Livre

Against better judgement

01/11/2017

Encantarmo-nos por alguém, deixarmos que nos conquiste, apesar de todas as contrariedades e objeções, do nosso better judgement, de a cabeça não querer, o corpo não corresponder aos desmandos do ego, e ainda assim darmos por nós a dizer sim, quando queremos dizer não, parece esquizofrénico.better judgement

É irritante, desesperante, contraditório, extenuante.

Mas também é a forma que a vida, o universo, deus, o Self, a alma, encontraram de fazer que nos apaixonemos pelos nossos defeitos, as nossas contradições e contrariedades. As nossas irritações. O que nos desconcerta, desequilibra, abana, estremece e apavora. Características que ainda não conseguimos ver com outra lente. Sem força suficiente para que as olhemos de forma amorosa. Mas que, no objeto do nosso enlevo, nos parecem toleráveis, quase encantadoras, vulneráveis, aceitáveis e compreensíveis. De um jeito que não queremos mudá-las, apenas aceitá-los, com afeto e acolhimento, amor e compaixão.

Amar o outro é uma forma de amarmos o pior e o melhor de nós, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza.

– Aceitei dançar com Mr. Darcy? Isso seria inconveniente, pois jurei odiá-lo para toda a eternidade. In: Orgulho e Preconceito, Jane Austen.

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