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Livros

Independência ou morte

27/05/2020

A ilusão da democracia, do partido político, do clube de futebol, da religião, da ciência, dos números, dos astros, do comunismo, do socialismo, do fascismo, da ditadura, do poder, do controlo, da opinião, da participação, do dinheiro, da moda, da beleza, do desporto, da comida, do álcool, das drogas, do sexo, do que funciona, do que não funciona. Da guerra e da paz. Da luta, da batalha. Da ordem e do caos. Da posse. Do ego, da sombra e da persona. Do cinema, do teatro, da dança, da arte em geral, dos livros. A ilusão da cultura. A ilusão do ter e do ser, do conhecimento e dos factos. A ilusão da vida e da morte, da depressão e da tristeza, da alegria e da euforia. Da família, dos irmãos, dos filhos, dos pais, dos netos. A ilusão da maturidade e da eterna juventude. Da fuga. Da presença e da ausência. Da distância e da proximidade. A ilusão do medo, da ignorância. Da saúde e da doença. A ilusão da vida saudável e da vida desregrada. A ilusão do compromisso e da liberdade, e da falta dela, a sua maior aliada. Da dependência e da independência, que pode ser a forma mais básica de dependência… A ilusão da agressão e da passividade, da coragem e da manipulação. Da bondade e da maldade. Da inocência. A ilusão dos heróis e dos vilões, dos fracos e dos fortes, dos bonitos e dos inteligentes. A ilusão da roupa espalhada pela sala e da cozinha arrumada, da pasta de dentes amassada e direitinha. A ilusão do cliché, do diferente. A ilusão dos amantes e a do casamento. Do acordo e do desacordo. Da solidão e da companhia. Das rotinas e dos dias sempre diferentes. A ilusão da esperança, dos dias melhores. A ilusão do dever e a do prazer. A ilusão das causas e a de um ideal. A ilusão dos ímpetos. Da estabilidade, da segurança, da rotura. Da destruição e da construção. A ilusão do conflito e da mudança. A ilusão da permanência e da partida. A ilusão do outro, a nossa própria ilusão, sobre nós e sobre o outro. A ilusão da influência. A ilusão suprema, a ilusão da (nossa) importância… Message in a Bottle, 2011.

That Funny Thing Called Memory

04/05/2020

There must be some process that makes us forget some lived experiences still in our memory, so that we can survive. And, somehow, limping a bit, we manage to limp forward.

Those memories are like little pieces of ember

That do not set the house on fire, but have not extinguished yet. Dancing with each other in some forsaken corner of our heads. However, a small triggering makes them well vivid. Rapidly taking their place on the pole position of our memory. As if happened 5 minutes ago.

They say only the old live on memories, because that’s all they have, since their future is lived by the minute.

But it’s a lie.

There are a lot of semi-young ones living on memories. Others haven’t even left them, yet. They remain stuck in the 80-90s. 60-70s…

And some live on memories of what hadn’t happened, might have happened, holding onto what it was, as a preventive measure of the conscious. To give time to the unconscious to process the symbolic content of such memory, with more available data now.

However, memories have their own time.

They can’t be forced. They remain on the head, but follow the heart beat time. Which, as everybody knows, is slower. That’s why they seem forgotten, despite misleading us every single day.

Little ghosts living in the shadows Ler Mais…

Memória

27/04/2020

É uma coisa engraçada, a memória.

Há de haver um processo qualquer que nos faz esquecer determinadas vivências para que possamos sobreviver. E, de alguma forma, meio mancos, consigamos coxear para a frente.

Essas memórias são como brasinhas.

Que não pegam fogo à casa mas ainda não se extinguiram. Dançam umas com as outras em cantos recônditos da nossa cabeça. No entanto, basta um pequeno rastilho para que apareçam bem vívidas. E ocupem rapidamente o lugar da frente das nossas memórias, como se tivessem acontecido há cinco minutos.

Dizem que só os velhos vivem de memórias, que é o que lhes resta porque o futuro é ao minuto.

Mas é mentira.

Há muitos seminovos que vivem de memórias. Outros que nem das memórias saíram. Lá permanecem, nos anos 80 e 90. 60 e 70…

E alguns que vivem de memórias do que não aconteceu, do que poderia ter sido, agarrando-se ao que foi, como medida preventiva da consciência. Para dar tempo ao inconsciente de processar o conteúdo simbólico dessa memória, agora com mais dados disponíveis.

No entanto, as memórias têm um tempo próprio. Ler Mais…

Momentos de verdade

08/04/2020

São momentos de verdade, os tempos em que vivemos, neste momento tão particular do mundo. Não há fronteiras para o corona vírus, está no planeta inteiro. Estamos todos confinados e unidos nesse isolamento. Com os nossos.

Os do passado e os do presente.

E os do passado que se fazem presentes em momentos que podem ser devastadores. Aterradores. E que trazem a esperança de volta aos nossos corações. E a paz à nossa cabeça.

A alma sempre soube… Jamais desiste.

Abarca todo o tempo do universo. Por isso, só deixa cair quando mais nada resta. Nesse momento, mais do que desistência, é uma aceitação. Pacífica, porque nos está no corpo todo.

Na cabeça, no coração e na própria alma.

Privados de tudo quanto nos ilude, da tentativa que fazemos para nos convencermos de que somos eternamente jovens e bonitos, a verdade escancara-se.

Os cabelos brancos começam a aparecer, as rugas que escondemos voltam a lembrar-nos da nossa história, as unhas que não arranjamos, entre tantos outros exemplos, trazem-nos para a realidade que o nosso corpo nunca esconde, por mais que a cabeça e o coletivo nos imponham um ideal. Tantas vezes insano, tantas vezes impossível. Fazendo que nos arranque bocados que nos são preciosos. Vitais. Tão simplesmente por fazerem parte da nossa história, contribuindo para a pessoa em quem nos tornámos.

Sem julgamento, crítica ou ressentimento.

É apenas o que é…

Máscaras caem, literal e metaforicamente. Ao mesmo tempo que outras se erguem. Deixando apenas os olhos à vista de todos. A única parte do nosso corpo disponível para ser olhada. Tudo o resto está coberto, inclusive a nossa boca, que tantas vezes contradiz o que sentimos e tememos expor. Olhos esses que revelam tudo o que teimamos em querer esquecer, esconder. De nós e dos outros.

Os olhos são o espelho da alma

Toda a gente sabe. No entanto, muito poucos aguentam ser vistos. Olhados, de verdade.

São momentos de muita tensão, dúvida, incerteza, frustração, ansiedade e medo. Mais ainda do que qualquer outra parte de nós, a persona, anulada neste momento tão único, não é mais suficiente para conter o que reprimimos uma vida inteira. E o ego, coitado, faz o que pode para se manter no controlo. Piorando ainda mais a situação. Que deveria ser de união, de proximidade, de vulnerabilidade. Em vez de batalha, de superioridade, de temor, de afastamento.

O que pode correr mal?

Os outros verem quem e como somos? Ou nós levantarmos o véu  e nos encararmos pela primeira vez?

O mundo está prestes a acabar, ou assim parece, o que temos a perder?

São momentos para saber, de uma vez por todas, sem mais ilusões ou fantasias infantis, quem está e quem não está. Pertence e não pertence. É e quem não é importante. Relevante. Fundamental. Não pelo papel que representa, muito menos pelo que gostaríamos que representasse. Mas pelo que nos une, nos vincula, está lá para nós, por nós. Até além de nós.

Independentemente dos seus conflitos internos de cada um.

Afinal, são momentos de verdade estes, de nos olharmos como nunca. De nos vermos de verdade, na nossa identidade total. Inclusive, de nos conhecermos…

Esclarecer o que há para esclarecer.

Enquanto e se para isso houver vontade. Ainda que tenham passado mais de 20 anos. Temos tempo. É coisa que agora não nos falta. Mais do que tempo, disponibilidade, física, mental, emocional. Na medida das solicitações do teletrabalho, da família e da vida que escolhemos viver. Que aguentámos viver.

Se não houver vontade, é porque não é prioritário…

Agora, há algo que nos é mais precioso. Que queremos preservar sobre tudo o resto.

E não, não é a persona, a cara que mostramos ao mundo e que esconde o monstro que mora na nossa cabeça. Esse sai do covil onde mora o ano inteiro, queiramos ou não. E agora, mais do que nunca, com uma força e uma crueldade incapazes de serem contidas. Quer pelo ego, quer pela persona.

É a nossa humanidade

Essa condição que nos permite ser empáticos, vulneráveis. A inevitabilidade de pôr o coração à frente de tudo. Das nossas certezas e convicções, do trauma, da memória, da dor, da frustração. Do tempo que passou e que não volta. Das escolhas que fizemos e que definiram o resto da nossa vida. Das memórias de vidas que vivemos aos 20 anos e que insistem em não se diluir. Por ainda não estarem resolvidas, apenas se harmonizaram com o tempo. Graças ao que fizemos delas, com elas e apesar delas.

Que agora voltam para nos dizer que aquela história ainda não acabou…

Apenas se adiou…

Apesar e além da fúria e dos demónios que nos habitam, agora com a porta aberta para a rua, e de os expressarmos na medida certa, o nosso humanismo, a nossa essência, o que nos une, sobrevive. E está, na  verdade, mais vivo do que nunca.

É forte demais para persistir.

O suficiente para, por mais tentador que seja, não nos deixar matar o que nos resta. A capacidade de amar, entender, comunicar, querer. De ter esperança. E até alguma fé. Não de que vá ficar tudo bem por desejo.

Mas de que vai ficar tudo melhor do que antes.

Porque algo maior do que nós, do que o vírus, do que a economia, a condição social dramática que se adivinha, seja Deus, seja o Universo, seja a ordem natural das coisas que tudo equilibra, disso se certificará.

Como tal, e apesar das perdas, das imensas, inúmeras e irrecuperáveis perdas, sairemos disto melhores. Acima de tudo, porque seremos mais nós… No fundo e à superfície…

Livros – Royalties

19/11/2019

Recebi os meus primeiros royalties internacionais. Correspondentes a dois livros traduzidos em inglês, francês, espanhol e o primeiro também em italiano.

Lamentavelmente, o governo americano ficou-me com três dólares e uns trocos. De US$10… 30%.

Já em Portugal são 16%…

É mesmo só pelo amor à nobre arte da Literatura…

No calor da emoção dos 7 dólares na minha conta, quase me esqueci de agradecer às tradutoras de ambos os livros, em 4 línguas. Sem as quais nem 7 dólares seriam possíveis.

Muito menos o incrível que soam as minhas palavras noutras línguas…

Gratidão* é pouco. E voltar a apaixonar-me pelos meus livros é o melhor de tudo.

(*Aqui, curiosa e raramente, o uso da palavra gratidão está correto…)

Parques

14/11/2019

Uma das poucas vantagens dos países em que chove dez meses por ano, como é o caso da Escócia, tive uma sorte que nem acredito, é serem muito verdes. As cidades são parques imensos.

Tudo é verde. Em todo o lado. E, em todas as planícies verdes, há ovelhas a pastar. Três para cada escocês, dizem.

Em Eddie há os Queen Gardens, enormes.

Queen Gardens, Edimburgo, Escócia 2019.

Em Glasgow há o Kelvingrove Park, junto à universidade. Passeei lá horas. No outono, particularmente bonito.

Temo que, afinal, quem tem os outonos mais bonitos é a Escócia, e não os EUA…

E este parque é um pequeno paraíso na cidade… Enorme…

Ao lado da universidade de Glasgow, também ele uma Outlander location. Que descobri por mero acaso. E me hipnotizou o suficiente para entrar e por lá deambular um bom bocado, encantada com as cores do outono e a poesia de uma ou outra folha a cair, quase a pairar, na verdade. Nada preocupada em me perder…

Glasgow também tem água. E muita. Adoro cidades com água…

Kelvingrove Park, Glasgow, Escócia 2019.

A natureza em geral, as árvore em particular, são civilizadas.

Tudo arranjadinho, por tamanhos, cores e tipos.

Mesmo nas bermas das auto-estradas. Parece paisagem de embalagem de chocolate. Lindo de mais.

Viajar pela Escócia, de combóio, autocarro ou carro, é um deleite para os olhos e um banho de poesia. Só natureza, o tempo todo. Qualquer viagem que se faça, estrada ou caminhos de ferro, é isto.

E é tão bonito…

Em toda a Escócia, onde pode haver um bocado verde, há uma árvore, ou só relva, plantada.

Toda a vista do castelo que fez as vezes de Wentworth Prison em Outlander dava um texto só…

Até onde a vista alcança e é incansável…

Jardins da “Wentworth Prison”, Escócia 2019

Kelvingrove Park é onde Claire empurra Bree no carrinho, atravessando uma ponte e passando por um escocês que toca gaita de foles.

Sexta transplanetária

29/07/2019

Na sexta-feira passada ocorreu a festa transplanetária organizada pela minha amiga e guru de MBTI Mariana Portela. Que, com a generosidade que lhe é natural, convidou-me para ler no seu sarau. Aqui fica o que eu disse:

Obrigada à  Mariana, pelo convite e a honra; obrigada ao espaço, todo o mundo, e à mídia ninja, pela acolhida e a divulgação.

Hoje faria aniversário Carl Jung, que me salvou várias vezes, também ele um ET. Celebremo-lo pois então. Só vim aqui por isso.

Outra coisa que  também nos salva várias vezes, talvez todos os dias e nem nos damos conta, é o Amor, a mais sublime forma de redenção.

E de transcendência.

E Foi nesse estado de graça, do amor e da paixão, que escrevi o texto que se segue, cujo título roubei descaradamente aos Legião Urbana, e que se chama Eduardo e Mônica. Aqui vai, dedicado a todas as pessoas de coração grande.

Eduardo e Mônica*

De que nos serve o intelecto, mi amor, se não temos o carinho dos gestos? De que nos serve sermos éticos, exemplares, corretos, se nos falta a compaixão, a identificação com o outro, o humanismo, a capacidade de largar tudo e ir a correr cuidar dele? De que nos serve o sentido do dever, meu querido, sem a generosidade incondicional dos afetos, sem liberdade emocional? De que nos serve o que fazemos pelo outro, my love, se apenas o fazemos pelo nosso ego e não, nem que seja um bocadinho, para ver o outro feliz? Só para ver o outro feliz. De que nos serve a dedicação ao outro, se não conhecermos os nossos próprios limites? De que nos serve estarmos cheios de razão e nos faltar o coração? De que nos servem as ideias, a prossecução dos mesmos fins, se corremos em direções opostas? De que nos servimos, se não nos damos? De que nos servem as palavras, se nos faltam as ações? De que nos serve fazermos sentido, my darling, se nos falta tudo o resto? De que nos serve o desejo, se nos falta o sentimento? O prazer, se nos falta o envolvimento? De que nos serve a paixão, sem mais nada? De que nos serve amarmos o outro, se não for apenas pelo facto de existir?

O segundo, é um texto do meu segundo livro, um conjunto de cartas para Dr. Freud. Não sei se o Tom Sawyer era famoso no Brasil. Mas é uma referência da minha infância e até adolescência, [porque tinha irmãos mais novos que também viam]. Esta carta foi escrita pelo amigo do Tom, Huck, Huckleberry Finn.

Barco a remos

Um relacionamento, qualquer que seja, é como um barco a remos encostado à margem de um rio, preso com uma corrente e um cadeado ao corrimão de ferro da escada de pedra. Enquanto um segura no barco e no corrimão, o outro, também agarrado ao corrimão para não se desequilibrar, põe primeiro um pé, depois o outro. O que segurou o barco faz o mesmo, primeiro um pé, depois o outro. Já lá dentro, depois de soltar a corrente, um pega no remo e encosta-o à escada de pedra, fazendo força, para afastar o barco da margem, para que possam ambos levá-lo a bom porto. O barco é pesado, os dois precisam de remar até meio do rio, para poderem pôr o barco na direção certa e ir em frente. Se só um rema, o barco anda em círculos. Se ambos remam com a mesma força, vai direitinho. Se enfiam o remo mais fundo, o barco anda mais devagar, é preciso fazer mais força, se os remos ficam mais à superfície, a travessia é mais leve e o barco vai mais rápido. A força que ambos fazem tem de ser equilibrada, de contrário, o barco navega na direção das margens, onde há sempre pedras escondidas pelas águas verdes e nem sempre tão transparentes do rio, e onde o barco vai certamente encalhar. Pode ser que não seja preciso mergulhar no rio para o tirar de lá, pode ser que um dos ocupantes tenha de entrar dentro de água para descobrir que pedra está a encalhar o barco. As margens do rio também têm plantas, normalmente frondosas, compridas e emaranhadas, onde o barco poderá ficar preso e só com algum esforço, de ambos, poderá desprender-se e voltar ao meio do rio. Se só um rema, enquanto o outro descansa, para além de andar em círculos, vai cansar-se e desistir. Se ambos param de remar, o barco vai à deriva, e quem decide o seu rumo é a força da água e das correntes, sozinha, o que, já sabemos, não vai dar bom resultado, o barco vai acabar por encalhar, embicar numa margem, sem conseguir sair de lá sozinho. Se, a meio da travessia, um resolve saltar, dar um mergulho, o outro fica sozinho no barco, tentando segurá-lo. O que saltou está mais livre, nada um pouco até onde há pé, mas certamente vai acabar com os pés no lodo, enterrado até aos joelhos, de onde é difícil sair, para ambos os lados, barco ou margem. Ambos precisam decidir levar o barco até à praia fluvial, pará-lo e puxá-lo, para que não seja arrastado pela água para o meio do rio, sozinho, à deriva. Ambos precisam de sair, apanhar sol, nadar, se tiverem vontade. Um de cada vez ou os dois ao mesmo tempo. Ambos precisam voltar ao barco e fazer um esforço para o tirar da margem, o orientar no sentido certo e o fazer seguir em frente, para que possam chegar a bom porto, um que agrade a ambos. De contrário, pode ser que um nunca compareça na hora da partida.

Seu,

Huck

Que se lixe a moléstia

06/04/2019

A fazer um curso de applied studies em Jung e, no módulo sobre projeção, o gajo diz exatamente o que digo sobre a realidade em: “A verdade é que não há vida sem magia”, Eu e o Sr. Freud.

“Essa história de realidade é bem subjetiva, Dr. Freud.

A realidade é o que vemos, como vemos, como queremos vê-la. A verdade, Dr. Freud, é que a realidade, quem a faz somos nós.

A minha realidade, apesar de já ter conhecido um pouco de mundo, é diferente da sua, da do porteiro da padaria e da do milionário da Óscar Freire. A minha realidade é diferente da de um político, da de um delegado do Ministério Público e da de um médico. Somos todos adultos, nenhum de nós vive num mundo paralelo.

Nem nos foi diagnosticada qualquer psicose.

Nós vemos a realidade como melhor nos convém, o que cabe nas nossas convicções, aquilo em que precisamos de acreditar para nos movermos, nos definirmos, vivermos. A realidade pode até ser “a verdade dos factos”, Dr. Freud, no entanto, pergunte a um político o que é a realidade. Ele vai mostrá-la com factos diferentes dos seus, ainda assim, factos. E aí, em que é que ficamos?”

Projeto Olympus – A génese – 18-19 de Maio.

Inscrições obrigatórias por mail: biodanzanunopinto@gmail.com

Eduardo e Mônica*

07/08/2018

De que nos serve o intelecto, mi amor, se não temos o carinho dos gestos? De que nos serve sermos éticos, exemplares, corretos, se nos falta a compaixão, a identificação com o outro, o humanismo, a capacidade de largar tudo e ir a correr cuidar dele? De que nos serve o sentido do dever, meu querido, sem a generosidade incondicional dos afetos, sem liberdade emocional? De que nos serve o que fazemos pelo outro, my love, se apenas o fazemos pelo nosso ego e não, nem que seja um bocadinho, para ver o outro feliz? Só para ver o outro feliz. De que nos serve a dedicação ao outro, se não conhecermos os nossos próprios limites? De que nos serve estarmos cheios de razão e nos faltar o coração? De que nos servem as ideias, a prossecução dos mesmos fins, se corremos em direções opostas? De que nos servimos, se não nos damos? De que nos servem as palavras, se nos faltam as ações? De que nos serve fazermos sentido, my darling, se nos falta tudo o resto? De que nos serve o desejo, se nos falta o sentimento? O prazer, se nos falta o envolvimento? De que nos serve a paixão, sem mais nada? De que nos serve amarmos o outro, se não for apenas pelo facto de existir?

*Legião Urbana

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A Little Prayer

29/07/2018

O bom dos 40 é que a gente perde a vergonha. É o primeiro grande contacto que temos com a realidade: já não tens a vida toda pela frente. E tens pouco tempo a perder.

Ontem, fiz a coisa mais difícil da minha vida. Li alto, para um bando de desconhecidos e alguns conhecidos, o texto mais íntimo que alguma vez escrevi.

Será o último capítulo de um livro.

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