Selfish Love

Ainda é cedo*

29/04/2013

Agora que te conheço por outras vias, não que não te conhecesse antes, e esse conhecimento vai além da vida, é um conhecimento celular, entendo porque é tão difícil largar. Não há recurso racional que me valha. É como se eu quisesse abandonar partes de mim, as partes que mais precisam de nutrição, de afeto, de calor, de acolhimento. Logo agora que me dei ao trabalho de olhar para elas com olhos de ver, de as reconhecer. E é como se elas gritassem: não, por favor, não te vás embora. Apegando-me emocionalmente a ti, como se o meu cérebro, todos os sentidos e tudo o resto, estivesse ligado a ti através de um monte de ventosas.
Quando tentei resolver racionalmente e começou a resultar, recebi um recado ininteligével do meu inconsciente. Eras tu. Ou o que é meu em ti, na tua figura, claro. Lembro-me que ficavas quieto, de pé, a olhar para mim, para baixo, mas não muito. Com esse teu sorriso incerto. Só me lembro disso, a tua presença, tipo reminder, como a que me assombra a cada vez que estou num lugar público a divertir-me. Ou que me surpreende, saída do no meio de uma árvore. Vejo-te em todo o lado. É muito, muito forte. Mas eu sou mais. E se o objetivo é lidar com isso, então vamos lá. E se não pode ser materializável, e se é meu, lidarei sozinha, para depois não ter de ir buscar compensações externas e poder apenas trocar. 
E cito o teu português preferido: Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso – em suma, é a nós mesmos – que amamos. Fernando Pessoa
E não quero nada com isto, só que saibas, partilha, explode-se-me o coração se não o fizer. E talvez obrigar-te a lidar com isso, não por mal, mas por também ser teu, provocado voluntaria ou involuntariamente por ti, despertado por mim, com todo o prazer do mundo, não me arrependo nem um minuto. Desculpa se te atropelo. E, sim, continuo a gostar de ti além da vida. 
* @Selfish Love, 8 Mar. 13

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