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Cambalhotas

31/08/2017

Ao contrário do resto, quando se tratava de atividade física, preferia mil vezes os desportos em equipa do que as atividades solitárias como a ginástica ou atletismo. Joguei basquete e vólei fora das aulas de educação física e quando chegava ao trimestre da ginástica era o diabo. cambalhotas

Pino, só dentro de água.

Nem contra a parede me safava. Já para não falar em mortais, flic flacs, pontes de pé e sei lá eu que mais se fazia. As rodas ainda tentava, uma coisa mal amanhada, naquela fase em que as miúdas passam metade do tempo de existência de cabeça para baixo e pernas para o ar. Nem naqueles brinquedos de ferro que as miúdas usavam precisamente para se pendurar de cabeça para baixo punha os meus pézinhos.

A única coisa que conseguia fazer eram cambalhotas para a frente

Para trás também não dava.

Mas lembro-me com muito amor e carinho de um exercício para nota que fiz no colégio, devia ter uns dez anos. Tínhamos de fazer a ponte partindo da posição de pé, contra a parede ou não, e se conseguíssemos, tínhamos 3, se nos levantássemos da posição, 4.

Nunca pensei na segunda parte.

Preocupava-me apenas com conseguir fazer a ponte contra a parede, serviços mínimos, para ter a nota mínima. Não era muito proporcional e nada flexível. Treinei em casa contra a porta da rua durante vários dias e consegui. Chegou o dia da prova e eu lá a fiz. Estava com as mãos no chão, preparada para me largar, e ouço um: vai… muito baixinho. Até hoje não sei quem foi. Comecei a pôr as mãos na parede e a subir até conseguir equilíbrio suficiente para me manter de pé, garantindo assim o 4.

As minhas coleguinhas começaram todas a bater palmas de forma absolutamente expontânea.  Tenho ideia que foi a primeira vez que me comovi com uma manifestação de amor.

Artist’s Date 240/365 – Turn a somersault

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