Uncategorized

Ainda vou a tempo

13/03/2015

Durante três dias, estive num evento com estrangeiros de todo o mundo, maioritariamente europeus, do norte e do leste, mas não só. Havia israelitas, uma australiana, uma canadiana e um americano, que estava a dar um workshop. A certa altura, fiz-lhe uma pergunta sobre uma questão que levantou. Atendeu ao meu pedido mas não me satisfez, por isso insisti. Estava mesmo interessada no assunto e disposta a não sair dali sem ver a minha dúvida esclarecida. Respondeu-me que talvez tivesse instruções para me dar, mas num outro momento e em privado. Achei que não podia perder a oportunidade que estava a ser-me dada e esperei por ele no fim. Disse-lhe que não queria tomar muito o tempo dele nem atrapalha-lo nos seus planos, mas não podia perder a oportunidade que me tinha dado e que eu estava suficientemente preparada para agarrar. Perguntou-me se podíamos almoçar no dia seguinte, ao que anuí. No dia seguinte de manhã, levantei dinheiro e, à hora marcada, esperei por ele no sítio combinado. Fez-me esperar, mas não desisti, esperaria por ele o tempo que fosse preciso, sem o forçar, queria-o disponível, de livre vontade, não obrigado. Por isso esperei mais um pouco, se ele precisava de mais um tempo, estava disposta a dar-lho até que ele estivesse 100% disponível para mim. Quando finalmente veio ao meu encontro, explicou-me que estava stressadíssimo com coisas lá da vida dele, mas que agora estava disponível. E lá fomos, deixei-o tomar a liderança, deixei-o escolher o restaurante, deixei-o completamente à vontade. Sentámo-nos e o empregado veio com um monte de entradas, três queijos, presunto, pão, azeitonas, uma barbaridade de comida. Pedimos um café duplo para cada um e ele disse ao empregado que estava bom, que para ele aquela quantidade de entradas era suficiente. They make you pay for all this anyway. E ali ficámos, conversámos, ele ajudou-me na minha questão, disse o que tinha para me dizer, falou do que o atormentava e quando tentei fazer-lhe perguntas, respondeu: desculpa, não quero falar de mim, quero falar de ti e do que te preocupa. Falámos o que tínhamos para falar e no fim ele disse: are you paying for all this? Ao que eu respondi: definitely. Afinal, tinha tido uma “consulta” de borla, era justo que pagasse. O empregado, claro, pôs a conta à frente dele, ao que ele respondeu: she is paying, ao mesmo tempo que eu disse: é para mim, somos assim, modernos.

equality-bill1

Depois, e por causa do sururu que praí houve no blog do Pipoco, sobre o dia internacional da mulher, o feminismo, as feministas, as mulheres, o diabo, perguntei-me cá com os meus botões: quantas dessas mulheres que andam praí a gritar que querem igualdade e não sei quê ficariam caladas, diriam que sim, aceitariam sem questionar, sem ficar desapontadas, sem se perguntar: mas que grande mal educado, não vai pagar a conta? Quem sugeriu almoçar foi ele, ainda por cima é homem, e tal.

E a pergunta que não quer calar é: têm a certeza sobre essa tal de igualdade? Estão preparadas para isto, minhas senhoras?

You Might Also Like

error: Content is protected !!