Autoridade

13/04/2021

Não tenho, nunca tive, medo da polícia. Sempre os vi como forças de segurança, para servir e proteger, sempre soube falar com eles. Muito menos tenho, ou tive, problemas com a autoridade. Nunca a desafio e jamais discuto com polícias. Sou suficientemente esperta para tal.

No entanto, o que tenho é sérios problemas com abuso de poder e de autoridade.

E não me calo perante os mesmos. JAMAIS.

Até levarem o rapaz preso, em dois carros da polícia, que voltaram depois, mantiveram-se sempre pelo menos seis agentes no espaço, iam chegando, eram mais do que nós…, tenho os nomes deles todos, estive todo o tempo calada.

É preciso saber como e, acima de tudo, quando falar.  

Os ânimos já estavam demasiado exaltados para o meu gosto e havia uma pessoa prioritária naquele momento, a miúda que estava a sentir-se mal.

Os polícias ficaram visivelmente à toa e um deles chamou o INEM.

Se acontecesse alguma coisa com aquela miúda, estavam tramados. Não contentes, um deles ainda foi agressivo a perguntar: mas não têm um telefone para chamar uma ambulância? Tive de lhe dizer que um dos polícias já o tinha feito. Polícia esse que mo confirmou, a mim, em vez de o fazer ao agente que nos estava a interpelar.

Como 5000 euros de multa não chegaram, os polícias resolveram multar toda a gente que estava dentro do espaço com uma contra-ordenação por, pasme-se, não cumprimento do dever geral de recolhimento. Que saiba, não há recolher obrigatório. E dos meus deveres sei eu.

Como é óbvio, não assinei a multa muito menos vou pagá-la.

Perguntei ao polícia se o decreto-lei se sobrepunha à Constituição. Respondeu-me que não, dizendo que em Estado de Emergência alguns direitos estão suspensos. Depois de me responder: tem de se queixar ao Governo, respondi-lhe que o Costa não está acima da Constituição. E que o melhor era ele e o Marcelo suspenderem a CRP e assumirem de uma vez por todas que estamos numa Ditadura. Não teve argumentos. Acrescentei que esta era uma relação abusiva, as regras mudam todos os dias, sem qualquer critério, lógica, base credível para tal.

Nenhum polícia se manifestou.

Não discuto com a polícia. Por outro lado, não me encolho perante a mesma. No entanto, qualquer centelha de lucidez que possa pôr-lhes na cabeça, que os faça dar um passo atrás e pensar duas vezes no que estão a fazer: multar pessoas porque estão a divertir-se, a conviver, a trabalhar, fá-lo-ei.

Num dado momento, fui lá fora. Imediatamente um polícia me seguiu e quando dei por mim estava cercada. Respondi, não tenha medo que eu não fujo. Não me respondeu.

Voltei lá para dentro, era hora de falar.

Disse a um dos polícias: vocês são seis agentes aqui dentro, somos só mulheres, alguém vos intimidou? Partiu para cima de vocês, vos ameaçou? Depois de um ano fechados em casa, sem saber como vamos viver, com dívidas acumuladas porque não podemos abrir restaurantes, no dia em que abrimos, entram 6 polícias por aqui a dentro a ameaçar uma pessoa com uma multa de 5000€, quando ela já tem outro tanto de dívidas, como é que vocês estão à espera que as pessoas reajam?

Depois de me dizer: não falo mais com vocês, estou a tentar explicar-vos o que fizeram de mal. Perguntei: mas nós não podemos falar, agora? Todos os polícias ouviram o que eu disse, nenhum retrucou. É nisto que estamos.

A polícia, enquanto força de autoridade, como nas ditaduras, a oprimir cidadãos livres, que trabalham e pagam impostos.

O Governo, por sua responsabilidade e decisão, não tem rendimentos este ano. Porque a maioria da população não pôde trabalhar e, por isso, não há impostos para recolher.

Para sustentar um Governo com 50 Secretários de Estado.

A forma que arranjou para arrecadar dinheiro é perseguindo e multando inocentes. Esmifrando a população que mal consegue pagar contas, tão altos que são os impostos.

Bem-vindos ao Socialismo.

Se é para proteger os mais fracos que votam nesta gente, parabéns.

Se insistem em denunciar os vossos pares, sem medirem as consequências dos vossos atos, a miúda quase morreu à minha frente, parabéns. Muitos parabéns pela vossa solidariedade.

Se acham que com isso têm a vossa liberdade de volta? Boa sorte com isso. 

Hoje, pus a minha defesa no correio. E a primeira coisa que fiz quando cheguei a casa, às duas e tal da manhã, foi procurar as minutas de defesa, tanto para mim quanto para as minhas amigas. E para a miúda, dona do espaço. Não saí sem lhe dizer: não pagues multa alguma, espera um contacto.

E dei-lhe um abraço. Ao irmão dela também.

Porque é isto que as pessoas normais fazem: ser solidárias e afetuosas.

Quanto à polícia, não viverão ainda mais às minhas custas. Já pago impostos suficientes, eu e todos os portugueses, para sustentar a polícia. Se é mal paga, queixe-se ao Governo, em vez de extorquir os cidadãos.

Eu confio na justiça portuguesa, apesar de tudo.

Tive o melhor exemplo em casa e agora tenho um juiz que me inspira todos os dias. Obrigada, Dr. Rui da Fonseca e Castro. Deus lhe pague.

Os crimes de corrupção do Sócrates prescreveram, o gajo que roubou milhões ao país, o responsável pela crise de 2011. É clara a prioridade do PS e de quem escolhe para extorquir dinheiro.

Acrescento que ANTES da plandemia, António Costa substituiu todos os responsáveis pelo Exército, Forças Armadas e PSP, por boys da sua confiança.

Todas as forças de segurança, exceto a GNR e mesmo assim não tenho a certeza, estão nas mãos do Governo. A servir a política, em vez de servirem os cidadãos que juraram defender e proteger. Parabéns para vocês também.

  • Ana 13/04/2021 at 16:49

    Isabel,
    Eu aplaudo-a. Que bem que esteve. Nesta situação toda, a rapariga do restaurante teve a bênção de a ter lá a si.

    O mais engraçado é que eu só comecei a vir aqui assiduamente há coisa de dois meses. E vim com um olho aberto e outro fechado, porque em muitos assuntos discordo tanto de si. (Nunca comentei.)

    Em muitos anos de blogosfera, é um blog que só visito para saber se a autora está bem, ver que sim e ir embora por muito tempo. Desta vez adiei vir cá, por recear uma opinião completamente oposta à minha, escrita numa intensidade parecida com a minha. Mas como existe um carinho, precisava de vir vê-la, quem sabe ainda me ajudava a ver uma perspectiva nova. Afinal, acabou por ser quem me faz a melhor companhia nestes dias. Estou muito baralhada! haha Mas obrigada e força, 

    • Isa 14/04/2021 at 18:36

      ahahahah, obrigada eu :)

      A dona do restaurante disse-me isso, que gostaria de ver mais gente com coragem :) Mas na verdade foi mais forte do que eu. Eram so estrangeiros no espaço, a dada altura. Já morei fora, sei o que é não saber como funcionam as coisas, não aguentei. Mas acima de tudo fi-lo por mim e pelo coletivo.

      Volte sempre :)

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