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Carl Gustav Jung explica…

14/07/2011

Uma vez li um livro de um gajo que se diz psicanalista, ou de uma senhora que se diz psicanalista que segue a linha do tal gajo, eu meto-me em cada merda que só vos digo, que, o livro inteirinho, atribuía tudo à inveja. Tudo.

A verdade é que é muito mais fácil atribuir tudo à inveja. Ao fazermos isso, deixamos de olhar para nós com olhos de ver. E andamos prá frente, acreditando que somos bons, os maiores, até, e que os outros queriam era ser como nós. Ora, isso não só é de uma megalomania absurda como é ridículo e infantil. Quem somos nós para acharmos que somos dignos da inveja alheia? Porque raio de carga de água não só nos achamos melhores do que os outros como ainda por cima achamos que toda a gente quer ser como nós, ou deveria querer…

Todos nós, todos, temos uma persona – alguns gostam de lhe chamar máscara, isso queriam vocês, a persona faz parte de nós, e de vocês também – um ego, enooooorme, uma sombra e um Self. E temos mais umas coisinhas, mas isso fica para outras núpcias. [Jung]

E o que nos traz aqui é então, isso mesmo, a sombra. A sombra é tudo, tudo, tudo o que nós não reconhecemos em nós e, por isso, nos irrita nos outros. Ou nós o projetamos nos outros.

Pense numa figura que o irrita, que lhe causa repulsa. Pense no que é que o faz reagir aos gritos, falar mais alto, discutir. Continuar a discutir, insistir na discussão e partir pro insulto. O que o irrita está dentro de si e você não o reconhece. O que o faz insistir, e insultar, ridicularizar…, é o seu ego.

Por exemplo, uma figura que me dá nos nervos é a Paris Hilton, porque é uma gaja que não serve pra nada. Alguma coisa da Paris Hilton eu tenho em mim e não reconheço…

Detesto pessoas escandalosas, que fazem barulho, que gritam no meio da rua. Detesto. Porquê? Porque eu reprimo a minha vontade de gritar. Principalmente a discutir. Reprimo muito e isso faz-me um mal terrível. E já me descontrolei duas ou três vezes na vida. E morri de vergonha. Morri. Eu gosto de acreditar que sou civilizada (persona)…

Esta brincadeira do mais que a pipoca, por exemplo, a Pipoca irrita-me, mas não é porque tem um marido chamado arrumadinho, porque tem malas carolina herrera, ou por causa de outra idiotice material qualquer. Eu sou um ser superior, há muito que caguei nessa merda dos bens materiais. A Pipoca irrita-me, e obviamente não é a Pipoca, que não a conheço de lado nenhum e se calhar até é boa mocinha, é o que ela representa, porque ela personifica a futilidade, é essa personagem que ela criou no blog dela, porque ela personifica a feminilidade. E eu nego essa feminilidade em mim, reprimo-a com todas as minhas forças (sombra). Desde muito pequenina que enfiei na cabeça que se alguém me admirar, gostar de mim, e tal, é pela minha cabeça, pelo meu jeito, pela minha postura (gajas a queimar sutiãs pela causa e tal). E quando se trata de gajos, eu não vim a este mundo para enganar ninguém, é também por isso que não me maquilho, porque o gajo que gosta de mim, gosta de mim como eu sou, não disfarçada de paleta da Robialac. E vou-vos dizer, eu não sou nenhum camafeu. Na verdade, sou gira de doer, mas as relações não se mantêm porque nós somos giros, mantêm-se por outros motivos, imensos, que não se prendem, juro, com corpo. Ou não deveriam, e aí é que está, eu não quero que elas sequer comecem por aí, muito menos que se mantenham por isso, ou por qualquer outro fator externo. Eu recuso-me a ser mulher troféu.

Esta brincadeira do mais que a pipoca é, também, porque eu acho mesmo que a felicidade não está em comprar o que quer que seja, em vestir o que quer que seja, esta é uma das minhas mais profundas convicções. E que anda meio mundo enganado com essa merda do consumismo desenfreado. Mas também acredito que cada um sabe o que melhor lhe assenta, que cada um leva a vida que quiser, lê o que quiser, imita quem quiser, aconselha-se com quem quiser. Eu sou adepta da terapia na veia, mas enfim, cada um com o seu cada um, cada um no seu tempo, cada um na sua.

Então, quando esse povo se põe praí a gritar que as pessoas têm inveja é bom que não caiamos nisso, isso é das maiores falácias do universo. E é em si que o universo vai bater, pode crer…

Quando você escreve um post raivoso, nervoso, apoplético sobre uma coisa qualquer e condena a atitude de alguém, você não só é igualzinho a essa pessoa como acha que não é (sombra) e ainda se acha melhor (ego).

Quando nós entramos numa de ir corrigir o outro, ir ao seu blog dizer-lhe que outro dia era assim e agora é assado, quer dizer que não só nos falta um tanque de roupa para encarar, ou seja, temos pouco que fazer, como nos achamos superiores, achamo-nos no direito de elucidar o próprio e todos os outros 3000 desgraçados que lêem e comentam o blog que andam todos enganados, tá provado que esse gajo (ou essa gaja…) não é nada daquilo que diz que é. O que é mentira e é verdade, ela também é aquilo, mas não é só. Aquilo é só o que ela resolveu que quer mostrar ao mundo, a persona…

Quando nós ridicularizamos o outro, o que quer que seja que estejamos a ridicularizar está em nós, e não só não o reconhecemos como nos achamos superiores ao outro por não sermos assim. Além disso, é uma postura de quem acha que sabe o que é melhor para os outros, apenas porque funciona para si. Só que, meus caros, as pessoas têm o direito de viver como quiserem e viver na ilusão, na descrença, na crença, na mentira, na amargura, na leveza, na futilidade, na aparência, e tal e tal é um modo de vida como outro qualquer. É uma escolha e é uma escolha consciente…

O objetivo de olharmos para a nossa sombra não é tornarmo-nos perfeitos, porque perfeitos somos com defeitos e qualidades, com remelas e pêlos nas pernas, com mau humor e sensibilidade. Nervosos, apáticos, sensíveis e mal dispostos. E giros, simpáticos, de bom humor e bem dispostos. Pró-ativos e destemidos, medrosos e inconsequentes. Inseguros e carentes, auto-confiantes e silenciosos. O objetivo é aceitarmo-nos como seres falíveis [e é isto que a gente não aguenta…], com defeitos, com coisas que não conseguimos superar. O objetivo é aceitarmo-nos. Ponto.

E enquanto usarmos e abusarmos do ego, não reconhecermos a sombra, o Self, o nosso euzinho mais autêntico, não aparece. Não que o ego desapareça, graçadeus, mas ele, no limite, não deve prevalecer. Nem a sombra, que também não desaparece nunca (trazemos umas para a luz e outras vão aparecendo na escuridão), mas com quem vale a pena o contacto, é deveras libertador…

Nós somos tudo isso, a persona, o ego, a sombra e o self. Se os conseguirmos compartimentar, ou seja, se nos convencermos de que não somos só Persona nem ego nem sombra, a vida fica mais facilitada.

E é dessa luta, não do rochedo com o mar mas do ego com a sombra, que somos feitos. É com consciência deles que escolhemos quem queremos ser. Que o Self salta da caixinha e grita: surpresa! E, garanto, é uma ótima surpresa…

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