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Gaslighting

17/06/2024

O Gaslighting é uma forma insidiosa de manipulação emocional. Já que visa fazer que a vítima questione a sua própria sanidade e perceção da realidade. Desta maneira, o processo ocorre gradualmente ao longo do tempo.

E que envolve as seguintes etapas:

Negação: o agressor nega a realidade da vítima, insistindo que os seus sentimentos, pensamentos ou experiências são inválidos ou imaginários.

Distorcer a verdade: o agressor apresenta uma versão distorcida dos eventos, manipulando os factos e as informações, para se adequar à sua narrativa, que é muitas vezes contraditória, e fazer que a vítima duvide da sua memória, causando confusão e incerteza.

Desvalorização: o agressor desvaloriza a vítima, minimizando os seus sentimentos, pensamentos e realizações. Assim, trivializa as emoções e preocupações da vítima ao anular os seus sentimentos, acusando-a de ser muito sensível ou irracional.

Isolamento: o agressor isola a vítima dos seus amigos, família e outros sistemas de apoio, tornando-a mais vulnerável e dependente do agressor.

Controlar a narrativa: o agressor assume o controlo da narrativa, ditando o que é “real” e o que não é, fazendo que a vítima duvide da sua própria perceção. Assim, ganha gradualmente o controlo sobre a vítima, influenciando as suas decisões, comportamentos e crenças.

Logo, é fundamental protegermo-nos contra o Gaslighting, ao:

Reconher os sinais: esteja atento a padrões de negação, distorção, trivialização, isolamento e controlo;

Confiar nos seus instintos e perceções: se algo parece ser manipulador ou não bater certo, confie na sua intuição;

Registar as interações com o potencial agressor: mantenha um registo de conversas, mensagens de texto ou e-mails que demonstrem o comportamento de Gaslighting;

Procurar apoio: fale com amigos, familiares ou um terapeuta de confiança, para obter apoio;

Estabelecer limites: comunique claramente ao agressor que o seu comportamento não será tolerado;

Dar prioridade ao cuidado e ao bem-estar pessoais: esteja atento à nutrição e à prática regular de exercício físico.

Cortar o contacto: se possível, corte o contacto com o agressor para se proteger de mais abusos.

O Cristianismo

01/11/2023

Cada vez mais me convenço de que o pior que aconteceu a Portugal, e a outros países da Europa, foi o afastamento do Cristianismo. Há algum tempo que queria escrever sobre isto e não há dia melhor do que o de hoje, dia de Todos os Santos, para fazê-lo.

Em Portugal, a tradição do dia 31 de outubro caracterizava-se pelo Pão por Deus. Em que miúdos de todas as aldeias do país iam de casa em casa a pedir Pão por Deus. O meu pai contava-me que Lá no “extremo norte” não existiam, que me lembre, quaisquer tradições infantis “meio folgazonas” relacionadas com o culto dos mortos. No entanto, quando cheguei a Coimbra, contactei pela 1ª vez com as tradições relativas aos “fieis defuntos” ou “santos”.  Eram ranchos de miúdos entre os 7/8 e os 13 anos  que ao cair da noite pediam à porta das casas cantando: “bolinhos bolinhós, para mim e para nós, e p’ra dar aos finados, que’stão enterrados, aos pés da bela cruz, para sempre Amén Jesus”. Depois, recebiam as dádivas habituais – frutas, às vezes doces e, mais raramente, algum tostãozinho.

Também a minha mãe me falou da tradição do Pão por Deus, a que chamavam Bolinhos. As crianças ian de casa em casa, dizendo: “Bolinhos, bolinhos, em louvor (ou à porta) dos santinhos”. E recebiam amêndoas, nozes, romãs, o que as pessoas tinham em casa.

Em Lisboa, não tive essa sorte.

No mesmo dia, atualmente, em Portugal, celebra-se o Halloween, uma festa pagã sem qualquer referência à cultura portuguesa, que importámos dos EUA. Apesar de ter começado na Irlanda, numa tradição celta, que celebrava a passagem de ano. O Samhain celebrava-se com grandes encontros e festas, por vezes fogueiras e sacrifícios humanos, pois acreditava-se que era o dia em que as portas para o outro mundo se abriam, permitindo o contacto com o mundo dos mortos.

O Cristianismo acabou com o paganismo.

O culto das trevas, o terror, o ressuscitar de demónios. Trazendo a luz da fé, consciência, propósito, sentido, união, esperança, valores.

Os pagãos celebram a morte, os cristãos celebram a vida. Os pagãos recordam as bruxas e os druidas, os cristãos celebram os Santos, os verdadeiros heróis. E quanto ao provérbio: “para baixo todos os santos ajudam”, pelo contrário, para baixo ajudam os demónios, as nossas fraquezas, os santos puxem para cima, para Deus.

Já ouvi várias vezes a pergunta: “é preciso ser cristão para ser boa pessoa”?

Não sei responder a essa pergunta. Sequer o que significa ser “boa pessoa”. Mas sei que o contacto diário com Deus contribui, como nenhum outro, para o equilíbrio psíquico. Pela via da Bíblia, das parábolas e respetivas interpretações. E os ensinamentos de Jesus Cristo.

Li há pouco tempo um livro que o demonstra com toda a clareza, humildade, vulnerabilidade e beleza.

Daqueles cujo conteúdo adoraria que permanecesse para sempre na minha memória recente. E que me apeteceu oferecer a umas quantas pessoas.

O Cristianismo tem sido alvo de uma campanha de propaganda para o denegrir. De que o Halloween é apenas um pequeno e, aparentemente, inocente exemplo. Substituindo a adoração a Deus, que faz parte da condição humana, pela adoração a outras entidades e ideologias, humanas, que estão longe de merecê-la. Esperando delas a salvação.

Não consta que tenha resultado.

Porque o que motiva os grandes propagandistas é o poder pelo poder. Donde jamais poderá vir a salvação. Deixando as pessoas à mercê de uma referência de verdade. Cada vez mais perdidas, cada vez mais narcisistas, egoístas e auto-centradas. Movidas pelo ego.

Esquecendo a alma.

Por outro lado, Cristo é amor, humildade, sacrifício. Que se opõe ao poder. Há uma coisa que os cristãos têm, que não só incompatível com o mundo em que vivemos como é causadora de uma inveja imensa e, por isso, um alvo a abater.

A fé.

Assim, o Cristianismo opõe-se ao niilismo, à ausência de sentido, de vazio, de solidão, de impotência. Os seus valores orientadores incompatíveis com o orgulho, o poder, o pedestal em que gostamos de achar que nos encontramos. A ausência de responsabilidade, de iniciativa.

“A diferença entre os deuses verdadeiros e os falsos é que os falsos se alimentam de ti, os verdadeiros alimentam-te”.

Portanto, a batalha que o Ocidente enfrenta é uma batalha espiritual e, pela parte que me toca, a fé – a luz que vence as trevas da ignorância, da superstição, da mentira e do medo, em que vivia imersa a sociedade pré-cristã – é a única resposta.

My Best Friend’s Wedding

10/10/2023

If I had made a speech at my best friend’s wedding, it would have been something like this:

34 years, my dear friend. Many moons ago… At this point in my life, the weddings I attend are of my nephews by heart.

Have another one next year…

Between that and the last one before that, a lifetime has gone, almost as long as our story. When you reach that point, you know you’re doomed. However, like a light that never goes out, not this time though.

This time was My Best Friend’s Wedding.

And you’re right, your finger is glowing oddly for lots of us here today. And even more at home, for sure. I did not imagine you’d ever get married. And yet, here we are…

The whole of us.

At one point today, I reckoned: This wedding is full of Jorge’s presence. Met people I haven’t seen in 20 years, with whom I had a great time. And the fondest memories. That’s Jorge’s unique ability to bring people together. We have several examples of that here in this room today, Including me, several times. Some of them even ended up in marriages…

An international wedding, obviously…

You are everywhere. In every single detail. In the mass prayers and songs. The rings’ story; This room and the whole space; Food, deserts, even if… Drinks, the Gin, my God, unique.

In your speech, of course.

Even the one in Polish, despite the fact that I didn’t understand a word. Only three, actually, [new] “mum, dad, and brother”.

So, everyone, let’s raise our glasses to the groom: May it all be as you planned.

And Marta, you take good care of my dear old friend.

To the bride and groom.

Tipos Psicológicos

25/09/2023

De acordo com Carl Jung e o MBTI, tanto os tipos como as funções psicológicas estão presentes em todos os seres humanos, manifestando-se mais ou menos, conforme as preferências do nosso tipo, a educação e o ambiente sociocultural em que nos inserimos. Para Jung, existem dois tipos psicológicos, introvertido e extrovertido, e quatro funções: sensação e intuição, pensamento e sentimento. Posteriormente, ao desenvolverem o instrumento que permite descobrir quais os tipos e funções preferenciais, com base na teoria dos tipos psicológicos de Jung, Isabel Myers e Katharine Briggs acrescentaram as funções: perceção e julgamento, criando assim o MBTI (Myers Briggs Type Indicator), reconhecidas por Jung.

Aqui fica um resumo dos dois tipos e das seis funções:

Introversão e Extroversão

Os introvertidos são pessoas cuja energia provem do seu mundo interno, sendo, em geral, mais reservados, calmos e reflexivos. Os extrovertidos, por outro lado, são pessoas cuja energia provem do mundo externo, sendo em geral mais sociáveis, faladores e ativos. Os introvertidos tendem a ficar muito cansados quando expostos ao mundo externo, por longos períodos de tempo. Ao passo que os extrovertidos tendem a ficar deprimidos quando passam muito tempo sozinhos ou em espaços fechados. Os introvertidos guardam o melhor de si para os amigos íntimos, parecendo reservados e distantes em relação aos extrovertidos, que, por sua vez, partilham o melhor de si com os outros, parecendo voláteis e pouco comprometidos em relação aos introvertidos.

Sensação e Intuição

As pessoas com preferência pela função sensação apreendem conhecimento por dados e factos, onde se incluem os cinco sentidos, sendo mais práticas e objetivas. As pessoas com preferência pela função intuição apreendem conhecimento por uma visão mais ampla e abrangente, sendo mais abstratas e imaginativas. Preferem o mundo das ideias e possibilidades, por oposição ao dos dados concretos e exatos, como é o caso da preferência pela função sensação.

Pensamento e Sentimento

As pessoas com preferência pela função pensamento são mais lógicas e racionais, tomando decisões com base na lógica e na razão. Já as pessoas com preferência pela função sentimento são mais subjetivas e emocionais, tomando decisões com base no impacto que estas terão sobre os demais.

Julgamento e Perceção

As pessoas com preferência pela função julgamento preferem planear com antecedência tudo o que vão fazer, são mais estratégicas e ponderadas. Já as pessoas com preferência pela função perceção preferem a espontaneidade, decidindo no momento o que fazer, pois preferem manter as opções em aberto.

Segundo Carl Jung, e de acordo com o seu Processo de Individuação, o objetivo de cada um é fazer as pazes com o seu oposto, nomeadamente, o introvertido fazer as pazes com o extrovertido que há em si, o tipo sensação com o tipo intuição, e assim sucessivamente, para que todas as funções e ambos os tipos, introvertido e extrovertido, possam conviver de forma amena, o que ajuda não só ao desenvolvimento da personalidade como à melhoria das relações interpessoais.

Arquétipos e Inconsciente Coletivo

20/09/2023

De acordo com Carl Jung, os arquétipos estão na génese do inconsciente coletivo, desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento da personalidade.

Arquétipos são símbolos, imagens ou padrões universais, comuns a toda a humanidade. Independentemente da cultura ou da época, que se manifestam nos sonhos, na arte e na mitologia. E que refletem tanto temas quanto padrões de comportamento universais.

O inconsciente coletivo é onde esses arquétipos se encontram.

Jung defendia que, quando nascemos, somos apenas inconsciente coletivo. E que, à medida que a psique se desenvolve, o conteúdo de alguns arquétipos é integrado na consciência. Ficando o restante na sombra da mesma, ao qual deu o nome de complexo.

A cada arquétipo não integrado corresponde um complexo.

Complexos esses que são os responsáveis por muitos dos nossos comportamentos, atrações, repulsas, reações e emoções.

Postulando que a integração dos conteúdos sombrios, ou seja, não integrados na consciência do ego, é essencial para o desenvolvimento da personalidade.

Pelo seu simbolismo universal, os arquétipos permitem-nos integrar, sem racionalizar, conteúdos até então desconhecidos. Contribuindo tanto para uma melhor compreensão das nossas emoções quanto para o desenvolvimento de um maior sentido de identidade.

Por outro lado, o inconsciente coletivo também é fonte de criatividade e inspiração.

Que nos permite aceder ao nosso Eu divino, o Self, e a partir do qual toda a criação nasce, do ponto de vista da totalidade psíquica.

Assim, o inconsciente coletivo e seus arquétipos são o meio pelo qual nos conectamos de verdade. Connosco, com os outros e com o mundo ao nosso redor. Independentemente das diferenças e sem que a individualidade precise de ser sacrificada.

Para Jung, o grande objetivo do desenvolvimento da personalidade é chegar à totalidade da identidade.

À união psíquica entre todas as partes que a compõem, ao qual chamou Processo de Individuação.

No qual nos tornamos conscientes da nossa sombra, do nosso Eu divino e do nosso potencial, momento em que voltamos a ser nós mesmos, verdadeiramente. Defendendo que os arquétipos e o inconsciente coletivo desempenham um papel fundamental na individuação, dando a orientação e o apoio de que precisamos para nos tornarmos os indivíduos que estamos destinados a ser.

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