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Às almas

24/12/2009

A todas as almas que já descobriram que a obediência e o respeito eram devidos até o ponto em que não sabíamos que tínhamos escolha. A todas as almas que escolheram os caminhos que acabaram se revelando intermináveis, independente da quilometragem prevista no primeiro passo. Às almas cujos copos estiveram sempre cheios, demasiado cheios, nunca pela metade, sempre transbordantes. Às almas cheias de drama, desastre, descarrilamento de trens, desmaios, fogo, inundação, catástrofe; fogos de artifício. A todas as almas que descobriram a tempo o torpor, a mesmice, o socialmente correto, o moralmente aceitável, e saíram correndo para o outro lado. Às almas irresponsáveis, inconsequentes, impacientes, indomáveis, insuportáveis. Às almas que soltaram as amarras, passaram dos limites, surtaram, dissociaram, descontrolaram. A todas que perderam o juízo, o pé, a cabeça, a razão, a memória, o prumo, o fôlego. E às que arriscaram, apostaram, pagaram pra ver, fecharam os olhos e pularam no precipício. Às almas rebeldes, intensas, inquietas, que não traem a si mesmas jamais, que no silêncio consigam manter-se fieis àquilo que supostamente deveria ser diferente.

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