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Livros

6 anos de Saudade, hoje.

27/02/2022

Saudade, essa sádica.

A saudade é uma sádica que te apanha desprevenido e, sorrateira, aproveita todas as brechas. Que te entra pela cabeça e se esconde nos recantos mais escuros, para te surpreender quando menos esperas. Que te consola e te magoa, te fere, quase te mata. Te faz rir às gargalhadas e chorar às convulsões. Que ali fica, a olhar para ti, certa de que te venceu, vais render-te, pedir misericórdia, clemência. Que te atira ao chão, te deixa estendido, prostrado, inerte, letárgico. A saudade é um direto nos queixos, um entorpecente muscular, um pontapé nos rins, um mace nos olhos. A saudade é matreira, cobarde, desigual. A guerra contra a saudade é uma batalha perdida, a saudade ganha sempre, essa sádica. A saudade é um zumbido no ouvido, uma moinha abdominal, uma pontada nas costas, uma falha nas articulações, um ardor na pele. Uma janela que chia, o vento que faz bater as portas, o cão que ladra sem parar, o incauto que desata a martelar ao domingo, a britadeira das obras do andar de cima logo de manhã, o alarme do vizinho que foi de férias um mês, no meio da noite, às quatro da madrugada, quando adormeceste às três e meia. A saudade é a mosca na tua sopa, o jingle que não te sai da cabeça, a roupa que te aperta. A saudade é o teu bolo preferido a sorrir para ti na montra da pastelaria, quando estás em contenção de açúcar. O filme que queres ver e não podes, o livro de que te esqueceste em casa, num dia de esperas várias. A saudade é o que não podes ter, ver, tocar, sentir, cheirar. É o inatingível, a presença ausente. A saudade é uma sádica, que te aconchega sem te tocar. É o desejo insatisfeito, o quase, o aquém, a ânsia pelo que nunca vem. O quarto lugar. A saudade é uma sádica, que te arrasta pela lama, num dia de chuva. É o verão no inverno e o inverno no verão. É a valorização do que não tens, o abraço que não recebes, o beijo que não se sente, as notícias que não vêm, o amor que não se concretiza, o afeto que se desfez. A saudade é uma sádica, amarga, insatisfeita, cínica, maléfica, dura, impenetrável, irredutível, fatal.

Este e outros, aqui.

Até Sempre – Livro Novo

25/01/2022

Até Sempre foi um livro difícil de escrever, ainda mais duro foi de editar e não será, de todo, um livro fácil de ler.

Hoje, no dia em que farias 83 anos, aqui está ele, o meu testemunho sobre o luto.

Este livro foi escrito no ano que se seguiu à morte do meu pai, a 27 de fevereiro de 2016.

Alguns textos foram publicados aqui, entretanto estão, como é óbvio, indisponíveis na sua totalidade. No entanto, não quero deixar de frisar que relembro, com particular carinho, a forma afetuosa com como foram recebidos e partilhados por essas redes sociais fora.

A todos vós, muito obrigada.

Não me senti tão sozinha, ainda que incapaz de responder, na grande maioria das vezes.

Guardo essas vossas reações no meu coração.

Quase cinco anos depois, aqui ficam eles, em livro, como deve ser.

Até Sempre.

Fora da Caixa

08/11/2021

Quando o que te propões acontece exatamente como quiseste que acontecesse, sem que tivesses qualquer controlo sobre isso. Fora da Caixa.

10 anos depois de tê-lo escrito.

O que sempre procurei desde que me aventurei no mundo psíquico. Passar conhecimento de uma forma leve, orgânica, sem pretensões. Que chegue a toda a gente, sem entediar ninguém.

Ler estas tuas palavras foi o melhor do meu dia.

Muito obrigada, meu querido.

Fiquei encantado. Lê-se maravilhosamente. E nem sequer notas na quantidade de informação que ali apresentas. No sentido de que entendo várias analogias com a jornada do herói que tanto falas, de uma forma muito simples, deixando de lado a parte mais académica e talvez mais difícil de assimilar. De um modo muito inteligente, através da tua história (a tua ida para o Brasil e relação com os que ficaram cá e em última análise, Portugal). Senti-me no dever de escutar as músicas que referes e não consegui ficar insensível, fiquei mesmo comovido, ao teu querido João que tantas cartas recebeu sem ainda sequer saber ler.

Breve breve irei à Amazon, buscar os outros. Bruno Coelho

Amor Egoísta*

25/10/2021
Uma viagem, uma banda sonora, um amor indestrutível.

Se podemos conhecer alguém pelos livros que ostenta nas estantes, pode ser que também possamos conhecer-lhe os estados de espírito, dependendo da música que ouve.

Em dezembro queixava-me que toda a gente se apaixonava menos eu. Eros não brinca em serviço. Ainda o novo ano não tinha chegado e estava apaixonada.

Esta é a história dessa paixão não correspondida.

São Paulo, Salvador, Aracaju, Chapada Diamantina, Salvador, São Paulo.

Legião Urbana, Amy Winehouse, Pet Shop Boys e tantos outros.

E um deus grego, como não poderia deixar de ser.

*Na Amazon.

Me and Mr Freud

22/05/2017

E, à semelhança do que aconteceu com o meu primeiro livro, e do que aconteceu em francês e espanhol, também o segundo, Eu e o Sr. Freud, foi traduzido para inglês. E está disponível nas plataformas digitais do costume. Tradução da Teresa De Gruyter, numa colaboração de que me orgulho muito e a quem estou infinitamente grata*. Freud

A primeira livraria a chegar-se à frente é sempre, sempre, a Barnes & Noble. O que me deixa particularmente feliz. Depois a Apple, a Kobo e por aí vai.

Foi um prazer trabalhar no seu livro e agora aguardo com antecipação a publicação. Espero que o meu trabalho tenha correspondido às suas expectativas. Pelo meu lado posso dizer que gostei muito do desenvolvimento do tema – interessante, cativante, por vezes hilariante, introspetivo, reflexivo e até motivacional – identifiquei-me frequentemente com as personalidades e com a maneira como vivo (ou tento viver) a minha vida. Gostei particularmente da comunicação aberta entre nós. Ajudou muito! Obrigada. Desejo muito sucesso e, já sabe, sempre que precisar, disponha. Teresa de Gruyter.

Colaborar não é impor

*Aliás, neste processo de rever as minhas palavras noutras línguas das coisas que mais me dá prazer é constatar o compromisso com o texto por parte das tradutoras, dando-lhe primazia. E esse é o único tipo de colaboração em que acredito, o que privilegia o resultado, a criação, e não o que dá prioridade à vontade, ao ego, à teimosia, ao orgulho. O que dá espaço à expressão e não o que quer vingar pela imposição.

Grata a vós, Maria Carda (Message in a Bottle e Eu e o Sr. Freud Espanhol); Christa Parish (Message in a Bottle Inglês); Isa Magalhães (Message in a Bottle Francês); Alexandra Lúcio (Eu e o Sr. Freud Francês) Teresa de Gruyter (Eu e o Sr. Freud inglês).

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