Livre

A prioridade somos nós, sempre.

28/03/2015

Diz aquele pessoal que escreve artigos a mandar as pessoas fazer coisas – normalmente em sete ou dez pontos, é incrível como a fórmula pegou, sabendo eu que não funciona, há motivos para fazermos o que fazemos e se não os identificarmos e os resolvermos, vamos, mais tarde ou mais cedo, parar ao mesmo lugar – para nos afastarmos de pessoas tóxicas. Método de que sempre desconfiei – se nos aproximamos e nos relacionamos com elas é porque algo em nós as atrai e é isso que precisamos de resolver, ou corremos o risco de andar a gravitar entre pessoas tóxicas o resto da vida – mas que agora começo a considerar. Por ter descoberto não só o padrão como os gatilhos que nos fazem ficar em relacionamentos não tão construtivos assim, que, aparentemente, compensam noutras áreas, nos justificam a existência, mas que acabam por ser mais prejudiciais do que compensadores. Porque, em última instância, nos tiram o foco de nós e do que queremos fazer com a nossa vida, e o põem no outro, na ilusão de que, ao tentar ajuda-lo, contribuímos para a sua felicidade e, por inerência, para a nossa. O que é o maior engodo de todos os tempos. Ao querer contribuir para a felicidade alheia, procurar bom ambiente, resolvendo problemas, para satisfazer exigências que não vão acabar nunca, mesmo, nunca, estamos apenas focados no outro, que nos controla cada passo e nos responsabiliza por toda a sua infelicidade e miséria. E nós, se não tivermos cuidado, em nome do sacrossanto direito de nos deixarem em paz e pararem com o mimimi, vamos acreditar e vamo-nos anulando mais e mais, preocupados que estamos em minimizar o sofrimento alheio, como se fosse mesmo sofrimento, como se fosse responsabilidade nossa, como se pudéssemos fazer o que quer que seja por alguém que não quer fazer nada por si.

Nós contribuímos para a nossa felicidade fazendo por nós, a responsabilidade pela nossa vida é só nossa, o que nos faz felizes, o que acreditamos, o que vai ao encontro do nosso propósito, o que queremos para nós. Fazemo-lo por nós, pondo as mãos na massa por nós, com alma, dedicação, coragem, paciência e persistência. Sem paternalismos, sem fazer pelos outros nada que não possam fazer por si, nada, porque isso não é ajudar, isso é criar relações de co-dependência e ninguém é feliz sendo co-dependente, apenas é co-dependente, que é meio caminho andado para relacionamentos tão tóxicos quanto destrutivos. Tudo o resto vem por acréscimo, sempre vem, sempre. Mas não por magia, não há milagres, fórmulas mágicas muito menos universais, cada um saberá da sua. A única coisa que há é mudança de perspetiva, em relação a nós e à nossa postura na vida.

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