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Livre

Boys & Girls

20/07/2021

Sendo nós, Boys & Girls, tão diferentes, a perpetuação das espécies continua, para mim, a ser o mais insondável mistério do Universo.

Como sobrevivemos tanto tempo?

Since masculinity is defined through separation while femininity is defined through attachment, male gender identity is threatened by intimacy while female gender identity is threatened by separation.

Viver é uma esquizofrenia…

Aguentar casamentos, sem viver uma miséria emocional nem fazer da vida do outro um inferno, o maior dos desafios.

Adoraria, not sure I was ever up for the challenge.

Mesmo depois de ver um vídeo feito pelo meu irmão mais novo, sobre mais de 40 anos de vida em comum dos nossos pais.

Que me comove até aos ossos, ainda que o tenha visto dezenas de vezes.

Uma sucessão de fotos dos dois, acompanhada de uma música que conta histórias com rugas no rosto.

Como: ou era para toda a vida ou não me daria ao trabalho; ou o gajo estava à altura ou não trocaria liberdade e independência por vida familiar, é o que temos.

Ler

27/06/2021

Tinha saudades de ler em português, quanto mais leio, melhor e mais fluido é o que escrevo. Vai daí, comecei a ler o Diário da Peste, do Gonçalo M. Tavares. Recomendado pelo João Miguel Tavares, uma noite destas, no Governo Sombra, que vejo mais para matar saudades do RAP do que por outra coisa qualquer. Todos uns vendidos, JMT, o menos vendido de todos. E CVM nunca me enganou. O livro era recomendado com um aviso: não ler tudo de uma vez, por ser pesado. Comecei e não parei mais.

Prefiro fazê-lo a ver o jogo da Holanda contra a República Checa.

Estou velha, recuso-me a chamar outro nome aos dois países que agora mudaram a sua identidade, como fazem os esotéricos. Admira-me que não escolhessem nomes de flores, em vez de Países Baixos ou Chéquia, que nome horroroso, valha-me Deus… E não obriguem os seus cidadãos a dizer gratidão em vez de obrigada.

O meu pai nunca chamou INATEL à FNAT, talvez fosse um idealista, como eu.

Ando cansada, a precisar urgentemente de férias, com sono e dores de cabeça todos os dias. Espero que seja por excesso de ecrãs, e não por causa de um tumor qualquer no cérebro. Não me apetece morrer já.

O cansaço típico dos introvertidos*

São demasiados estímulos durante o dia. Visuais, sonoros, demasiada gente durante demasiado tempo. Não vejo a hora de me mudar para o Alentejo. Já não tenho medo de ser uma velha solitária, que vai alugar os ouvidos das senhoras da farmácia por falta de companha, de ter quem me ouça e me abrace nos intervalos do desespero, da desilusão, da queda de um ideal.

Ideal de ego

Hei de vir aqui um dia falar disso.

Foi por um bom motivo, hoje, os sobrinhos que vejo de 15 em 15 dias e o viajante que voltou finalmente para casa. Mas os bons motivos não me mudam a natureza. Cheguei aqui e nem o jogo da bola consegui ver.

Não consigo mais escrever sentada à secretária, a olhar para o mar.

O trabalho de todos os dias acabou-me com o espaço da criação. Filhos da puta… Faço-o na chaise longue cor de laranja, que comprei para substituir o sofá de ferros. Dividi a sala mínima ao meio e este é agora o meu espaço de criação, entretenimento, diversão.

Até ir morar para o Alentejo, numa casa com uma sala enorme, um espaço aberto, tipo loft, com um mezanino, o farol possível, onde só eu entrarei.

Não são só os estímulos externos que me dão cabo da cabeça, me deixam os olhos pesados e num humor infernal. O meu inconsciente anda há uma semana a processar esse tal de ideal de ego, não posso infelizmente dar-me ao luxo de parar de trabalhar, e toda a minha energia física é sugada para esse nobre propósito, o de me permitir continuar. Para tal, tenho de deixar o inconsciente fazer o seu trabalho, no seu tempo, só então poderei voltar ao que vocês chamam vida.

Ninguém se-lo permite no Ocidente.

Onde as pessoas se definem pelo que fazem, a atividade tem de ser frenética, as mãos ativas e a cabeça deve manter-se ocupada. Como se o inconsciente não a ocupe que chegue. Contrariando instintos básicos de sobrevivência, forçando vontades, desejos que não se sentem e forças que se não têm.

Nem para a bola tem havido cabeça

A bola dos outros, bem entendido. Demasiados ecrãs, luz falsa, estímulo mortal. Mas terá de havê-la para voltar a correr. Deixa-me de bom humor, os músculos a doer e um rabo digno desse nome.

*Nem de propósito

Sex/Life

26/06/2021

Nunca sigo as “sugestões para ver agora”, da Netflix. Algum dia haveria de ser, aconteceu precisamente com Sex/Life.

O título é estúpido, ainda que, numa análise superficial, retrate a série.

No entanto, sabemos que o sexo, tal como tantos outros símbolos de poder e satisfação, é apenas isso, um símbolo. Algo maior se esconde por detrás dessa necessidade, desse desejo, dessa fonte de prazer.

O título Sex/Life implica uma escolha, abdicar de um em prol do outro.

Tão estúpido quando impraticável.

Também é estúpido porque a vida (Life) não é necessariamente o que a protagonista vive. Ainda que essa seja a escolha da grande maioria da população: casar, ter filhos, “assentar”. Como se fossemos todos iguais, quiséssemos as mesmas coisas. Como se esse fosse o desejo e a vontade de todos quantos moram na nossa cabeça. Se, com essa “estabilidade”, todas as outras vozes se calassem, as vontades se aplacassem, os desejos se silenciassem, conseguíssemos matar partes de nós.

Tempos houve em que as mulheres não tinham escolha. Sem pagarem um preço trilhardário por isso, a sua reputação fosse arruinada e a sua vida destruída. Hoje têm, ainda que o preço continue a ser alto… O que muitas não têm é essa coragem, essa força, essa determinação, essa convicção.

A vida é emoção e razão, cabeça e coração, aventura e calmaria, tormenta e bonança.

Comecei a ver ontem à noite, por mero acaso, e só descansei quando acabei, hoje, por volta da hora de almoço.

É viciante, não só pelo sexo incrível.

Todo voltado para o prazer feminino. Aliás, adorei essa parte, uma série protagonizada por uma mulher, de carne e osso, com desejos, fantasias, vontades, que não morrem depois de ter tido filhos.

Também não o é por causa de Brad, o rebelde de sorriso irresistível e sotaque quase perfeito.

Mas por retratar tão bem o tormento psíquico, e a falta de controlo a ele associada, sempre que o passado nos invade o presente e ameaça a vida de todos os dias, chata, sem emoção, aventura, arrepio na espinha e brilho nos olhos.

A vida funcional, segura, mas nada criativa.

Atrevo-me a dizer que sem criação não há vida, não uma digna desse nome, pelo menos.

Sonhadora e idealista, só ando aqui pela magia.

E quem não teve, ou tem, fantasmas do passado a visitá-la no presente, doidos para que os façamos sentir vivos outra vez, na segurança do marasmo do casamento de 20 anos e dos filhos adolescentes. Garantida a segurança e a estabilidade, por vezes, nem um trabalho novo, uma recolocação, uma mudança radical de vida e ainda mais poder satisfazem esse desejo tão humano de nos sentirmos vivos, cheios de energia, heróis, como se tivéssemos 30 anos outra vez. Ou 20…

Sem o corpo perfeito, muito menos imaculado.

Mesmo que, aos 50, as nossas aventuras tenham necessariamente de ser outras, que vamos descobrindo ao longo do caminho, ainda que a vontade seja sempre a mesma, a de nos sentirmos vivos.

Sentimo-nos vivos de formas diferentes, é para isso que serve o autoconhecimento, para sabermos exatamente o que nos faz sentir vivos sem nos destruir.

A série é tão boa, retrata tão bem o dilema, que vou vê-la outra vez, já de seguida.

Escrever noutra língua

23/06/2021

O problema de escrever noutra língua, mesmo para quem escreve, fala e trabalha o dia inteiro num idioma que não é o seu, e, quando acaba o dia de trabalho, ainda lê nessa língua, é não a sentir.

Ouço, escreve e falo inglês todo o santo dia.

O meu mercado de trabalho é o do Reino Unido, ainda por cima, o meu inglês preferido. E, ultimamente, tenho lido mais em inglês do que em português, infelizmente. O que faz do meu inglês mais rico e do meu português temporariamente mais desfalcado e menos fluido. Além disso, estou em contacto com alguns amigos com quem me comunico em inglês. Por isso, alguns textos têm saído, naturalmente, nessa língua. O livro que estou a escrever é, também ele, na língua de Shakespeare.

Sou das palavras

A minha formação original é em tradução, tenho por isso uma obsessão profissional pelo significado exato das palavras. Porque a expressão é uma prioridade e a forma como melhor me expresso é a escrever, essa obsessão é, também, pessoal.

Num primeiro momento, não me preocupo muito com as repetições, mais frequentes quanto menor é o vocabulário.

O importante é a expressão. O polimento vem depois.

Acontece-me muito estar a escrever, o fluxo de consciência bom e a recomendar-se, e saírem-me expressões, alojadas num canto inacessível da minha cabeça, diretamente para o papel. Já devo tê-las ouvido numa música ou num filme, ou lido num sítio qualquer que a minha consciência não registou, e por isso não as reconhece, recebendo-as com surpresa, mas o meu inconsciente sim.

Não as reconheço, só sei que me soam bem.

Uma busca rápida nas dezenas de dicionários online, cujos links guardo com o fervor de uma devota, ou mesmo diretamente no motor de busca, confirmam-me se a expressão é aquela e se quer dizer exatamente o que pretendo.

Adoro quando acontece

Quer dizer que existe uma ligação emocional àquela palavra ou expressão, que, se sai sem esforço e ainda por cima do inconsciente, é porque consigo senti-la.

Com a cabeça, o coração e a alma.

Podemos ter preferências por certas palavras, a forma como soam quando as dizemos, ouvimos e no-las dizem ao ouvido. Mas só seremos bem sucedidos a escrever noutra língua quando, além de conhecermos o significado das palavras, conseguimos senti-las verdadeiramente. Saber quais são adequadas num determinado contexto. Desaconselhadas, de mau gosto ou até mesmo proibidas. Que impacto o seu uso tem na cultura específica daquele local ou classe social.

Jamais me atreveria a tentar publicar o meu livro sem que fosse revisto por um nativo.

Por sabê-lo muito mais pobre do que seria, se acaso fosse bilingue e morasse na Escócia. Por outro lado, quem o rever não sabe o que quero transmitir, não sente o que eu sinto, não conhece a minha história.

Podemos tentar explicar o sentido de uma palavra ou expressão, aconteceu-me isso com as tradutoras dos meus dois primeiros livros. Mas a literatura está na tradução da palavra pela palavra correspondente noutra língua, não pela sua explicação.

As explicações entram no campo da razão, da cabeça, a literatura fala outra linguagem…

Scots

14/06/2021

Was watching the Scots playing against Czech Republic for the Euro 2020, listening to the Portuguese reporters’ comments on the Scottish team and people, when I realised why I love them so much.

Also remembered a line from Outlander 

When Claire says the Scots are fools to think they could defeat the English at Culloden. Scots being a bunch of peasants in rags, armed with pitchforks and rakes, bows and arrows and a few swords, whilst the English, outnumbering the Scottish, were heading for the battle as an organised army in a uniform, with cannons, muskets, and fine blades.

Still, the Scots fought the battle and, of course, lost it.

It’s their almost naiveté, their fierceness, their faith, belief, will, and passion. Their lack of strategy,  their authenticity.

Scots are not fools.

They just aren’t sneaky, calculated, coy. They are authentic, which is only a problem in a very sick world.

Just found out in The Highland Clans that the first world’s best seller was a book from Sir Walter Scott called “Waverly”. Just ordered it. To see if I can learn something with this literature genius.

Since I can’t move to Edinburgh for a year, as planned, I just hope to get a bit of Scotland and the Scots on my bloodstream.

I’d rather travel the country, scent those fields, feel those mountains, listen to the silence on the banks of the lochs.

Unfortunately, I can’t. But still have Mary Queen of Scots’ Biography and Scottish myths and legends to feel Scotland from afar, in my imagination.

Needless to say, I love a man in a kilt… Scots are in general very masculine and I find them rather sexy…

Feels so right it can’t be wrong

27/05/2021

Feels so right it can’t be wrong…

Depois disto, na sequência de cartas escritas do ego para o self – apesar de te usar como destinatário, já que és tu quem provoca isto em mim, e de me dar um prazer imenso escrever-te, mesmo que não queiras receber – e disto, que me expôs um bocadinho, num momento de descontração, veio a luz verde.

Feels so right it can’t be wrong

Não importa se não é ficção. Não é nada e ao mesmo tempo é tudo. Se não se encaixa em categoria alguma. Lembro-me que o velhinho Selfish Love tinha mais audiência do que o Eça e o TJ juntos (se me estás a ler e ainda és desse tempo, Deus te abençoe).

Sou mesmo boa é nisto.

A escrever como quem fala com alguém. A dizer o que me está preso na garganta, me torna obsessiva e quase me enlouquece. Sou boa nisto, embora a exposição me apavore. E, às vezes, me seja mais fácil escrever em inglês. Neste caso, não é só mais fácil, é apenas natural. O destinatário não fala português.

Sou boa a misturar literatura com psicologia, simbolismo, poesia, talvez mitologia e arquétipos certamente. Essa é a minha linguagem, a minha voz, a forma como gosto de me expressar, que me sai mais natural. Com paixão, profundidade, alguma verve, muita emoção, sentimento para dar e vender, graça avulsa, honestidade, verdade.

E é só nisso que quero concentrar-me.

A escrever, mais e melhor todos os dias. Desenvolver, corrigir, dedicar o meu tempo livre.

Passam a vida a dizer que temos de encontrar a nossa voz, mas depois querem que façamos tudo como os outros, nos encaixemos numa categoria, pensemos no público e façamos o que for preciso e está estabelecido como “o que vende”.

Acabou-se Plandemia, acabou-se tudo o que me chateia, me tira do eixo, me domina pelo medo.

Feels so right it can’t be wrong

Ontem, enquanto via um filme, me contorcia de ansiedade à espera de um retorno que não aconteceu, e trocava mensagens ao mesmo tempo, descobri o que fazer com o segundo livro, que supostamente era ficção mas não é carne nem peixe. Vou contar essa história, como se passou, o que aconteceu, porque me marcou.

As histórias inacabadas têm um poder enorme sobre nós.

Todos somos passíveis de sofrer lavagens cerebrais, basta que quem o faça nos pegue pelo tema de vida, o desejo mais profundo, que é capaz de coincidir com o nosso maior medo.

Sou particularmente atreita a lavagens cerebrais emocionais…

Cada vez me convenço mais de que para além da expressão, do querer ser vista, apreciada, valorizada, como toda a gente, no fundo, escrevo to make sense of it all.

A minha luta interna prendia-se muitas vezes com a dúvida entre se o que sinto e intuo é wishful thinking, impressão minha, coisa da minha cabeça, capricho do ego, ou verdade. Resgato todos os dias a intuição e sensibilidade psíquica que deixei ao Deus dará durante anos.

A luz verde nunca é apenas e só sobre nós.

Tem sempre, sempre ligação a temas arquetípicos e que, por isso, encontram eco e ressonância nos outros.

It feels so right it can’t be wrong…

Luz Verde

24/05/2021

Um dos livros que mais me inspirou ultimamente foi o Greenlights, do Matthew McConaughey. Luz verde seria o título que lhe daria.

Ando há que tempos a tentar escrever ficção. Cada dia me convenço mais de que não foi para isso que sobrevivi. São tantas e tantas as histórias autênticas que me inspiram.

Histórias autênticas são difíceis de manipular.

Não quero entreter, quero inspirar. Muito menos culpar, mas responsabilizar. Não quero desafiar o ego alheio, mas, num primeiro objetivo, resgatar o humanismo de cada um, inclusive o meu. Depois, chegar à alma. Não me interessa o que nos vitimiza, o que faz de nós dignos de admiração ou aprovação. Muito menos explorar a sombra. Basta-me conhecê-la, para que me permita ir mais fundo, até chegar ao centro de tudo, do todo de cada um. Cada vez mais longe de querer controlar quem quer que seja, mas contribuir como puder para que cada um encontre o seu caminho.

Literatura já faço, mesmo sem me esforçar muito. Da minha criatividade também não tenho dúvidas.

Interessa-me a totalidade, não apenas o que de nós é conhecido e, portanto, se torna relativamente fácil de lidar. Por sabermos o que lhe fazer, ao termos algo a dizer. Mas os pedaços com os quais não sabemos o que fazer, o que se quebrou dentro de nós, não conseguimos explicar, racionalizar. Para o qual não temos um remédio, uma solução, uma cura. Apenas temos de aceitá-lo, como é, como somos. E o que escondemos de nós e do mundo, a pureza da alma.

Só a verdade me interessa.

Não o sadismo, a exploração da miséria alheia, o masoquismo, a autotortura, o self-loathing. Mas a verdade toda, a sombra e a luz, a consciência e o inconsciente, a persona e a identidade total. Interessa-me o desconforto que leva à verdade. Aguentar o sofrimento que leva à consciência. A luz verde que se lhe segue.

Leio a Joan Didion e apetece-me erguer-lhe uma estátua.

Esses são os verdadeiros heróis, os que se expõem sem se diminuir ou enaltecer, que conseguem lidar com o elogio e a crítica, sem que nenhum dos dois lhes insufle o ego ao ponto de se acharem donos do sofrimento ou da virtude. Incomoda-me tanto um quanto o outro. E saber fazê-lo é uma arte. De contrário, é manipulação das próprias emoções, um truquezinho básico do ego. Espanta-me como se convencem… Também me incomoda quem ambos rejeita, por ser sinal de que não está a lidar nem com um nem com o outro.

São as vozes individuais, que respeitam a identidade de cada um sem a impor, que mais me inspiram e ao coletivo, tenho a certeza disso. Calar vozes individuais por não se encaixarem em rótulos ou categorias é limitar o potencial individual. E a cama de Procrusto nunca foi lugar aonde chegasse almejar. Não estou interessada em que me estiquem as pernas muito menos que mas cortem. Já tentei e não fui mais feliz por isso.

Há lugar para toda a gente.

Ler Mais…

O famigerado capitalismo

14/05/2021

Há um número assustador de pessoas que acredita piamente que o mal do mundo é o capitalismo. Por oposição ao socialismo, imagino…

Não é, é a obsessão por poder e controlo.

Da qual o dinheiro, o capital, é apenas uma das várias vias para esse fim.

Há outras, como o sexo, a ocupação de cargos de liderança, de decisão. O conhecimento, a autonomia psíquica, emocional, o distanciamento emocional pelo excesso de racionalização, entre tantas mais.

É importante, vital, que os indivíduos sintam que têm algum controlo sobre a sua própria vida.

O Ego tem essa necessidade quanto mais inseguro o indivíduo sabe ser-se. E não sobrevive sem essa sensação de controlo.

Nós, como um todo, também não.

O problema é quando passa a obsessão, ultrapassando a necessidade individual de controlo. Sempre que acontece, o desejo de poder e controlo passa a ser não só sobre a própria vida, mas também sobre a dos outros.

Por isso, não interessa que as pessoas tenham autonomia no trabalho que desenvolvem. Pouco importa o mérito, que sejamos autoconfiantes, livres, independentes. Fundamental é infligir medo, minar a confiança, manter as pessoas emocional, financeira ou psiquicamente presas, dependentes.

A obsessão chega a um ponto em que é preferível a resolver problemas, apresentar soluções, ensinar a pescar.

Esse é o motivo pelo qual se paga mal, se controlam funcionários como se fossem crianças, se recompensa quem é alinhado com o sistema, pactua com ele, e se rejeita quem questiona, sai da norma, levanta ondas, não se conforma.

Se protege o coletivo e de desincentivam as iniciativas individuais.

Este vídeo explica muito bem que não há grandes diferenças ideológicas. Muito menos que o socialismo é a solução para todos os males e o capitalismo o grande monstro a abater. Porque o objetivo é sempre o mesmo: poder e controlo.

A forma de o obter é também a mesma: manipulação. Só muda a cenoura…

Goodbye to a friend

13/05/2021

I said goodbye to a friend today.

Not that he died, he just changed projects and we will no longer be team mates.

I’ve known him for six and a half months, never saw him live, and yet he is amongst my favourites at the moment.

One of those rare souls who makes you want to be a better person.

We had our ups and downs, a very good and speedy start that cooled a bit after a couple of months. I don’t know what happened, but he cooled down and I respected his pace and time. Got a bit harsh even. I, like any woman would do, pretended I didn’t notice. We are both quite headstrong and, on one occasion, not my finest hour or his, we resembled two bulls, with our heads together, struggling hard not to shout or be terribly and irrevocably rude to each other. That passed, he has this ability to say I am sorry and move on. I am glad he did, I did too, and we moved on. I thought that fight could bring us back closer together. Like fights sometimes do. But it didn’t. He had made up his mind about me. And that is OK.

I respect personal boundaries and hate to be a burden.

I still don’t know what made him grow apart more and more, but I guess it takes two to tango, and he was too polite to let me know. Whatever happened did not change my feelings for him one bit. I just kept them to myself.

Today, I said goodbye to a friend.

Words were scarce to let him know what he meant to me, how helpful, kind, patience, supportive, generous, human, and funny he always was. Such a good example to us all. How life will be so dull without him around. I have been telling him how I feel since the day we met. And today, amongst all the messages from our colleagues, I found it hard to express my feelings.

It was the first time in my life I have ever cried over a team mate farewell. 

Instead of speaking my mind, in my own words, I dedicated My Way to him. As he definitely does it his way.

I fought hard with my brain to keep it to itself, distracted my mind in anyway I remembered. But I simply could not help it. I had to write it down. With my very best wishes, for the new job position.

You know I’ll immortalise you in a book someday…

To my dear friend D, words are still stuck in my throat and my eyes are full of tears, so I use Frank’s again, as they never grow old. Or out of fashion.

All the very best, my special friend.

Woody Allen – Autobiografia

12/05/2021

Não consigo parar de ler a autobiografia de Woody Allen.

Um primor de jornalismo literário, ainda que escrita pelo próprio, na primeira pessoa.

Tinha tantas saudades de ler assim…

Não a comprei pela história do escândalo em que a ex-mulher o envolveu, até porque nunca engoli a que Mia Farrow contou.

Tal como não acreditei na da ex-mulher de Johnny Depp.

Mas porque fui irresistivelmente atraída pela capa, o nome, a curiosidade, vida de um dos maiores e mais reputados cineastas do mundo, goste-se ou não.

Numa busca por Woody aqui no site, relembro a quantidade de vezes que escrevi sobre os seus filmes.

Não hesitei um segundo em comprá-la. Ainda que não goste de ler biografias na primeira pessoa. Acho que o autor não tem distanciamento suficiente para ser, de alguma forma, isento.

O ponto cego da consciência é sempre melhor visto por um terceiro.

Honesto, que conheça o biografado, que entreviste quem sobre ele possa testemunhar. Comprometido com a verdade e a humanização o suficiente para fazer do biografado um ser humano. Longe do diabo e do deus e, ainda assim, encantador.

Capaz da vulnerabilidade sem a pieguice, do orgulho sem a vaidade, da verdade sem a prepotência, a arrogância, a falta de noção.

Pela sua posição sobre os prémios, o não se deixar seduzir isso nem abalar pela crítica. Também por ser analisado, achei que Woody teria autoconhecimento suficiente sobre si próprio para conseguir escrever uma autobiografia honesta, com graça, humanizada, como se quer do jornalismo literário.

Descubro que fez muito pouca análise.

O que torna a autobiografia ainda melhor.

Vejo-me encantada pelas histórias, o sentido de humor, os medos, que expõe com muita graça, a humildade, a forma como fala das mulheres, em particular de Diane Keaton, a mulher mais linda do mundo. E tudo o que envolve a vida da criação, do mundo fútil de Hollywood. Só quando fala nisso me lembrei que esta autobiografia poderia ser a sua oportunidade de deixar escrito o que aconteceu com ele, a mulher e os filhos, na sequência das acusações da ex-mulher. Engraçado que fala nisso, espera que não seja por isso que comprámos o livro.

Não foi, não nego que não seja uma parte importante, mas está longe de ser o motivo pelo qual o comprei. Muito menos a razão pela qual o estou a ler, compulsivamente, há dois dias.

No entanto, fiquei contente por saber, também, sobre esse capítulo da sua história.

Poucas coisas me interessam mais do que a verdade.

É lamentável que o mesmo não possa dizer-se da maioria. Que está mais interessada numa história que lhe alimente a fantasia e a neurose do que na libertação da alma, aprisionada em traumas, paranoias, medos, meias verdades construídas com base em falsas memórias, induções, crenças.

Este livro soa a despedida, o que é uma pena…

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