Livre

Até concordo com isto, juro que sim…

24/08/2015

É inclusivamente um tema recorrente na minha vida, por isso lhe dou tanto espaço mental.

Se você simplesmente desaparecer sem dizer o que considerou errado, essa pessoa não terá a chance de compensar a dor que você sentiu ou ainda sente.

E acho que conversar e expor fragilidades faz parte da chatice de ser um adulto responsável pela sua vida e suas escolhas, e que bater a porta e atirar tudo para trás das costas não resolve problema algum, apenas o adia. Mas a vontade tem de ser mútua e o amor tem de estar na base de tudo, e ser mais forte que tudo, nomeadamente do que o orgulho, os dominadores são dominados e os dominados dominadores, são a mesma pessoa, desempenham é papéis aparentemente distintos, no fundo, no fundo, o papel é o mesmo, temos é duas formas diferentes de olhar para ele… Ou as neuroses têm de ser suficientemente compatíveis e a convivência minimamente adequada para que ambos queiram voltar às boas, ou às más, que isto há gostos pra tudo, inclusive gente que vive para brigar. Para além do tempo necessário que implica esperar que a raiva passe e o sentimento se transforme em nostalgia ou assim.

Independentemente de ser projeção, na grande maioria das vezes é, por um lado, não é exclusiva, o outro lado também projeta as suas neuroses de estimação em nós, por outro, a verdade é que nós não conseguimos distanciar-nos das nossas neuroses com essa facilidade toda, nem mesmo apelar à causa do amor fraterno com tanta frequência assim. Além disso, ninguém com idade suficiente para ter juízo bate com a porta ao primeiro vacilo, são precisos vários vacilos e variadíssimos avisos, e ausência total de mudança do outro lado, para que alguém perca a paciência e bata com a porta.

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Também percebo perfeitamente quem deixa ao critério da imaginação de quem fica, tentar adivinhar os motivos do sumiço, às vezes o que nos leva a sumir é duro de mais de dizer… Tornando o já de si infeliz ser num miserável. Já para não falar na quantidade de vezes que só estamos à espera de um vacilo para termos motivos aceitáveis pela sociedade para poder dar um pé na bunda de alguém… E isto acontece com mais frequência do que se imagina…

Nós não podemos abrir a cabeça uns dos outros à machadada e enfiar-lhes baldes de bom senso, noção e sei lá que mais à força, ou chegamos lá por nós, ou de nada adianta ter alguém a massacrar-nos com as nossas falhas.

E por mais aparentemente humildes e saudáveis que sejamos, ninguém aguenta ser criticado durante muito tempo, muito menos viver num ambiente assim. O que me leva à questão seguinte: se eu estou suficientemente doente para aguentar alguém a tentar controlar-me e a criticar-me o tempo todo, diminuindo-me e tornando-me pouco confiante em mim mesma, o que dizer de alguém que está com outra pessoa nessas condições. Ambos estamos doentes e nesse caso o remédio é santo… Bem sei que o autor salvaguarda as situações de abuso, onde o esgueirar pela janela se for preciso é admitido, mas, pela minha experiência, um abusador é um abusador e uma dupla de não abusadores há de arranjar forma de se esclarecer mutuamente.

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