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Anhang*

15/12/2013

Desde que vim ao Brasil pela primeira vez, quase há 14 anos, que quero ir a Manaus, fazer a travessia pelo Amazonas, entrar selva adentro e conhecer índios.

Tenho um fascínio inexplicável por índios. É difícil para um europeu entender algo que não tenha uma explicação racional, e o meu fascínio por índios não tem. Estou agora decidida a entendê-lo, se não racional, pelo menos emocionalmente.262

Não gosto muito de preparar viagens, prefiro que os locais me mostrem o que há de bom. Mas alguns planos há a fazer, nomeadamente garantir uma data especial, o fim do ano, tradicionalmente caro e lotado. Seria em Alter do Chão, mas, entretanto, e porque os sonhos quando são a valer concretizam-se, soube de uma festa que vai haver numa ilha no meio do nada, para ficar em casas de locais, comer comida cozinhada por eles e, para abrir o ano em beleza, dois dias numa reserva indígena. Tudo o que eu queria, de bandeja. Este é o meu tipo de viagem ideal. Com locais.

Hostel de um austríaco em Manaus para o dia de Natal, 25 de dezembro, devidamente reservado. Tenciono ver alguma coisa da cidade, apesar da efeméride, que provavelmente me vai impedir de conhecer o famoso teatro de Manaus, e tentada a voltar caso não tenha conhecido algo de muito relevante, o mundo comum está aí cheio de exigências, mas o meu grande objetivo é a travessia de barco Manaus-Santarém, o encontro das águas, em Manaus, onde os rios Negro e Solimões se juntam para formar o Rio Amazonas, selva e índios. E é tudo isso que vou ter e muito mais.

Ainda não sei onde vou dormir a 27 de dezembro, em Alter, e não sei o que vou fazer de 4 a 12 de janeiro, mas isso são apenas detalhes. Detesto viajar com horas e planos apertados, esses servem para a cidade, não para a natureza, que, como se sabe, tem o seu tempo próprio, independentemente da nossa vontade.

Os sonhos são oportunidades que se agarram. Não fosse esta viagem cair-me no colo, estaria a passar o fim-do-ano no Rio, com um amigo muy querido, com quem tive de desfazer os planos que já tínhamos feito e assumir que íamos cada um para seu lado. Foi difícil, o meu lado europeu jamais desmarcaria planos assim, ainda por cima com tanta logística, como uma viagem Europa-Brasil.

Mas esta viagem à Amazónia foi um grito da alma. E desta vez resolvi ouvi-la.

 *alma, em tupi guarani.

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  • Ana 16/12/2013 at 20:23

    Eu queria muito ir a Manaus também, mas para matar saudades do meu mano e conhecer a minha sobrinha índia linda :)

    • Isa 16/12/2013 at 21:04

      ah, que lindooo :) uma sobrinha índia :)

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