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Baby Steps

20/03/2015

Padeço de TPMs agonizantes e destruidoras, a última quase me matou. Ao mesmo tempo, o meu inconsciente fazia antever uma revolução e das grandes na minha vida, só não sabia como. Vai daí, isolei-me do mundo, as horinhas que passei no Guincho não me chegaram, e emigrei para o Oeste por uns dias valentes. Eu, a natureza e um livro que tinha largado, mas que resolvi que lhe pegaria agora, decidida a acabá-lo. A sabedoria inconsciente não cessa de me surpreender… Tenho lido muito pouco desde que cheguei, faz-me falta, quando a confiança em mim fica abalada, porque a galera que mora na minha cabeça se pegou toda à chapada à minha revelia, o mundo externo cansa-me imenso e praticamente só confio nos livros.

Este foi-me recomendado como a Bíblia para as mulheres. Curiosamente, o capítulo que ia começar a ler falava precisamente de TPM e dores. E foi aí que descobri que, para além de precisar de resolver umas coisinhas na minha vida, tinha de acabar com os produtos lácteos se queria minimizar os efeitos da TPM e melhorar a saúde.

Nunca fui muito preocupada com isso, confesso, sempre tive uma saúde de ferro, raramente estou doente, apesar de não ligar nenhuma à alimentação e ter pouca ou nenhuma paciência para cozinhar, o intelecto dá cabo de mim. Mas tenho 43 anos e já não dá para brincar muito, sem obcecar quase nada. A incidência de cancro da mama em países em que não se consomem produtos lácteos é baixíssima, quando comparada com outros em que o consumo é elevado…

Ao ler o livro, sabedoria de mulher, corpo de mulher, comprei-o aqui, constatei a quantidade de erros que andava a cometer na alimentação e convenci-me mesmo que na alimentação, mais ou menos adequada, está a raiz de muito stress mental, a TPM é o melhor exemplo disso, fico verdadeiramente transtornada. Aliado com umas coisinhas aqui e ali é o diabo… Precisava, entre outras coisas, de resgatar de uma vez por todas a minha Deméter e começar a cuidar de mim a sério, acabando com comportamentos autodestrutivos, entre os quais compulsões várias, com comida incluídas. Já tinha deixado de fumar, sério, o cigarro electrónico não conta, mesmo, começado a fazer exercício, só faltava encarar a minha relação com a comida, que sempre foi um problema para mim. Todas as coisas que seriam boas para a saúde me soavam a chatas e sensaboronas, fora que precisava de ter a sensação de trincar e mastigar coisas, ao mesmo tempo que queria a saciedade quase imediata, o que me fazia perder a paciência para tudo o que implicasse muito trabalho. Foi a minha relação emocional com a comida que mudou, porque, obviamente, mudou algo na minha cabeça. Outras coisas que ela diz que também é preciso eliminar no caso de TPMs matadoras são os hidratos de carbono refinados, substituindo-os por integrais. Desta vez, não me assustou e talvez a revolução começasse por aí, e com um enorme grito de revolta, como todas as revoluções.

Enquanto estava no Oeste, comi um hambúrguer super gorduroso e o meu corpo reagiu imediatamente, mal, o que me deu a certeza de que estava a tomar a decisão certa, que confirmei hoje, com o que comi de manhã e a energia que me deu, sem precisar de beber café.

Vai daí, voltei para Lisboa e entrei no celeiro, com o mesmo ar dos bois que olham para palácios, não percebi nada daquilo. Mas já aqui estive a estudar e amanhã preparo-me para encarar todo um novo mundo de cenas ricas em cenas que fazem falta e que dá para misturar com tudo e mais alguma coisa. Agora só me falta comprar vegetais e frutas frescas e começar a tratar da saúde, literalmente. Ainda por cima vem aí o verão e o calor, o que torna tudo muito mais fácil.

Estou disposta a provar a mim mesma que tudo o que me faz falta existe noutros ingredientes e produtos, com o mesmo efeito, suprindo todas as minhas necessidades e carências. Porque tratar do intelecto sem tratar do resto, mesmo fazendo exercício físico todos os dias, dá-me imensas dores de cabeça e algum nervoso miudinho.

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