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Ainda a tradução do Message in a Bottle

16/12/2014

O Message in a Bottle foi escrito a jato. Não me sentava à secretária e dizia: agora vou escreverMIB_FINAL_SET13-cópia um pergaminho, enrolá-lo e enfiá-lo numa garrafa de vidro incolor, tapada com uma rolha de cortiça dos sobreiros do Alentejo.

O tema ruminava e ruminava na minha cabeça sem que me desse conta e, quando estava pronto, simplesmente saía, já no formato pergaminho. Todas as vezes que tentei forçar, não saiu. Até desisti, achei que três era a conta que deus fez. Foi quando os reli e, uns dias depois, saiu o quarto, quatro anos depois dos três primeiros. Já em São Paulo, onde acabou por ver a luz do dia. Adiante.

Como vinha em bruto, mesmo, tive de o editar muitas vezes. E, ainda assim, precisei da ajuda de uma revisora super experiente para que o seu par de olhos visse o que eu não conseguia ver. Para mim, tudo fazia sentido. Mas havia frases que precisavam de ficar mais claras, sem que as explicasse nem lhes tirasse a poesia.

Poderia dizer-se então que é apenas literatura, produto do inconsciente lapidado pela pena do ego. Não é. É engraçado consciencializarmo-nos do motivo das escolhas, emocionais, estéticas até, e ver como tudo tem uma explicação. A escolha de cada verbo, cada substantivo, cada artigo. Cada tempo, cada espaço, cada cadência.

Uma das frases bordão do livro é precisamente a transcrita acima. Até mais de metade do livro, eu mantenho o mistério de onde são lançadas as garrafas de vidro incolor, mas insisto em dizer que as rolhas são de cortiça dos sobreiros do Alentejo. Podia dizer: dos sobreiros da minha terra, mas nomeei o Alentejo. E só com a ajuda da tradutora de inglês, consegui explicar porque usar: from the Alentejo cork trees e não from Alentejan cork trees. E não é apenas uma questão de soar bem ou mal, muito menos por causa de um problema económico, como avento na abertura.

Primeiro sentimos as palavras e gostamos ou não. Depois arranjamos uma explicação para essa aceitação ou rejeição. Mas mesmo que não consigamos arranjá-la – não é fácil, eu é que sou treinada pra isto desde que me conheço – não importa, o nosso gut feeling em relação ao que é nosso está sempre, sempre certo. E mais tarde ou mais cedo descobrimos porquê. O importante é não ceder de caras à razão ou lógica alheias. Nem que a discussão tenha que acabar com um: porque eu quero assim. Felizmente, ainda não tive de passar por isso, e não é porque estou a pagar, como disse, tanto uma como outra se ofereceram, é porque ambas estamos comprometidas com o livro, com o fazer dele o melhor possível, não com o ego, pelo menos, não diretamente.

O ter razão não é prioritário. Já foi, mas não me levou muito longe, apesar de me dar um certo calorzinho no ego, o que é bom, desde que não pegue fogo…

Tem sido uma experiência incrível, thank you, gals :)

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