Selfish Love

Aprendiz de feiticeiro*

24/04/2013
Estava a almoçar no sítio do costume e desta vez sentei-me lá dentro, de frente pra TV, lá longe. Estava sintonizada na Globo, mas poderia ser na record ou na sbt, tal era o estoiranço da imagem e o bom gosto das vestimentas dos personagens. Uma novela qualquer em que tudo era fake, demais…, os cabelos, o arzinho angelical, o bigode de gente séria, o enlevo na voz, que não oiço, mas adivinho, pelos gestos, a cabecinha inclinada, o clichê, o clichê. E ali, naquele fatídico momento, percebi que imagino a minha história como a de uma novela mexicana, mas com menos drama. Queria que fosse, imagino-a, pelo menos, um romance de cordel, e eu nem tenho nada a ver com as heroínas de romances de cordel. Ao que nós chegámos, tanta literatura, tanto estudo, tanta viagem para acabar num livro da Harlequim. Gargalho alto só de imaginar, num esgar trocista, incontido, tu não tens cara de herói de romances de cordel da harlequim nem fodendo. És inteligente demais, culto demais, sério demais, rough demais. Mas, nesta altura do campeonato, já pouco importa o protagonista. De preferência alto e espadaúdo, que me envolva num abraço, que me protege de todos os males do mundo. Eu, letrada, viajada e culta, imagino a minha vida como se de um romance da Harlequim se tratasse, mas sem a parte do mastro aveludado nem o plot de quinta categoria. Tu não és rancheiro, mas também não és um magnata grego de 30 anos, com essa guita toda? Só herdada do paizinho. Nem eu ando de stiletos e de saia e casaco pretos, por ser secretária de não sei quem, ou trabalhar numa loja de não sei quê, muito menos vivo num ap, que estaria mais pra salário de top excutive de uma multinacional qualquer. Não que eu leia a merda da harlequim, mas tenho uma amiga (aha, juro que é verdade) que traduz esses livros para português do Brasil e de vez em quando dou-lhe uma mão. Agora percebo por que me irritavam tanto. Era aquela foleirada que eu queria para a minha vida. Putaquemepariu, salvo seja. Se o meu pai sabe disto tem um desgosto. 
Era o que deveria ter feito, se tivesse filhas proibia-as de ler romances, histórias do Walt Disney e mesmo os clássicos, comédias românticas nem fodendo, só a deixava ler o Dante, pra ela ver o inferno que é. Palhaçada do caralho, eu aqui, inteligentíssima, gira, linda, boa e bem humorada, como protagonista de um blockbuster série b, e mau. Tanta psicologia e acabo no arquétipo mais básico de todos. Olha só o que fizeste comigo, pqp… ‘Tou quase a acreditar em macumba… Não fosse a legião de fãs apaixonados que carregas atrás de ti por esse mundo afora, certamente em todos os continentes, e acharia que foi bruxedo, eu, a cética de serviço. 
* @Selfish Love, 25 Fev. 13.

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  • Auto-colante 24/04/2013 at 15:57

    Ahahaha! Maravilhoso! Pelo sim pelo não, benza-se! :D

    • Isa 24/04/2013 at 15:59

      lol :D banho de sal grosso, sessão de descarrego, qq coisa :p

  • Diana 24/04/2013 at 22:16

    Ahahahahahahah. Muito bom.

    • Isa 25/04/2013 at 02:42

      nao tens noção o q já me ri com isto… :D

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