, simultânea, num desejo sincrónico, numa projeção mútua, uma estrela cadente, mas só termina quando acaba a esperança, independentemente da ausência, das palavras ditas e não ditas, dos não gestos, das não ações. Só a não esperança da volta, da mudança, do querer que fosse diferente, da ação na direção da diferença, dita o fim. Por isso se fica, se alimenta, se aguenta, se tolera, porque encarar o desmoronar não apenas da fantasia, do sonho, do ideal, mas de nós enquanto protagonistas dessa história, é duro de mais. E o vazio deixado pela história que construímos, o vazio de nós, é um pesadelo sem fim à vista, uma morte, a nossa.

*António Variações

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