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Dangerous Game

Ficção

23/02/2021

Tenho andado entretida com o meu primeiro romance de ficção, que me tem dado um gozo imenso.

Já teve três títulos. Não estou contente com nenhum…

De resto, tudo sobre rodas.

Voltarei à antena assim que possível.

Memória

27/04/2020

É uma coisa engraçada, a memória.

Há de haver um processo qualquer que nos faz esquecer determinadas vivências para que possamos sobreviver. E, de alguma forma, meio mancos, consigamos coxear para a frente.

Essas memórias são como brasinhas.

Que não pegam fogo à casa mas ainda não se extinguiram. Dançam umas com as outras em cantos recônditos da nossa cabeça. No entanto, basta um pequeno rastilho para que apareçam bem vívidas. E ocupem rapidamente o lugar da frente das nossas memórias, como se tivessem acontecido há cinco minutos.

Dizem que só os velhos vivem de memórias, que é o que lhes resta porque o futuro é ao minuto.

Mas é mentira.

Há muitos seminovos que vivem de memórias. Outros que nem das memórias saíram. Lá permanecem, nos anos 80 e 90. 60 e 70…

E alguns que vivem de memórias do que não aconteceu, do que poderia ter sido, agarrando-se ao que foi, como medida preventiva da consciência. Para dar tempo ao inconsciente de processar o conteúdo simbólico dessa memória, agora com mais dados disponíveis.

No entanto, as memórias têm um tempo próprio. Ler Mais…

Passado o cacete, meu nome é M…

24/01/2012
Queria que a minha história fosse a dos miúdos do Até ao amanhecer, ao anoitecer, à alvorada, ao diabo que os carregue. Queria que a minha história fosse essa, contigo, que tens apelido de filósofo alemão e me arrebataste o coração quando tinha 25 anos. Queria que a minha história virasse filme, baseado em factos reais, que depositasse esperança nos coraçõezinhos das adolescentes e das mulheres loucas como eu, que ainda acreditam em finais felizes, no romance e no amor.
Putaquepariu o Walt Disney, sabes?
Queria que fosse como nos filmes, tu percebias que eu era a mulher da tua vida e vinhas a correr ter comigo. E acabávamos aos beijos e aos abraços, ao pôr-do-sol. Nem queria uma casinha com cerca branca nem sequer um rancho de filhos. Nem baloiços no jardim nem relva aparada. Não queria nada disso, só um eterno abraço ao pôr-do-sol.
Putaquepariu Hollywood…
Queria que não me desconcentrasses, controlar a minha cabeça de vento, para que o meu coração não virasse uma pandeireta em dia de carnaval, de cada vez que leio o teu nome de desenho animado e o teu sobrenome de filósofo alemão. Queria que tivesses a coragem dos heróis do cinema, uma coragem que nunca tiveste. Queria eu ter a coragem das heroínas dos romances da Jane Austen, que se deixavam arrebatar pelo amor.
Queria que tu fosses o Mr. Darcy e eu a Elizabeth.
O meu nome e o dela batem certo, mas tu não és o Mr. Darcy nem a minha vida é um romance da Jane Austen.
Queria que os livros de psicologia que leio desenfreadamente me servissem de alguma coisa, não servem pra nada. Está aqui o meu coraçãozinho peludo que não me deixa mentir.
Podia bater mais baixo, já não o posso ouvir…
Queria calar a boca, parar de achar isto e aquilo, parar de resolver tudo com a razão. Queria acreditar nos sentimentos, queria acreditar que são bons, que o coração sabe tudo e que a razão não sabe nada. Queria aprender à primeira, queria parar de imaginar, de fantasiar, queria parar de ser burra, pior, queria parar de ser arrogante. Queria aprender de uma vez as cousas da vida, do amor e do romance. As cousas dos homens e principalmente as cousas das mulheres. Queria parar de pensar, de imaginar, de esperar. Outra vez. Queria esquecer que tu és assim, queria voltar a ter esperança, voltar a bater com a cabeça na parede, voltar a chorar, a chamar-te todos os nomes e mandar-te pra sítios feios.
Queria voltar a acreditar. Não, não queria nada disso, não queria, juro que não queria…

Reviver o passado…

16/01/2012

Enfia-lo na gaveta, ele não faz parte das tuas memórias recentes, daquelas que escolhes lembrar-te. Porque não adianta, porque não deu certo duas vezes. Eis se não quando, numa trip ao passado, partilhas com uma amiga os causos da tua vida, ou pelo menos os mais marcantes, e afirmas coisas que não querias, coisas das quais já não te lembravas, coisas de miúdinha idiota e esperançosa. E chegas a casa e vais procurar sarna pra te coçar, encontras, pedes confirmação, rezando para que não se confirme, para que te ignore, e a resposta chega-te pelo correio virtual, rápido que só ele, e dás por ti a perceber que o passado não ficou lá atrás, quando o teu coração dispara com o nominho que vem no remetente e cujo conteúdo era o que mais temias. Sim, sou eu… E ficas a tremer, minutos e minutos a tremer… Esqueces que passaram mais de dez anos, esqueces que tu não és a mesma, esqueces que o outro também não. Esqueces tudo, quando as mãos insistem em tremer e o coração insiste em querer saltar-te da caixa, arriscando-se a ficar a pular cá fora, em cima da mesa. Cheio de esperanças vãs, cheio de siricuticos de adolescente, cheio de nervoso. E tu sabes, sabes que não vale a pena, sabes que já deu e não volta a dar, sabes que não vai rolar, que nem sequer vai resolver, mas o coração continua a cantar e as mãos a tremer…

A esperança, às vezes, é o que nos f*de…

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