Beleza poética

18/12/2017

Na minha ida semanal às compras com mamãe, tenho-me encantado com as flores expostas à saída do Pingo Doce. Ao contrário da fruta, que, independentemente da época, podemos encontrar a que que quisermos num qualquer supermercado de esquina, é a modernidade, as flores permanecem fieis à sua essência e só despontam quando é a época delas.

Estou cada vez mais convencida de que as coisas podem não vir como as esperamos, queremos que viessem, mas vêm certamente da forma que têm de vir. Se não formos rigorosos, de vistas curtas, se soubermos render-nos a uma sabedoria maior do que o ego, a sabedoria total.

E não é uma questão de positivismo, de tentar tirar o maior partido, de ver coisas onde não existem. Mas de plenitude.

Um olhar artístico que se sobrepõe à rigidez e ao olhar crítico do ego

Mesmo numa experiência que aparentemente não satisfaz, nos perturba de alguma forma, há sempre alguma coisa que a faz valer a pena e que está longe do racional, do tentar não lidar com a perturbação, do podia ser pior, que é argumento que me tira do sério.

I began to notice that each moment was not without its beauty

Artist’s Date 346/365 – Visit a Plant Store (15 Dez.)

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Lembro-me quando voltei do Brasil, seis anos depois de ter visto a última primavera a explodir na minha cidade, de me encantar com a quantidade de flores que apareceram em todos os cantos, de um dia para o outro.

Nos canteiros da Gago Coutinho, nos arbustos da Segunda Circular

Em lugares onde a profusão de fumos tóxicos dos carros diria que jamais alguma flor pudesse subsistir. E no entanto elas lá estão, coloridas, perfeitas.

A natureza sabe o seu caminho, o seu lugar. Nós, meros mortais, insistimos em defini-lo com a cabeça, em vez de deixarmos que corpo, coração e instinto tenham também uma palavra a dizer.

Artist’s Date 347/365 – Go to the Botanical Gardens (16 Dez.)

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Para tal, é preciso entrar num estado regressivo da consciência. Na psicologia diríamos, um estado de rebaixamento do ego, como acontece quando dormimos, ou entramos em vivência, na linguagem da Biodanza. Ou distrairmo-nos com alguma coisa, para que respostas venham exatamente de onde têm de vir, do Self. 

Stand knee-deep in the low of life and play close attention

Artist’s Date 348/365 – Buy a Houseplant (17 Dez.)

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Brighton, 1989.

Artist’s Date 349/365 – Decorate a backpack (18 Dez.)

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