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Dangerous Game

Endure

15/07/2021

We must learn how to endure existential solitude. Seeking other people for a quick fix is just the same as looking out for drugs, drinks, shopping, sweets, work, whatever takes your mind off your existential solitude… It is not even a quick fix, as it fixes nothing, it just postpones dealing with the matter, which will strike even harder next time. We are not always strong enough to endure in existential solitude, but we must try, whenever we are strong enough, to stay there, look it in the eye, and manage not to run away from it. Just cry it, as simple as that, cry it. It is not a matter of playing the victim, it is actually respecting the bit of you that is suffering, in need, neglected. Seeking other people for a quick fix is even worse sometimes, people can’t take their own existential drama, you can be sure they won’t take yours. They will not listen to you, they will offer some piece of advice not to deal with their own stuff, leaving you even lonelier. It is fair enough to believe they would honestly want to cheer you up, that is fine. What about when you don’t need cheering? What about when you only need someone to listen, to embrace whatever you’re dealing with without falling into the ego trap of giving you a solution. Or fake it with chocolate, cigarettes, joints or a beer. That is most likely the worst kind of loneliness. When you are not seen, considered, appreciated for who you are, your moment of existence, crying, sadness, impotence, confusion, fear, anger. And not even the biggest chocolate in the world would mend it. Chocolate not always replaces an embrace. Sometimes you just need someone to listen and hold you in their arms without a word, any sort of embarrassment, awkwardness, so that your split parts can be brought together. And there’s not that many people willing or able to do that for you.

Diários

13/07/2021

Tenho pena de não ter escrito diários, relatos, de viagens, dos dias de tédio, tormenta e paixões tórridas. Fotografias não chegam, por não dizerem tudo…

E de não ter guardado todas as cartas, apenas postais.

Diários, cartas e postais são excelentes repositórios de memórias, que tendem a confundir-se umas com as outras e com a forma como percepcionamos acontecimentos, momentos, sensações.

Diários, cartas e postais, muito mais do que objetos que trouxemos de viagens ou lugares especiais, ou fotografias, nas quais não pusemos datas muito menos identificámos os lugares de onde as tirámos, às vezes nem dos nomes que lhes escrevemos nas costas nos lembramos, mesmo que tenhamos uma cara para lhes associar, são o instrumento de trabalho de qualquer escritor que se preze.

Ainda que nos sirvamos da imaginação, da perceção, da sensação, das palavras, que manejamos a nosso bel-prazer, para compor uma história.

Ando obcecada com a verdade, quero saber a verdade sobre a minha história, esta em particular, que ando a contar há ano e pouco. Uma história cheia de devaneios, ilusões, fantasias, delírios, e pouquíssimos factos. Não por não querê-los, mas por não me lembrar. Não me lembro da ordem dos acontecimentos passados dois meses, o que fará passados 20 anos. Agarrar-me a factos sempre me protegeu, a verdade objetiva está nos factos, mesmo que não lhes conheçamos as razões. Contra factos, não há argumentos, subjetividade, perceção, vontade, projeção, ilusão.

Arrependo-me de não ter escrito diários.

E desta minha impulsividade furiosa, que faz que deite fora documentos da minha história. Preciosos, que agora me ajudariam a pôr a cabeça em ordem e a dar tino a algumas emoções. Uma impulsividade de quem quer deter algum controlo sobre a vida, as emoções e o poder que estas têm sobre mim.

Para não voltar a sonhar.

O problema de deitar fora documentos da minha história é precisamente voltar a sonhar com o que e quem não devia. Numa tentativa de não cair em tentação, elimino vestígios do passado para não recordar, não voltar a sofrer, a enlouquecer por não saber, não entender, não viver, não esquecer.

O que acontece é precisamente o que quero evitar.

Como não me lembro, volto a cair no mesmo erro, na mesma conversa, nos mesmos velhos truques e armadilhas, orquestrados pelo meu próprio cérebro.

Num raro momento de discernimento, guardei cópias do que escrevi e tive o rasgo de inteligência de não as juntar a outras memórias, ou teriam tido o mesmo fim, o lixo. São esses bocados de memórias escritos em papéis aos quadradinhos, e cópias de cartas que enviei há mais de 20 anos, que agora me ajudam a pôr os pontos nos is, a conseguir enquadrar o tempo cronológico no mental e na perceção que tive de acontecimentos e das memórias que deles guardei. Era um tempo em que, achava eu, escrevia pouco e nada, apenas vomitava impropérios para conseguir ter alguma paz na cabeça e esperança no coração. Leio relatos em que digo que sim, escrevi imenso, no Verão de 97, mas não tenho quais quer registos físicos, exceto meia dúzia de páginas A4.

Queria que os olhos de quase meio século de hoje, ao ler o que as mãos de um quarto de século escreveram, fossem sábios o suficiente para não entrar em delírios românticos e ganhassem juízo. Quando me dei conta de que nem os olhos do ano passado o conseguem, assemelhando-se mais aos olhos sonhadores, esperançosos, puros, de uma miúda de um quarto de século do que aos de uma suposta sábia de meio século.

Como diria meu santo pai, não tenho juízo nenhum…

Ando a preparar-me para o meio século há uns três anos ou mais. Contente por ter uma idade que começa com um 4. Essa década em que ainda podemos permitir-nos iludirmo-nos um bocadinho em relação à vida e a nós mesmos. Tem sido um horror. São-me sempre muito dolorosos os anos que antecedem a entrada nas décadas. Estes conseguem ter sido os piores de todos. Quando chego lá, passa.

Já só faltam três meses e pouco…

New Book – Livro Novo

06/06/2021

About the New Book:

At least I know you exist, are real and not a fantasy, an illusion, a character. Even if rationally knowing I don’t know who you are, have become, what you want. But deep down in my bones, I know. With my aching body and my longing soul. That you exist and for that alone it is worth living.

Knowing I was not dreaming, did not read far too many novels or watched too many movies. 

We are in touch, although we cannot touch each other, feel each other’s heartbeat, look each other in the eye, so that our souls could speak without words. We cannot be together, spend time together, sleep together. The majority of times, it’s not enough, but at least it’s not an hallucination.

A Case of You

26/05/2021

Woke up with you today, in my head, Joni Mitchell’s tune: “A Case of You”, from an album, released the year I was born, called Blue. A state of mind I am in so many times I could call it my very own: With the Blues…

Got to know Joni Mitchell late in life. It was love at first hearing…

Replaced Last Time I Saw Richard by A Case of you.

As the first makes tears roll down my face and I don’t feel like crying lately. I’d rather sing.

That’s what I did the whole morning, with the lyrics in front of me, until I knew it by heart, while trying to tune my voice with Joni’s. A handful. Joni has this delicate voice whilst mine sounds more like a thunder sometimes.

Felt like singing it to your ear.

I’d say Oh I am a lonely writer; I live in a box of books and would leave the rest as it is. Sadly, you are very far away, and this song doesn’t call for screaming and shouting.

“Love is touching souls”
Surely you touched mine
‘Cause part of you pours out of me
In these lines from time to time

Oh, you are in my blood like holy wine
You taste so bitter and so sweet
Oh, I could drink a case of you, darling
And I would still be on my feet
Oh, I would still be on my feet

Existential Solitude

27/03/2021

We must learn how to endure existential solitude.

Seeking other people for a quick fix is just the same as looking out for drugs, drinks, shopping, sweets, work, books, movies, series, sports, whatever takes your mind off your existential solitude… It is not even a quick fix, as it fixes nothing, it just postpones dealing with the matter, which will strike even harder next time.

We are not always strong enough to endure in existential solitude, but we must try whenever we are strong enough to stay there, look it in the eye, and manage not to run away from it.

Just cry it, as simple as that, cry it.

It is not a matter of playing the victim, it is actually respecting the bit of you that is suffering, in need, neglected.

Seeking others for a quick fix is even worse sometimes, people can’t take their own existential drama, you can be sure they won’t take yours. They will not listen. Instead, they will offer some piece of advice not to deal with their own stuff, leaving you even lonelier.

It is fair enough to believe they would honestly want to cheer you up, that is fine.

What about when you don’t need cheering? What about when you only need someone to listen, to embrace whatever you’re dealing with without falling into the ego trap of giving you a solution. Or fake it with chocolate, cigarettes, joints or a beer.

That is most likely the worst kind of loneliness.

When you are not seen, considered, appreciated for who you are, your moment of existence, your cry, sadness, impotence, confusion, fear, anger. And not even the biggest chocolate in the world would mend it. Chocolate not always replaces an embrace. Sometimes you just need someone to listen and hold you in their arms without a word, any sort of embarrassment, awkwardness, so that your split parts can be acknowledged and appreciated and, ideally, brought together. And there’s not that many people willing or able to do that for you.

So that’s why you should endure as much and for as long as you can.

Intimacy

20/03/2021

Intimacy has a scale, and has nothing to do with sex. Sex is just a way to get there, most of the times, it doesn’t. It is not like knowledge, once you know, you know. Intimacy is a different thing. You have to be in the mood for it. Learn to identify it when it comes, every Blue Moon. Let it linger, so that you can go deeper into it.

I am pretty sure bonding is for life.

You may be bonded to a lot of people, due to blood sharing, life sharing, ages of friendship. Bonding does not go away, but you don’t need presence for it. Once you bond, you bond. Intimacy, however, needs presence. Otherwise you’d have to start all over again. And it gets tiresome. I’ve never been good at coming and going. It’s either a continuous and growing path, or it kills the mood. And gives room for the little demons to start whispering all the beliefs in your ear, the ones leading to isolation, for protection. To safe guard your heart and soul. Timing can be a motherfucker. Your ego does the rest. It is a blessing when your timing coincides with the other’s. It takes one in a million.

When you wake up from intimacy, from that special place in your psych that allows you to be vulnerable, the little demons make you withdraw, in shame and fear. A little bit of that is OK, it is Apollo taking over what Dionysius had conquered. And we do have to learn how to live in Apollo mind, never  forgetting Dionysius’ spirit. But it can’t take long, or regret takes over, you become defensive, and grow more and more apart. I am tired of that. So I withdrew.

Ficção

23/02/2021

Tenho andado entretida com o meu primeiro romance, ficção, que me tem dado um gozo imenso.

Já teve três títulos. Não estou contente com nenhum…

De resto, tudo sobre rodas.

Voltarei à antena assim que possível.

Memória

27/04/2020

É uma coisa engraçada, a memória.

Há de haver um processo qualquer que nos faz esquecer determinadas vivências para que possamos sobreviver. E, de alguma forma, meio mancos, consigamos coxear para a frente.

Essas memórias são como brasinhas.

Que não pegam fogo à casa mas ainda não se extinguiram. Dançam umas com as outras em cantos recônditos da nossa cabeça. No entanto, basta um pequeno rastilho para que apareçam bem vívidas. E ocupem rapidamente o lugar da frente das nossas memórias, como se tivessem acontecido há cinco minutos.

Dizem que só os velhos vivem de memórias, que é o que lhes resta porque o futuro é ao minuto.

Mas é mentira.

Há muitos seminovos que vivem de memórias. Outros que nem das memórias saíram. Lá permanecem, nos anos 80 e 90. 60 e 70…

E alguns que vivem de memórias do que não aconteceu, do que poderia ter sido, agarrando-se ao que foi, como medida preventiva da consciência. Para dar tempo ao inconsciente de processar o conteúdo simbólico dessa memória, agora com mais dados disponíveis.

No entanto, as memórias têm um tempo próprio. Ler Mais…

Passado o cacete, meu nome é M…

24/01/2012
Queria que a minha história fosse a dos miúdos do Até ao amanhecer, ao anoitecer, à alvorada, ao diabo que os carregue. Queria que a minha história fosse essa, contigo, que tens apelido de filósofo alemão e me arrebataste o coração quando tinha 25 anos. Queria que a minha história virasse filme, baseado em factos reais, que depositasse esperança nos coraçõezinhos das adolescentes e das mulheres loucas como eu, que ainda acreditam em finais felizes, no romance e no amor.
Putaquepariu o Walt Disney, sabes?
Queria que fosse como nos filmes, tu percebias que eu era a mulher da tua vida e vinhas a correr ter comigo. E acabávamos aos beijos e aos abraços, ao pôr-do-sol. Nem queria uma casinha com cerca branca nem sequer um rancho de filhos. Nem baloiços no jardim nem relva aparada. Não queria nada disso, só um eterno abraço ao pôr-do-sol.
Putaquepariu Hollywood…
Queria que não me desconcentrasses, controlar a minha cabeça de vento, para que o meu coração não virasse uma pandeireta em dia de carnaval, de cada vez que leio o teu nome de desenho animado e o teu sobrenome de filósofo alemão. Queria que tivesses a coragem dos heróis do cinema, uma coragem que nunca tiveste. Queria eu ter a coragem das heroínas dos romances da Jane Austen, que se deixavam arrebatar pelo amor.
Queria que tu fosses o Mr. Darcy e eu a Elizabeth.
O meu nome e o dela batem certo, mas tu não és o Mr. Darcy nem a minha vida é um romance da Jane Austen.
Queria que os livros de psicologia que leio desenfreadamente me servissem de alguma coisa, não servem pra nada. Está aqui o meu coraçãozinho peludo que não me deixa mentir.
Podia bater mais baixo, já não o posso ouvir…
Queria calar a boca, parar de achar isto e aquilo, parar de resolver tudo com a razão. Queria acreditar nos sentimentos, queria acreditar que são bons, que o coração sabe tudo e que a razão não sabe nada. Queria aprender à primeira, queria parar de imaginar, de fantasiar, queria parar de ser burra, pior, queria parar de ser arrogante. Queria aprender de uma vez as cousas da vida, do amor e do romance. As cousas dos homens e principalmente as cousas das mulheres. Queria parar de pensar, de imaginar, de esperar. Outra vez. Queria esquecer que tu és assim, queria voltar a ter esperança, voltar a bater com a cabeça na parede, voltar a chorar, a chamar-te todos os nomes e mandar-te pra sítios feios.
Queria voltar a acreditar. Não, não queria nada disso, não queria, juro que não queria…

Reviver o passado…

16/01/2012

Enfia-lo na gaveta, ele não faz parte das tuas memórias recentes, daquelas que escolhes lembrar-te. Porque não adianta, porque não deu certo duas vezes. Eis se não quando, numa trip ao passado, partilhas com uma amiga os causos da tua vida, ou pelo menos os mais marcantes, e afirmas coisas que não querias, coisas das quais já não te lembravas, coisas de miúdinha idiota e esperançosa. E chegas a casa e vais procurar sarna pra te coçar, encontras, pedes confirmação, rezando para que não se confirme, para que te ignore, e a resposta chega-te pelo correio virtual, rápido que só ele, e dás por ti a perceber que o passado não ficou lá atrás, quando o teu coração dispara com o nominho que vem no remetente e cujo conteúdo era o que mais temias. Sim, sou eu… E ficas a tremer, minutos e minutos a tremer… Esqueces que passaram mais de dez anos, esqueces que tu não és a mesma, esqueces que o outro também não. Esqueces tudo, quando as mãos insistem em tremer e o coração insiste em querer saltar-te da caixa, arriscando-se a ficar a pular cá fora, em cima da mesa. Cheio de esperanças vãs, cheio de siricuticos de adolescente, cheio de nervoso. E tu sabes, sabes que não vale a pena, sabes que já deu e não volta a dar, sabes que não vai rolar, que nem sequer vai resolver, mas o coração continua a cantar e as mãos a tremer…

A esperança, às vezes, é o que nos f*de…

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