O meu tipo de feminismo*

28/08/2016

Mulher que é mulher dá trabalho a conquistar. Se não quer ter trabalho, contrate uma prestadora de serviços… Mulher que é mulher também dá trabalho a manter, e não tem nada a ver com matéria, mas com disponibilidade emocional. Afeto é a chave, sempre, todos os dias.

Por mais desempoeiradas que sejamos, somos mulheres e, por isso, queremos ser tratadas com jeitinho. Seja inteligente…

Não minta, não menospreze a nossa inteligência, não seja um capacho, seja firme, mas jamais agressivo, nas palavras, nos atos ou nas omissões. Não tente comprar-nos, não abuse da nossa boa vontade, nem queira que sejamos uma segunda mãe. Não nos trate como bonecas de porcelana, incapazes, empregadas ou como umas quaisquer e, acima de tudo, jamais nos compare a outras, sua mãe incluída, mesmo que caiamos nessa tentação. Mulher que é mulher gosta de se sentir única, trate-a como tal. Dê, apoie, esteja inteiro, seja presente, esteja presente. Seja generoso, nos afetos, na consideração, no mimo. Não nos trate como one of the guys, por mais masculinas que sejamos, não somos one of the guys, mesmo que falemos palavrões… Somos emocionais, somos sensíveis, há conversas que nos metem nojo, por mais que sejam mentira, que sejam para impressionar os vossos coleguinhas de género. Não as tenha à nossa frente. Nunca, jamais, em tempo algum nos diminua, nem em público nem em privado. Muito menos tente dominar-nos. Seja discreto, seja educado, seja gentil, seja homem, defenda a sua honra e a nossa, se for o caso. Jamais seja cobarde, mulher nenhuma aguenta um homem cobarde…

Em nos tratando bem, tem de nós o que quiser. Em nos tratando mal, somos pessoas capazes de fazer da sua vida um inferno… E só ficamos até à página dois…

*Publicado com o título: Ainda as mulheres, a 5 JUN. 14. Dois anos depois, não mudo uma vírgula.

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