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As minhas amigas são decentes

12/07/2005

Deprime-me só de pensar. Ui como me deprime… Pensar que vou andar uma noite inteira no meio de um monte de mulheres histéricas, monte de mulheres que se preze faz barulho, em que uma delas corre o risco, coitada, de andar de véu ornamentado com um enorme pénis no alto da cabeça. O truque é começar a beber copos que nem uma doida que é para não pensar muito. Não há b’zana que me valha se for parar a uma casa de strip masculino pelamordedeus eu não fui feita para isto, ai não fui não…

Isto era se as minhas amigas tivessem muito pouca imaginação, fossem atrasadas mentais, se tivessem problemas do foro íntimo com os futuros maridos, se não fossem pessoas minimamente equilibradas. Mas não. As minhas amigas são gajas decentes e por isso as despedidas de solteira a que fui foram muito, muito boas. Algumas originais, até.

Despedida que se preze deve ser em grande. Um fim-de-semana inteiro, em Lagos, não é mal visto. Éramos 13 e fizemos sucesso em pleno Junho. Com o Algarve às moscas, era natural que um monte de mulheres, a maior parte loiras espampanantes, muito bem vestidas e com uma boa disposição invejável, se fizesse notar. Da praia para o bar, do bar para o hotel, deste para o restaurante. Óptimo jantar. À saída houve um cavalheiro que teve a gentileza de deixar sair a primeira. Tudo o resto aproveitou a boleia e o gajo nem queria acreditar no que via. Nunca mais acabávamos de sair. Havia outro, ao telefone, que dizia: devias estar aqui, meu. Isto está pejado. Olha, só aqui à minha frente devem estar umas 20… Como não nos conhecíamos bem resolvemos ir para o hotel conversar, numa tertúlia tudo menos tertúlia, bem regada e ainda melhor condimentada, não sei se me explico… Não há homens para ninguém, apenas muita conversa, tudo menos séria, muito riso e cházinho para arrebitar. Durou até às tantas e foi um sucesso. No dia seguinte houve mais praia. Aproveito para dizer que a Meia Praia, em Lagos, é fantástica. E o Bar, apesar de tudo estar escrito em inglês, o que me irrita bastante, é espectacular, giro e cheio de coisas boas, que o mar abre o apetite… Porque era domingo, houve direito a música da boa, com gajos a tocar congas e tudo. Animadíssimo.

Também as há mais normais. Jantar e borga. Em que o jantar vale por tudo o resto. O restaurante foi escolhido a dedo e a comida era tão boa que as entradas bastaram para fazer a festa. Só não comi mais por vergonha. Peixinho, que jantares querem-se ligth. Sangria de champanhe a rodos que o calor aperta e antes beber assim qualquer coisa soft a parecer sumo, com a vantagem de não ser, do que vinho quente e pesadão. E a sobremesa? Era surpresa. Sobremesa para mulheres tem de envolver chocolate… Não só tinha chocolate como tinha gelado também. Creeeeeepes… Foi a reacção em coro! O jantar não poderia ter acabado melhor. Garrafas de champanhe à nossa espera em dois bares diferentes, não se brinca em serviço.

A mais original foi pôr o mulherio a calcorrear meia cidade num pedi paper na baixa de Lisboa. Para além de descobrir que há gente de muita cultura, a noiva sofreu, porque noiva que se preza sofre. Faz parte. Desde empreitar shots de ginjinha uns atrás dos outros, andar de um lado para o outro num dia de algum calor, responder a perguntas difíceis para poder ser chamada de ignorante e presentes com muita utilidade, nomeadamente um kit completo de limpeza, incluindo esfregonas, esfregão bravo, balde, sabão azul e branco, panos para tudo e mais alguma coisa, espanadores para o pó, vassouras etc, etc. Porque o pedi paper incluía uma passagem por uma sex shop, a noiva teve direito a presentes ainda mais úteis em que o eleito foi a bela da cueca completamente fio dental, apenas com um pompom cor-de-rosa à frente, digna da melhor estrela Play Boy, mais rasca era impossível. Declarações de amor feitas ao D. José, ali na Praça do Comércio, provas musicais em que a única que tinha head phones era a noiva. É inacreditável o quanto um gajo consegue desafinar sem dar por isso… Com direito a passeio de eléctrico até à Graça para um merecido jantar. Estava tudo tão podre que ninguém falava. É verdade. Um monte de mulheres todas caladinhas, até fazia impressão. Durou pouco. No final, toma lá um diploma, escrito com todo o amor e carinho, dedicado a ti e ao teu futuro marido. O pénis não faltou, mas foi no bolo, que fez um sucesso. A animação foi noite fora até às tantas, com a b’zana devida, já que te vais casar não te damos descanso.

Se alguma vez me casar e me organizarem uma despedida de solteira era giro que fosse original. Não sei bem o que poderia ser mas queria só avisar que não haverá lugar a gajos nus, véus e muito menos pénis no alto da cabeça, ou em qualquer outro lado, que também eu sou uma gaja decente.

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