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Celebração

04/12/2017

Tenho a sensação de que em Portugal se celebra pouco. Que as coisas boas que nos acontecem não são mais do que a nossa obrigação e que as ocasiões de celebração são assinaladas mais para cumprir protocolo do que propriamente para festejar. É quase uma vergonha, comparativamente com o Brasil, onde nem sequer é precisa uma desculpa para comemorar. Arranjaram até um verbo para isso: bebemorar…  celebração

Talvez esteja ainda impregnado no inconsciente coletivo português que é no sofrimento que está a virtude. E a celebração seja pecado…

Eu, em particular, apesar de não cultuar o sofrimento, gosto pouco de festa. E gosto menos ainda quando sou a protagonista, apesar de estar muito mais confortável do que já estive quando é à minha volta. Ainda que bem disposta, sou mais intimista, gosto da coisa mais privada.

Mas às vezes tenho pena

Principalmente quando vejo as pessoas todas felizes a fazer grandes festas, com grandes comemorações, como quando assinalam passagens de décadas.

Tinha um tio que era assim, gostava dos prazeres da vida e não se furtava ao melhor do mundo quando se tratava de celebrar. Apostava na qualidade e jamais faltava em quantidade.

No dia em que celebramos a vitória contra os espanhóis enquanto nação, a mulher dele, irmã do meu pai, completou 80 anos. Os meus primos resolveram convidar a família toda para uma almoçarada. A família toda são mais de 50 pessoas e vem de todos os cantos do país. Éramos 45, faltaram muitos, por contingências da vida, por não morarem em Portugal e por já cá não estarem. Foi uma surpresa, a minha tia com cara de menina só sabia que ia almoçar com os filhos e netos.

Sentimos e chorámos a falta dos ausentes, foi a primeira vez que reuni com a família do meu pai sem ele cá estar e achava que já tinha chorado tudo o que havia para chorar. Ledo engano. Mas, com uma família destas, jamais estarei só.

Celebrámos à grande

O convite havia chegado por whatsapp e de viva voz. Eu comecei a beber à uma da tarde e só parei às três da manhã. Chorei, ri e cantei.

O Ouriço, dizem que a discoteca mais antiga do país, nunca mais será o mesmo… Percebi, entre outras coisas, onde, como e quando posso estar em público sem que a minha introversão se encontre ameaçada. Estava entre os meus, queria lá saber do resto das pessoas. E os nossos pais estão muitíssimo bem representados por três belas divindades.

As fotos, e principalmente os vídeos, estão proibitivos. Acordei assim, com esta vista deslumbrante.

Artist’s Date 335/365 – Make Party Invitations

Camiões e Papagaios

03/12/2017

Isto está a chegar ao fim e eu não ando com muita paciência, apesar de continuar a encontrar o artista todos os dias. Daí que havia de chegar o momento em que não tinha como dar a volta a um date. É o caso em apreço. Não me safo pelo desafio nem pela frase que o ilustra. Posso apenas dizer que há toda uma cultura de camiões nos EUA. Quando fui de São Francisco para LA e fiquei uma hora parada na estrada, era vê-los, enormes, pareciam árvores de Natal. Aqui, quando muito, um calendário da Pamela de mamas de fora.  

Artist’s Date 331/365 – Decorate a truck

Idem para o que me diz para fazer um papagaio. Pipa, no Brasil. Há de haver poucas crianças que não o tenham feito lá, soltá-las. Há inclusive avisos para as largarem se acaso ficarem presas em fios de alta tensão, para a criançada não correr o risco de eletrocussão.

Artist’s Date 332/365 – Make a Kite

If it wasn’t too late I’d… aprenderia ballet.

Artist’s Date 333/365 – Embroider a pair of jeans Ler Mais…

Narcisismo

29/11/2017

São vários os desafios que têm esta figura como sujeito. Quando fui procurar imagens ilustrativas, deparo-me com a associação a narcisismo, que era a única palavra que me ocorria para ilustrar a original, crazymaker, em inglês. narcisismo

Crazymakers care about nobody else’s schedule but their own

Sabemos que há diversos graus e que todos somos um bocadinho narcisistas, se pensarmos nas nossas necessidades em primeiro lugar (as dos filhos menores estão fora da equação). O que não é errado, pelo contrário. O exemplo dos aviões é bom, só podemos dispor-nos a ajudar quando já temos a máscara de oxigénio e o colete salva-vidas. É simples, caso contrário, só iremos atrapalhar. O que é diferente de desconsiderar por completo as necessidades do outro. Ou passar por cima delas.

Aqui, Cameron refere-se ao narcisismo patológico.

Como o que é descrito na imagem do lado. E que tem várias caras. Mas provoca o mesmo efeito.

Artist’s Date 329/365 – Decorate your pet’s dinner dish

Dependendo do modelo que conhecemos, o narcisista pode apresentar-se agressivo ou galante. Respondemos ou repudiamos o estímulo dependendo da referência emocional inconsciente que temos. E do que fizemos com ela. Se a imitamos (ou seguimos), se escolhemos o oposto.

Se o agressivo e violento é o mais óbvio e pode ser perigoso, apesar de haver uma certa cobardia associada, por poder não chegar à violência física, mas a agressão emocional estar sempre, sempre garantida, o segundo é mais ardiloso, menos óbvio. Por isso, pode levar mais tempo a receber uma guia de marcha para o diabo que o carregue. As falinhas mansas, as ensaboadelas no ego, a prosa fácil – claro, não há qualquer responsabilidade nas suas intenções – envolvem de um jeito aparentemente afetuoso que confunde com grande eficácia as suas vítimas. Que se perguntam como pode ser um escroque quem aparentemente as trata tão bem. Mas que as abandona, as usa a seu bel-prazer, as controla com promessas que sabe que não vai cumprir, as domina e as confunde o tempo todo. Levando-as a ter ataques de fúria ou de qualquer outra coisa de tão descontroladas que este tipo de manipulação absolutamente doentia e até perversa as deixa. Um narcisista nunca, nunca assume responsabilidade por nada.

Nada de bom pode vir de alguém que te confunde o tempo todo.

Mesmo considerando a hipótese de as melhores peças de literatura e de arte em geral virem do sofrimento, ambos os tipos são perniciosos e prejudiciais ao artista em nós. Porque não o alimentam, o nutrem, pelo contrário, usurpam-lhe toda a força, a energia, a criatividade que lhes resta para a sua causa: um ego desmesurado. Mesmo quando não é óbvio, claro, específico. É o estado mental da vítima deste tipo de comportamento que se torna incompatível com a disponibilidade para a criação. Porque uma das consequências deste tipo de relação para quem é vítima de manipulação, confusão, controlo, é o pensamento obsessivo. Que não deixa espaço para mais nada, esgotando assim a criatividade que pudesse subsistir.

Mudá-los não adianta. O que adiantará é descobrir o que é alimentado interna e emocionalmente por aquele tipo de personalidade. E tratar de corrigir a rota o quanto antes.

Crazymakers create storm centers, they sap your creativity.

Artist’s Date 330/365 – Make home made soup.

Holder

27/11/2017

Melhor que uma coisa para segurar paus de incenso é este coiso. Põe-se o pau de incenso num daqueles buracos e a cinza cai diretamente lá para dentro, em vez de sujar tudo. Reciclar, dar novos usos a coisas que já existem é uma das formas mais ricas e úteis de criar. Vivemos cheios de coisas, chega de coisas…
Artist’s Date 328/365 – Find a new incense holder

Natal

26/11/2017

Esta ideia bem gira para fazer presentes personalizados. Promete trazer a pessoa amada na hora. Adoraria. Mais do que o valor monetário, é o tempo dedicado à causa e a criatividade envolvida que me encantam. Horas a pensar em mim, a dar o melhor de si para me fazer um presente. Não há maior nem melhor do que o tempo e disponibilidade dos que nos amam. Quem ama tem todo o tempo do mundo para o que é importante, estar e ficar.

Artist’s Date 326/365 – Make a X-mas present

O único cântico de Natal digno desse nome

Artist’s Date 327/365 – Sing a X-mas Carol

Nirvana

24/11/2017

Um dia destes, fui a um templo budista e comprei um dos terços lá deles, não sei como se chamam. Tinha deixado de fumar havia pouco tempo e passar as contas entre os dedos ajudava a aliviar a ansiedade. Obviamente, escolhi o mais colorido. São os voluntários do templo que os fazem, conta a conta. Usei-o no pulso até a linha se desfazer e não nirvanaconseguir mais unir-lhe as pontas. Estive até agora para conseguir arranjá-lo.

Mais uma vez, foi a Tiger que me salvou. Estou convencida que os gajos leram o livro, até papel de Origami lá têm para vender.

Comprei arame para o efeito, por achar que era a única forma de juntar as contas sem ficar ceguinha ou apanhar um camadão de nervos a tentar enfiá-las numa linha. Foi uma brilhante ideia.

E fiquei a saber o quão fácil é atingir o Nirvana

É só pormo-nos a fazer terços. Ele há bolas com os buracos mais estreitos do que outras, daí que três tiveram de ficar de fora. A vantagem do arame é que não tive de dar um nó entre cada duas bolas. Juro, é assim que os gajos fazem isto. Devem ter pouco que fazer lá no templo. E foi assim que ganhei um terço novo. Agora só tenho de fechar bem o arame não vá furar-me uma veia e esvair-me aqui em sangue, não chegando ao Natal.
Artist’s Date  325/365 – make something out of beads Ler Mais…

Ego, Planetário, Aquário.

21/11/2017

Foi exatamente o que percebi há muito. Quando cheguei aos 7 km de corrida e me dei conta, por mim e por outras pessoas, que a corrida tinha perdido parte da piada. Ou melhor, que a obsessão mais quilómetros, menos tempo me tinha tirado o gozo, tornando-se evidente a pulsão do ego, muito mais do que uma pulsão por exercício físico, conexão, prazer.

E que quando o ego está satisfeito, desconsidera tudo o resto.

A minha prioridade sempre foi a satisfação da alma acima de qualquer coisa. Alma é totalidade, ego é esquizofrenia de poder, falsa sensação de segurança e de prazer. Voltar a caminhar deixou isso claro como água. E ego em demasia, inclusive, embrutece e emburrece as pessoas. (The footrace mentality is always de ego’s demand to be not just good, but also first and best).

Artist’s Date 322/365 -Make X-mas Ornaments

Estrelas que piscam no mar. Privilégios do caminhar.
Artist’s Date 321/365 – Go to a Planetarium

Artist’s Date 320/365 – Visit an Aquarium

Piano

18/11/2017

O piano é o meu instrumento musical preferido. E tenho imensa pena de nunca me ter dedicado a aprender a tocá-lo. piano

Para evitar que o monstro acorde, para me concentrar, para me acalmar, para me focar, para me conectar. Piano. Tenho no Spotify uma playlist de 35 horas só de piano. Que alterno com a Stacy Kent sempre que a agitação do pessoal que mora na minha cabeça é tal que não consigo ouvir música com palavras, por, à mínima coisa, me desconcentrar. Por isso, em vez da música indiana, não tenho muita paciência, respondo à pergunta e ponho em prática a minha preferência.

Artist’s Date 319/365 – Go Hear Indian Music

Lisa Eldridge

17/11/2017

Uma das pessoas públicas femininas que mais me inspira é a Lisa Eldridge. Uma artista da make up que me foi “apresentada” por uma leitora, depois de perceber o meu drama com os pincéis e respetivos tamanhos e utilidades, entre outros.

A Lisa é a artista que mais e melhor maquilha celebridades, britânica, como não poderia deixar de ser. Publicou um livro que ainda não perdi a esperança de obter, mais pelo valor artístico e pela história da make up do que propriamente pelo tema em si. Somos mesmo nós que fazemos os temas, que já existem, é a nossa abordagem que faz a diferença. E mantém uma humildade e uma permanência nas redes sociais digna de nota e admiração. Por ser fiel a uma postura humanista e humanizada, ao continuar a chegar, todos os dias, a pessoas que não podem aceder aos seus serviços. Sem alarde, auto-promoção, disfarce, sem a usar em benefício do próprio ego.

O date de hoje é com ela. Ao que sei, não se dedicou à Kabuki makeup. Mas ensina a fazer smokey eyes matadores, para todos os gostos.

Artist’s Date 318/365 – Try Kabuki Makeup

Feminismo à medida

16/11/2017

Porque o feminismo é o que uma mulher quiser, e tem múltiplas faces, dates vários para todos os gostos. Femininos e feministas.

Primas Corleone in Da House

Artist’s Date 314/365 – Wear Paint a Silk Sarf (13 Nov.)

*

Mais simbólico do feminino do que uma floresta é difícil.

Na impossibilidade de lá me deslocar, gamei a foto à Lisboa Live. Fica em Sintra, uma das mais bonitas florestas que conheço, que inspirou Byron e Andersen. E a mim – com esta linha de comboio para a praia das maçãs – desde que me conheço. Somos senhoras da floresta, da natureza e da magia. Somos as netas das bruxas que o patriarcado não conseguiu queimar. E não precisamos que ninguém nos diga como ser feministas e femininas. Isso é controlo, que é precisamente uma das mais torpes características do patriarcado.

feminismo
Artist’s Date 315/365 – Walk in the Woods (14 Nov.)

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