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A profissão enquanto status

26/07/2011

Não sei quem é que foi o gajo que inventou que as perguntas de circunstância a fazer quando se conhece alguém é: o que é que fazes. Primeiro porque nós fazemos variadíssimas coisas, inclusive para sobreviver, depois porque se o objetivo é catalogar alguém, vivemos para isso, acreditamos que controlamos a situação se a pessoa nos diz que é advogado, enfermeiro, bate-chapas ou carteiro, há outras perguntas que se podem fazer.

Se eu disser que sou tradutora sou inserida numa categoria diferente do que se disser que tenho 3 irmãos rapazes e sou a única menina. Por exemplo. Se eu disser que sou casada há 20 anos sou inserida numa categoria completamente diferente do que se disser que sou diretora executiva de uma multinacional. Se eu disser que sou advogado sou inserido numa categoria totalmente diferente do que se disser que sou músico (conheço um que é os dois). Se eu disser que sou professor da universidade católica da Bahia sou inserido numa categoria totalmente diferente do que se disser que sou músico (conheço um que é os dois). Em todas as hipóteses, o rumo da conversa muda radicalmente.

É quase como se a profissão que exercemos fosse uma arma de arremesso para nos proteger dos monstros da floresta. Embora haja quem a considere como tal, está longe de o ser… Estamos muito longe de ser apenas a profissão que exercemos.

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