Livre

A galochinha botim

19/02/2016

Comprei umas galochinhas botim, numa loja de crianças, vermelhas brilhantes. Agora queria que chovesse só um bocadinho… Mas uso na mesma, chovendo ou não. Apetece-me pôr os pés no chão… galochinha

Nem uma, quanto mais as duas juntas. Já aqui me insurgi contra o botim de certeza, é procurar botim ou botins na caixa, se não foi aqui, foi em qualquer lugar virtual. Ou é bota, ou é sapato, diabo. O único botim que admitia era o All Star, que é bota. Tal como é, vá, estúpido, haver ténis de salto alto, também o é vê-los de cano alto. É contra a natureza do ténis, o ténis não é para ser bonito, é para ser prático e funcional. Essa moda da beleza dos ténis é muito recente.

Por falar em no meu tempo, no meu tempo, as galochas ou eram vermelhas ou azuis. Eu tinha umas azuis. E havia umas todo o terreno que eu quis e nunca tive, azuis de sola amarela e vermelhas de sola branca. Eu queria as azuis e amarelas, sempre gostei das duas cores misturadas. Os primeiros ténis bonitos de que gostei eram uns nike azul céu com o logo amarelo. E o máximo de criatividade que se conheceu nos loucos anos 80 eram umas verdes alface com olhos de sapo. Dois olhos nos pés. Não sei que idade tinha, mas era a suficiente para já ter noção do ridículo e o ridículo era andar com dois olhos nos pés, e umas botas verde alface… Ora, naquele tempo, para além de não haver variedade, não havia design da galocha. A galocha era um bagulho usado pelos agricultores para andar na horta. Galochas na cidade era coisa de criança. Por isso, as galochas do meu tempo eram de cano alto aberto, e fediam. Foi isso que me traumatizou. Nunca mais usei umas galochas na vida. Até hoje…

Tenho uma amiga que toda a vida desde que nos conhecemos, e é tipo há quase 30 anos, me atira à cara as minhas contradições, os nunca na vida que viram olha aconteceu. Ela não percebe, é resistente à mudança, a vida dela é o oposto da minha, relação de uma vida, filhos, mesmo emprego há anos, e eu cada vez me preocupo menos com a coerência e com o que os outros dizem e pesam. O que me interessa é a minha cabeça, o meu desafio psíquico. Quem acompanhar, acompanha. Quem não acompanhar, apanha o próximo trem. Porque a vida é isto. E eu não abdico da minha.

You Might Also Like

  • Isa 19/02/2016 at 18:31

    Wapi, o teu comentário foi parar a outro post :D aqui fica a minha resposta:
    filha, quando eu era criança é que só se usava galocha no campo, porque não havia galocha design.

  • error: Content is protected !!