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Cada um é pro que nasce III

08/08/2013
Custa-me, no entanto, imaginar que não passarei pela experiência de gerar um ser humano, não o sentir formar-se dentro de mim, não deixar um gene, não sentir esse amor incondicional e divino que só se deve sentir por um filho. Não sei se terei filhos, o mais provável é não os ter. Fiz essa escolha, inconscientemente, mas fiz. Assusta-me imenso a responsabilidade de um filho, não ser só eu, ter alguém a depender de mim a 100 por cento, que me prenda a um lugar. A estrutura que um filho implica, Deus me livre. Se pensar nisso racionalmente, não quero. Nem sequer me imagino. Mas ficar aquém desse amor, independentemente do meu amor pelos meus sobrinhos, de sangue e os outros, da magia desse amor gerador, que não irei sentir, custa-me um bocado. No entanto, se por acaso acontecer, jamais me passaria pela cabeça não tê-lo. Apesar de achar que me iria atrapalhar imenso a vida. Nunca me imaginei com filhos. Com um gajo sim, mas não com filhos, crianças. Mas aí penso no Natal e espero que a família que formar e conquistar seja enorme. E haja imensa gente à mesa, provocações básicas, gente que constrange gente, gajos que bebem demais, crianças com birras de sono, cigarros fumados ao frio, tinto português, papéis de embrulho amachucados e eu a lembrar-me da minha mãe a apanhar fitas de presentes para usar no ano que vem. Durante anos não comprámos fita de presente cá em casa. Não há nada mais triste do que um Natal solitário. Um Natal sem alguém para chamar de nosso. Deus me livre.    

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  • Ana 09/08/2013 at 00:02

    É isso. É tudo isso.

    • Isa 09/08/2013 at 00:09

      :)

  • Ana 09/08/2013 at 02:16

    Curiosamente, não me custa nada imaginar-me sem passar por essa experiência. Acho que sempre foi uma escolha racional e emocional. Racional, por todos os motivos que apontas e mais alguns. Emocional, porque nunca senti esse desejo, nem me imagino a desempenhar esse papel, nem com estruturas para tal. Posso mesmo dizer que se tal me acontecesse (deus me livre e guarde, e bato na madeira três vezes!), não pensaria duas vezes, e não o teria.

    • Isa 09/08/2013 at 11:10

      tm nc me imaginei, sequer me vi, nesse papel…

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