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Selfish Love

Amor egoísta

19/11/2021

Acabei de ir buscar dois exemplares do Amor egoísta, em papel. Via Amazon.

É uma emoção indescritível teres o teu livro nas mãos…

Nunca menos comovente, sempre como se fosse o primeiro.

“De que nos serve o intelecto, mi amor, se não temos o carinho dos gestos? De que nos serve sermos éticos, exemplares, corretos, se nos falta a compaixão, a identificação com o outro, o humanismo, a capacidade de largar tudo e ir a correr cuidar dele? De que nos serve o sentido do dever, meu querido, sem a generosidade incondicional dos afetos, sem liberdade emocional? De que nos serve o que fazemos pelo outro, my love, se apenas o fazemos pelo nosso ego e não, nem que seja um bocadinho, para ver o outro feliz? Só para ver o outro feliz. De que nos serve a dedicação ao outro, se não conhecermos os nossos próprios limites? De que nos serve estarmos cheios de razão e nos faltar o coração? De que nos servem as ideias, a prossecução dos mesmos fins, se corremos em direções opostas? De que nos servimos, se não nos damos? De que nos servem as palavras, se nos faltam as ações? De que nos serve fazermos sentido, my darling, se nos falta tudo o resto? De que nos serve o desejo, se nos falta o sentimento? O prazer, se nos falta o envolvimento? De que nos serve a paixão, sem mais nada? De que nos serve amarmos o outro, se não for apenas pelo facto de existir”?

 

Autores

26/10/2021

Há um sem número de tipos de autores, como há um sem número de tipos de personalidade. De leitores… E tudo na criação é autobiográfico. Seja por ter sido vivido, por desejarmos vivê-lo, seja, acima de tudo, por não o compreendermos. Chamem-lhe narcisismo, o que for.

É sempre, sempre sobre nós.

São as pessoas com quem convivemos, por querer ou obrigação, que nos inspiram os personagens que criamos e não entendemos. Nos fascinam ou repugnam. Das quais queremos vingar-nos ou aproximar-nos.

Quanto mais inconsciente é o conteúdo psíquico, mais fantasista é o que escrevemos. Quanto  mais queremos desidentificarmo-nos, mais ficcional é a nossa escrita. Nas nossas histórias, vivemos simbolicamente, à distância, por portas travessas, os conteúdos psíquicos que nos atormentam.

E que personificamos e projetamos nas pessoas com quem convivemos.  

Por outro lado, quanto maior é a vontade de entender, trazer para o presente consciente, aceitar, mais escrevemos na primeira pessoa, as nossas histórias se tornam pessoais.

Um método não é melhor do que o outro.

Tal como um tipo de personalidade não o é. Fazemos apenas o que aguentamos, da forma que menos nos traz ansiedade, dor, medo, desconforto, trauma. Por só assim funcionar. Só assim ser verdadeiro.

E, na arte como na vida, só a verdadeira verdade me interessa. Não a verdade do ego, da sombra, da persona. Mas a verdade da alma. 

No entanto, há os autores que nunca o fazem, os escritores de fantasia,  poesia, criando mundos próprios arquetípicos para contar as suas histórias. Depois, há os mestres que misturam ficção e real, como o Hermann Hesse, o autor de quem tenho mais livros e com quem mais e melhor me identifico.

Um génio da literatura e da psicologia.

Um artista e um psicólogo. Para além de escrever, também pintava. Não conheço melhor forma para um introvertido criativo se apaziguar e entender o mundo que o rodeia, essa tal de realidade.

Sem destruir a magia da criação, da intuição, do sentimento.

A psicologia faz essa ponte, entre o simbólico e o real. E continua a salvar-me todos, todos os dias…

E há os que começam pela escrita do real para conseguirem partir para outras viagens, mais criativas, desidentificadas, mágicas, eu diria. O meu caso.

A Julia Cameron, no seu Morning Pages, defende o mesmo.

Livro que recomendo vivamente para quem se encontra emocionalmente travado para a criação, mas sente-a a pulsar, desesperada para voar.

Também por isso decidi publicar o Amor egoísta.

Ontem fiz 50 anos. Meu Deus, ainda me custa muito dizê-lo, apesar de andar a agonizar desde 2017… Contudo, se há coisa que este número um pouco assustador traz é a vontade de largar o que faz parte do passado e ainda nos atormenta o presente. Não esperar por terceiros, materializar a dor da perda, escancarar a vulnerabilidade.

Até publicar, os livros são só nossos. Quando optamos por lançá-los no mundo, passam a ser dele. A sensação de leveza, imediata.

Enquanto autora, não me cabe mais nada, apenas dar o meu melhor.

Honrar a posição de veículo, de canal, entre o arquetípico e o real. Ser o instrumento pelo qual o divino nos chega, nos toca, nos inspira. A razão coletiva da existência de todos os artistas, todas as formas de arte. O conhecimento além do racional, do científico. Sendo verdadeira comigo mesma e com quem ouve a história.

A minha versão da mesma, pelo menos.

Esperando que resolva em mim o arquétipo daquele animus, emocionalmente distante e psiquicamente fechado. E que ajude outros, pela via da inspiração ou da identificação, a consciencializarem-se do que, arquetípica e intuitivamente, já sabem.

A experiência diz-me que só o trazer para a consciência, racional e emocional, aplaca a ansiedade do não saber, da confusão, das mensagens dúbias, do dar e tirar.

É esse o propósito da escrita e da publicação deste livro.

Além, claro, da expressão. A força motriz de todo o criador e criativo, de todos os artistas.

Amor Egoísta*

25/10/2021
Uma viagem, uma banda sonora, um amor indestrutível.

Se podemos conhecer alguém pelos livros que ostenta nas estantes, pode ser que também possamos conhecer-lhe os estados de espírito, dependendo da música que ouve.

Em dezembro queixava-me que toda a gente se apaixonava menos eu. Eros não brinca em serviço. Ainda o novo ano não tinha chegado e estava apaixonada.

Esta é a história dessa paixão não correspondida.

São Paulo, Salvador, Aracaju, Chapada Diamantina, Salvador, São Paulo.

Legião Urbana, Amy Winehouse, Pet Shop Boys e tantos outros.

E um deus grego, como não poderia deixar de ser.

*Na Amazon.

Eduardo e Mônica*

07/08/2018

De que nos serve o intelecto, mi amor, se não temos o carinho dos gestos? De que nos serve sermos éticos, exemplares, corretos, se nos falta a compaixão, a identificação com o outro, o humanismo, a capacidade de largar tudo e ir a correr cuidar dele? De que nos serve o sentido do dever, meu querido, sem a generosidade incondicional dos afetos, sem liberdade emocional? De que nos serve o que fazemos pelo outro, my love, se apenas o fazemos pelo nosso ego e não, nem que seja um bocadinho, para ver o outro feliz? Só para ver o outro feliz. De que nos serve a dedicação ao outro, se não conhecermos os nossos próprios limites? De que nos serve estarmos cheios de razão e nos faltar o coração? De que nos servem as ideias, a prossecução dos mesmos fins, se corremos em direções opostas? De que nos servimos, se não nos damos? De que nos servem as palavras, se nos faltam as ações? De que nos serve fazermos sentido, my darling, se nos falta tudo o resto? De que nos serve o desejo, se nos falta o sentimento? O prazer, se nos falta o envolvimento? De que nos serve a paixão, sem mais nada? De que nos serve amarmos o outro, se não for apenas pelo facto de existir?

*Legião Urbana

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A Little Prayer

29/07/2018

O bom dos 40 é que a gente perde a vergonha. É o primeiro grande contacto que temos com a realidade: já não tens a vida toda pela frente. E tens pouco tempo a perder.

Ontem, fiz a coisa mais difícil da minha vida. Li alto, para um bando de desconhecidos e alguns conhecidos, o texto mais íntimo que alguma vez escrevi.

Será o último capítulo de um livro.

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