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Às vezes bate uma saudadinha de Lisboa

02/03/2013
Ontem fui jantar com o núcleo pobre da novela a casa de uns amigos comuns, ele brasileiro ela francesa. Em Paris da França também rola uma solidariedade emigra, os pais dessa francesa, quando vêm visitá-la, trazem-lhes uma mala carregada de queijos, que eles enfiam no congelador e vão tirando à medida que vão dando vazão. Ontem havia lá dois franceses bem bons, queijos, quero dizer. Mas aí chega o núcleo pobre da novela acabadinho de vir da nossa terra, na verdade chegou há um mês e já se vai embora e eu ‘tou puta que só o vi duas vezes e nem dei por que fevereiro passou, com um alentejano que reluzia, um queijo da ilha, da ilha mesmo, toda a gente sabe que os que se compram em Lisboa são diferentes, o da ilha mesmo é mais suave, e uma chouriça. 
Pra mim não havia maior trigger de memória do que o cheiro. Mas ontem, quando enfiei uma tira de queijo da ilha pela boca abaixo o meu cérebro fez o que às vezes conscientemente percebemos, antes mesmo de adormecer, vai pra trás e pra cima, tipo twister da feira popular, e o inconsciente invade-nos. É muito raro sentir isso, mas é muito bom. Ontem, o meu cérebro fez isso, só que me levou pra mesa da sala de casa dos meus pais, onde há sempre, sempre queijo da ilha, entre outros. E ainda lá fiquei uns segundos. Quando dei um gole no tinto alentejano não consegui nem falar, de tão bom que era. E a chouriça portuga continua a arrasar. A daqui é uma merda…
Não só é um memory trigger como a comida é também uma forma de matar saudades. E de as sentir. Também nos identifica e no nosso caso particular temos essa tradição, a tradição da mesa, que envolve horas de conversê e de risadas, horas da nossa vida. E talvez essas memórias também contribuam um bocadinho para as saudades. 
Hoje, depois de rodar esta puta desta cidade, na verdade foi só uma avenida, mas é gigantesca, os números vão além do 6000, também me deu saudades da facilidade e da beleza que é Lisboa.

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