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Antes da meia noite

21/07/2013
O meu preferido é o segundo, de longe. E quanto a este, estava à espera de mais. O giraço do Ethan Hawke é um rapazinho da minha idade – a prova viva de que os homens são como o vinho do Porto – e a mulher dele é uma chata do pior, sempre a arranjar chatices, sempre revoltadinha, que é uma coisa para a qual não tenho a menor paciência em gente que já passou dos 40 anos. 
Demasiado realista para o meu gosto, sem ilusões, talvez seja isso que me incomodou. No entanto, à medida que fui falando sobre o filme comecei a gostar mais dele. Apesar de me ter irritado e talvez seja isso que o torna tão eficaz. De resto, achei bonitinho ele dizer que ela era completamente doida, que duvidava que alguém a aturasse mais de seis meses, eu também, aqui que ninguém nos ouve, e que, no entanto, gostava dela assim. 
O amor é isto, encontrarmos pessoas que não só aceitem como gostem, inclusive, da nossa neurose, por ser parte de nós, mas também por fazer de nós quem somos, por ser isso que nos torna especiais, únicos, vá. Gostar das qualidades é fácil, o difícil é gostar do nosso lado B, do lado que nos faz entrar em discussões esquizofrénicas. Desde que o ego não se sobreponha a tudo o resto, desde que haja um momento em que saímos de nós e consigamos ver  o que quer que seja pela ótica do outro, sem que isso nos diminua, sem que tenhamos de nos anular, subjugar. Apesar da possibilidade de dizermos coisas horríveis uns aos outros me encher de pavor. Deixando no ar a ideia de que só assim as questões são ultrapassadas.

A cena final, que não se vê, de make up sex, é certamente a melhor… Há até quem seja viciado nisto, em discutir, se agredir, e tal, só pelo fecho com chave de ouro, o make up sex no final.

E, no fundo no fundo, acho isso bonito, a possibilidade de make up sex no final. Desde que haja make up sex no final está tudo bem. Parece que não, mas é sinal de vida, de esperança até.  

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