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Message in a bottle

Independência ou morte

27/05/2020

A ilusão da democracia, do partido político, do clube de futebol, da religião, da ciência, dos números, dos astros, do comunismo, do socialismo, do fascismo, da ditadura, do poder, do controlo, da opinião, da participação, do dinheiro, da moda, da beleza, do desporto, da comida, do álcool, das drogas, do sexo, do que funciona, do que não funciona. Da guerra e da paz. Da luta, da batalha. Da ordem e do caos. Da posse. Do ego, da sombra e da persona. Do cinema, do teatro, da dança, da arte em geral, dos livros. A ilusão da cultura. A ilusão do ter e do ser, do conhecimento e dos factos. A ilusão da vida e da morte, da depressão e da tristeza, da alegria e da euforia. Da família, dos irmãos, dos filhos, dos pais, dos netos. A ilusão da maturidade e da eterna juventude. Da fuga. Da presença e da ausência. Da distância e da proximidade. A ilusão do medo, da ignorância. Da saúde e da doença. A ilusão da vida saudável e da vida desregrada. A ilusão do compromisso e da liberdade, e da falta dela, a sua maior aliada. Da dependência e da independência, que pode ser a forma mais básica de dependência… A ilusão da agressão e da passividade, da coragem e da manipulação. Da bondade e da maldade. Da inocência. A ilusão dos heróis e dos vilões, dos fracos e dos fortes, dos bonitos e dos inteligentes. A ilusão da roupa espalhada pela sala e da cozinha arrumada, da pasta de dentes amassada e direitinha. A ilusão do cliché, do diferente. A ilusão dos amantes e a do casamento. Do acordo e do desacordo. Da solidão e da companhia. Das rotinas e dos dias sempre diferentes. A ilusão da esperança, dos dias melhores. A ilusão do dever e a do prazer. A ilusão das causas e a de um ideal. A ilusão dos ímpetos. Da estabilidade, da segurança, da rotura. Da destruição e da construção. A ilusão do conflito e da mudança. A ilusão da permanência e da partida. A ilusão do outro, a nossa própria ilusão, sobre nós e sobre o outro. A ilusão da influência. A ilusão suprema, a ilusão da (nossa) importância… Message in a Bottle, 2011.

Os livros não se escrevem depressa

18/11/2017

Os três primeiros capítulos do meu primeiro livro foram escritos em 2006. Quatro anos depois, ao relê-los, gostei tanto do formato que achei que poderia fazer daqueles primeiros textos um livro. Escrevi o quarto capítulo e, ao fim de mais uns três ou quatro, começou a dar-me a pressa. E dei por mim a forçar. O que nunca é bom. 

Há escritores mais metódicos do que outros. Com horas para começar e para acabar. Como se trabalhassem num escritório das nove às cinco. Eu sou mais intuitiva. O que não quer dizer necessariamente que seja caótica.

Sinto muitas vezes que o livro se escreve sozinho.

Os primeiros capítulos nascem espontaneamente, de uma vontade emocional de expressão e de uma necessidade psíquica de me dar continente. Ao fim de dois ou três textos com o mesmo bordão ou tema, crio o conceito a partir daí. Defino-o, e à ideia, que fica à deriva no meu cérebro, até que o texto começa a surgir. Compulsivamente. Como se soubesse que ou é assim ou morre. Não consigo prolongar as coisas indefinidamente. Cansa-me e dá-me nervoso. Por isso, só se esgota porque lhe ponho um fim, determino o número de capítulos, sou simbólica nisso, os números são-me importantes nesse particular, e a coisa torna-se quase obsessiva até lhe dar um término.

Os livros também não se forçam

Ontem, dei com uns quatro pergaminhos que não chegaram a figurar no livro. Fruto desse processo de auto-pressão, foram escritos a partir da persona, o que destoava do tom que queria dar-lhe. Dois eram apenas referências, um ao Você, do Tim Maia, outro apenas dizia que a psicanálise já havia afiançado que nós decidimos quando nos apaixonamos, fazendo referência a uma intenção minha de estudar documentário, com as devidas reticências. Os outros dois eram demasiado pessoais e íntimos. Um descrevia o potencial destinatário e o outro todas as minhas sombras, as que conhecia, pelo menos.

Se um dia chegar a Best Seller, ou antes mesmo de morrer, divulgo-os.

Pulitzer – Message in a Bottle em Italiano

09/09/2017

E à semelhança do que havia acontecido em espanhol, francês e inglês, o meu primeiro livro, Message in a Bottle, foi traduzido para italiano e já está disponível no iTunes e noutras plataformas digitais. MIB IT

Por este andar ainda chegamos a Pulitzer

Diz o tradutor da versão italiana: “Queria dizer que o livro me apaixonou muito e espero que tenha um grande sucesso também nessa versão italiana! Mas tenho quase certeza disso! Espero também podermos continuar a nossa colaboração nesse sentido.”

Resta-me agradecer à plataforma pela oportunidade incrível, nem nos meus sonhos mais megalómanos imaginaria uma coisa destas. E aos tradutores que se apaixonaram pelo livro e quiseram traduzi-lo. A saber: Maria* (Espanhol), Christa (Inglês), Isa (Francês) e Federico (Italiano).

Pela paciência, a dedicação e acima de tudo por me fazerem apaixonar pelo livro a cada vez.

Muito obrigada. Foi um prazer imenso trabalhar com cada um de vós.

*Uma palavra especial à Maria que, para além de ter traduzido os meus dois livros para espanhol, é a responsável pelas capas deste, nas versões traduzidas. Vale ouro.

Compromissos publicitários

17/02/2017

Também estamos no GoodReads, todas as versões do Message in a Bottle e agora também o Sr. Freud. Ó pra eles aqui.

Message in a Bottle - Isabel Duarte Soares

O MIB, os leitores, a Raquel e eu.

24/11/2016

Aproveitando a vinda de uma amiga para a Europa, tratei de mandar vir os últimos exemplares físicos disponíveis do Message in a Bottle, que restavam na Editora, em SP. Eram três e soube imediatamente quem seriam os destinatários, fazendo questão que fossem eles, quisessem ou não, sendo eu a última pessoa deste mundo a querer impor o que quer que seja a alguém, menos ainda quando se trata de mim ou de algo meu, deus me livre. Relacionamentos comigo, só na base da livre expressão e vontade. Favores emocionais são dívidas que jamais se quitam, não, obrigada.

O Message in a Bottle é o meu xodó, é um livro muito especial e não é só porque foi o primeiro que tive coragem de escrever e publicar, voluntariamente. Por isso e por milhares de outras razões, os dois exemplares que restavam, o terceiro é meu, teriam de ir parar às mãos de pessoas muito, muito especiais. mibsoldout

Um dos exemplares seria para o Joel, o outro para a Raquel. Ontem entreguei-lho, em mãos. Foi quase mágico, disse-me que sabia que iria ter um exemplar em papel, quando nem eu imaginava algum dia voltar a vê-los. Respondi-lhe que, dentro do possível, queria que os meus livros estivessem nas mãos de quem valoriza o que tenho para dizer, o aprecia, na forma e no conteúdo, sem favores, com vontade, urgência e voracidade. Que me lê de borla mas faz questão de comprar os meus livros, de pagar por eles. Independentemente de querer chegar ao maior número possível de pessoas e é por isso que continuo a escrever publicamente, na internet.

A Raquel é uma dessas pessoas, que me lê madrugada fora, para além de ter sido um reencontro. Conhecemo-nos há muitos anos, imediatamente senti por ela um carinho e uma empatia enormes. Só nos vimos uma vez. Muito tempo passou, mesmo muito tempo, e, porque quando temos de ficar na vida uns dos outros ela encarrega-se de nos pôr no caminho certo, reencontramo-nos recentemente, dando-nos a oportunidade de dizer tudo o que não dissemos da primeira vez, de nos aproximarmos, de nos fazermos presentes, apreciadas, queridas e acarinhadas. E eu não podia estar mais grata pela sua presença, o seu afeto, o seu carinho, a sua admiração, a sua generosidade, que são mútuos, em cada gesto, em cada cheiro em cada tudo. Ainda por cima é linda.

Obrigada aos dois, por aceitarem esta oferta, e a todos os outros, que fazem questão de contribuir. Estarão sempre presentes nos meus agradecimentos. E nas minhas orações, fora eu pessoa de reza.

MIB, agora, só em formato digital.

Por falar em mercado…

13/09/2016

É assim que os vejo, servos da ciência, que é feita por indivíduos, que se esquecem de que não existe apenas o que conhecemos, que é mais seguro sabermo-nos ignorantes, por só essa curiosidade nos conduzir à descoberta. Os servos dos números – essa ciência tão exata que pode ser deturpada e manipulada por qualquer um, e nos permite iludir-nos, que joga a nosso favor e contra nós –, insistindo em incluir-nos neles, como se fôssemos títulos da bolsa, uma pera, um bocado de carne, inanimados, como se o nosso valor fosse o mesmo e dependesse do mercado, essa entidade sem alma nem cor, sem tons; essa entidade escura, sem brilho, que nos trata como objetos, incapaz de reconhecer que temos vida, interesses que mudam, consciência que clareia e sombras que se transformam em luz. Usamos esse ser inanimado chamado mercado, porque o tal que é só um e está ofuscado pela sua grandiosidade, também sabe que basta que se junte um outro mar de gente para que a maré mude, com a perfeita consciência de que até o passado pode ser alterado, basta que olhemos para ele de uma forma diferente, da única forma que nos permite avançar, viver de outra maneira, melhor, mais consciente, sem perder o caráter – o tal que se mantém desde que nascemos, que nos torna diferentes, únicos, cujas peculiaridades não cabem no mercado. In: Message in a Bottle 

Finding Beauty in the Darkness*

12/02/2016

Podia ser apenas sobre a novidade do momento, algo que Einstein já havia descoberto há que tempos, mas isso seria um enorme desperdício de tempo e de energia, não desfazendo.

Finding beauty in the darkness, para além da beleza poética da frase e só por isso merecer ser repetida até à exaustão, é o primeiro passo para a auto-aceitação. A de descobrir a beleza que se esconde na sombra, no que menos gostamos em nós, no que protegemos de tudo e de todos, e que salta à primeira oportunidade, ao primeiro vacilo.

Finding beauty in the darkness é ver além da reação, do comportamento, da culpa e do julgamento. É descobrir o que está por detrás da agressividade, da defesa, do controlo, da ironia, do sarcasmo, do medo, do pavor, do temor. Finding beauty in the darkness é conhecer a nossa própria escuridão, aceitá-la e acolhê-la, para que não precise de se rebelar à nossa revelia, só para nos lembrar que existe, está viva, de boa saúde e recomenda-se.

Finding beauty in the darkness é reencontrarmo-nos com o ser frágil que protegemos de todos os males do mundo, custe o que custar, doa a quem doer. Finding Beauty in the darkness é dar-lhe a mão, ajudá-lo a crescer, trazendo-o connosco para fazermos o caminho juntos, dizendo-lhe que está tudo bem, que estamos conectados, para sempre, lado a lado, unindo esforços e não lutando em direções opostas, caminhando em frente, sempre.

*Título roubado ao NYT

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