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Psicologia – Autores

Psicologia – Autores: Carlos Byington

31/12/2016

Carlos Byington, a cujas aulas tive o imenso e grato prazer de assistir, é psicanalista e o maior especialista de Jung do Brasil.

Estudou com von Franz em Zurique, penso que terá inclusive feito terapia com ela, e desenvolveu a sua própria linha de Psicologia, Simbólica Junguiana. Introduziu o conceito de Arquétipo Central, para acabar com a confusão que havia entre self e Self. Bebe das duas fontes, Freud e Jung, é um comunicador nato, de uma simpatia, uma espontaneidade e uma graça apaixonantes. Inspirador, generoso e doce.

Byington, como os melhores junguianos, e não traindo os princípios de Carl Jung, é um humanista. Comungamos do mesmo princípio, Jung acessível a toda a gente. Sou a sua maior fã, é capaz de ter uma legião tão grande quanto a de uma estrela pop. E é mais do que merecida.

Deixo para o fim os melhores. Que receba o meu mais afetuoso abraço.

Byintgon

Alguns títulos:

A psicologia simbóloca junguiana
A construção amorosa do saber
Inveja Criativa – O resgate de uma força transformadora da civilização
A viagem do ser em busca da eternidade e do infinito

Psicologia – Autores: Edward Whitmont

31/12/2016

Edward Whitmont está entre os escolhidos por causa de um único livro. É mais um junguiano americano, não tão acessível e fácil de ler quanto os outros.

Whitmont

Como digo aqui, mais do que devota de São Jung, sou uma apaixonada pela forma como funcionamos. E a maior curiosa quando se trata de assuntos da nossa cabeça. Por isso, salto de tema em tema, autor em autor, conforme o desafio psíquico do momento, a dúvida existencial da vez.

Foi o que aconteceu com Whitmont. Estava na fase feminino, deusas, e cruzei-me com um dos seus títulos, que adquiri o quanto antes, de tão sugestivo. Chama-se The Return of the Goddess, que por acaso não acabei, mas ainda não perdi a esperança… Talvez me tenha sido recomendado na cadeira de graduação de Psicologia, que fiz de ouvinte, na PUC-SP.

É mais um junguiano que se dedicou aos arquétipos e só por isso merece figurar na lista dos escolhidos. Não fosse suficiente, também se debruçou com toda a propriedade sobre a causa simbólica. A forma como vejo o mundo, a vida, o que me acontece e aos outros é simbólica, foi preciso conhecer Jung para lhe conseguir dar um nome. Por isso e por muito mais, a Vida Simbólica é um dos temas que mais me fascina e apaixona na Psicologia Analítica.

Viver uma vida simbólica é entregarmo-nos à magia, à inevitabilidade de não controlarmos rigorosamente nada, e ser isso que faz da vida uma bênção, embora às vezes nos seja difícil.

Alguns títulos

The Symbolic Quest
Dreams: a Portal to the Source
Psych and Substance
The Return of the Goddess

Psicologia – Autores: Erich Neumann

30/12/2016

Erich Neumann, discípulo e colaborador de Jung, é mais um junguiano germânico. É impressionante a quantidade de psicólogos de referência que a Germânia produziu. Se a todos os europeus não faria mal algum uma terapiazinha, talvez os germânicos, por se afastarem mais das emoções, as desconsiderarem, não as vivenciarem, sintam mais falta de apoio, mais curiosidade e uma maior necessidade de compreensão nesse campo. Extrapolo…

Neumann

Neumann deu aulas no Instituto Junguiano de Zurique e, dos que conheço, é o autor que mais contribuiu para o desenvolvimento da psicologia analítica. Trouxe o conceito eixo: ego-Self que funciona como uma peça do puzzle incrível que é a nossa cabeça. Era o que faltava à engrenagem montada por Jung e desenvolvida pelos seus contemporâneos e pós-junguianos.

Escreveu livros incríveis, mas não tão fáceis de ler quanto os dos autores americanos. É a quem devemos uma imensidão de estudos sobre temas vitais da psicologia analítica, como o da Evolução da Consciência, da Criança, da Grande Mãe, do feminino, entre outros.

Erich Neumann é, para mim, um dos maiores. Se nos medirmos pelo que fizemos e deixámos de legado ao mundo, a existência de Neumann e a sua passagem por aqui dá direito a que se lhe erga uma estátua.

Alguns títulos:

The Great Mother
The Child
The Origins and History of Consciousness
The Fear of the Feminine
Amor and Psyche
Art and the creative Unconscious

Próximo e último autor: Edward Whithmont

Psicologia – Autores: Jean Shinoda Bolen

29/12/2016

Jean Shinoda Bolen é analista junguiana americana e fez dos arquétipos a sua causa, especializando-se nos dos deuses gregos. Não me canso de ressaltar a importância que os deuses gregos têm na personalidade de todos nós. Enquanto atores do grande filme chamado inconsciente coletivo, que corre na nossa cabeça desde que nascemos até morrermos. E nos influencia a vida toda. Quando não é o responsável direto por muitas das nossas ações, desventuras, atos de coragem.

Shinoda Bolen

O primeiro livro que li sobre deusas gregas é de dois autores, Jennifer Barker Woogler e Robert Woogler e foi o suficiente para me apaixonar pelo tema. Ao ponto de arranjar maneira de o estudar. Estava em São Paulo, onde tudo é possível, e foi na Católica que descobri um curso sobre mitologia grega e os arquétipos do inconsciente coletivo. Foi pelo Guilherme, um dos mais inspiradores mestres que tive a felicidade de encontrar, que conheci Jean Shinoda Bolen e os seus livros: Goddesses in Everywoman e Gods in Everyman. Melhores do que o que tinha lido primeiro.

Além destes, escreveu outros, sempre focada na mitologia e na espiritualidade.

Alguns títulos

Goddesses in Older Women
Artemis: The Indomitable Spirit in Everywoman
Crossing to Avalon

Próximo Autor: Erich Neumann

Psicologia – Autores: John Sanford

28/12/2016

John Sanford é mais um junguiano americano que só incluí na lista por um único livro. No entanto, pela maneira como escreve, objetiva, clara, não me ficarei por aqui.

John Sanford

Invisible Partners, já tive oportunidade de o dizer, é o melhor livro sobre animus e anima, os arquétipos do masculino e do feminino em mulheres e homens, que já li. E duvido que haja outro tão bom. É um tema complicado da psicologia analítica por ser difícil distinguir quando estes arquétipos se manifestam em nós. E fundamental por ser determinante nos nossos relacionamentos.

Numa rápida pesquisa, descubro que se dedicou também à causa dos sonhos, do masculino, são vários os títulos alusivos ao tema, e a deus.

Alguns títulos:

Dreams: God’s Forgotten Language
The Man who Wrestled with God
The Man who lost his shadow
The Kingdom within

Próximo autor: Shinoda Bolen

Psicologia – Autores: Robert A. Johnson

27/12/2016

Robert A. Johnson é mais um junguiano americano que reúne as minhas preferências. Por escrever de um jeito acessível, como quem conta uma história, por ser criativo e por ter estudado com afinco um dos meus temas preferidos da psicologia analítica: a imaginação ativa, prática que recomendo vivamente.

Robert A Johnson

Dedicou também muito do seu tempo aos arquétipos. Os que nos são mais familiares, não tão distantes psiquicamente, apesar de, na grande maioria de nós, se encontrarem muito longe da consciência. Isolados e em dupla.

Foi o junguiano que melhor se dedicou à causa do masculino. O livro que fala dos três níveis de consciência masculina é uma obra prima. E à do relacionamento entre homem e mulher, com um humanismo encantador. É um dos meus preferidos também por isso e pela escrita deliciosamente doce.

Escreveu também sobre sombra, morte e felicidade consciente.

Alguns títulos

He: Understanding Masculine Psychology
She: Understanding Feminine Psychology
We: Understanding the Psychology of Romantic Love
Inner Work: Using Dreams and Active Imagination for Personal Growth
Transformation: Understanding the Three Levels of Masculine Consciousness
Owning Your Own Shadow: Understanding the Dark Side of the Psyche
Living your unlived life

Psicologia – Autores: Marie-Louise von Franz

26/12/2016

Marie-Louise von Franz foi uma psicóloga suíça, discípula de Jung, chegando a conviver e a trabalhar com ele. Responsável pela abertura do Instituto Carl Gustav Jung, em Zurique, conseguindo posteriormente um com o seu nome, também na Suíça. Von Franz é a única junguiana convicta por quem ponho as mãos no fogo.

von Franz

De entre as várias áreas da psicologia analítica, von Franz dedicou-se, tal como Hillman, ao estudo dos arquétipos, focando-se maioritariamente nos contos de fada. Deu ainda um contributo incomparável ao estudo do arquétipo do Puer Aeternus, fazendo um paralelismo com Saint Exupery, um Peter Pan típico.

Os personagens dos contos de fada, e as próprias histórias, são dos exemplos mais comuns e mais óbvios dos arquétipos e da vida simbólica. Von Franz reforça a existência do inconsciente coletivo ao usar contos de fada dos quatro cantos do mundo.

O inconsciente coletivo é o nosso primeiro inconsciente.

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Psicologia – Autores: Carl Gustav Jung

16/12/2016

Jung começou por ser discípulo de Freud, o pai da psicanálise. Posteriormente, afasta-se de forma irreversível e por divergências várias, criando a sua própria linha, a Psicologia Analítica. Sobre esse momento e corte, há um filme excelente a todos os níveis e que recomendo vivamente, chamado: um método perigoso.

Apesar de ambos viverem na época da ciência, ou se prova ou não existe, Jung tinha uma postura corajosa em relação às questões que o assolavam. As suas dúvidas, existenciais e outras, foram sempre mais fortes, prevalecendo em relação ao coletivo, à mentalidade da época, ao que era exigido socialmente, na vida civil e profissional. Respondeu a todas as questões, existenciais e outras, que lhe surgiam, estudando religião, ele próprio muito próximo, por conviver diretamente com pastores protestantes, pai e tio, astrologia, indo para o Oriente, estudando o iChing etc. Com uma humildade imensa, desafiando os cânones da época, indo além. Foi por isso apelidado de místico pelos seus pares e nem isso o demoveu. Havia algo maior que o movia.

Há três questões fundamentais na psicologia analítica que divergem da Psicanálise de Freud. Jung via a libido como energia psíquica, e não apenas sexual; Introduziu o conceito de inconsciente coletivo, e os arquétipos, dando uma dimensão universal à psique; e personalizou os sonhos, por assim dizer. Para Freud, os sonhos não tinham qualquer sentido, digamos assim, eram meros produtos aleatórios do inconsciente. Jung veio dizer que os sonhos são cartas do Self, mensagens do inconsciente individual de cada um, que vêm compensar uma atitude polarizada do ego. Há também sonhos premonitórios e outros, mas a terapia de sonhos de Jung versa sobre a referida compensação psíquica, a meu ver, fascinante. Ler Mais…

Psicologia – Autores: Joseph Campbell

13/12/2016

Joseph Campbell era um mitólogo americano, podia bem ter sido psicólogo, não praticante, digamos. Se fizermos um paralelismo entre a psicologia de Jung e Campbell poderíamos deduzir que ambos chegaram à mesma conclusão. Ao processo de individuação de Jung, Joseph Campbell chamou: Jornada do Herói, dizendo-nos: follow your bliss. Assim, Campbell traz, tal como Hillman, a noção de propósito de vida. De algo maior do que o comum: estudar, trabalhar, casar, ter filhos e morrer, não desfazendo.

Campbell dedicou uns bons anos à causa dos mitos, descobrindo que havia correspondência entre mitologias de lugares distantes e completamente diferentes, sem a mínima hipótese de os seus povos se comunicarem. Os personagens desses mitos, os arquétipos, tinham características comuns nas várias histórias que se contavam em todos os cantos do mundo.

Onde mais e melhor Campbell fala sobre este tema é em The Hero with a Thousand Faces, o seu livro mais famoso. Trata-se de um estudo exaustivo sobre os diversos tipos de heróis e personagens, na perspetiva dos mitos de vários povos. É aqui que nos demonstra que os mitos não são teorias abstratas ou crenças dos antigos, mas modelos práticos que nos permitem entender o modo como vivemos.

Campbell articulou de forma clara o que sempre existiu: os princípios de vida contidos na estrutura de uma história.

A partir dos estudos de Campbell, Christopher Vogler adaptou as regras não escritas dos contadores de histórias ao cinema. Todos os argumentos do chamado cinema clássico, de Hollywood ou não, que incluem protagonista, antagonista, pessoa que ajuda o herói a mudar, mentor, etapas pelas quais o herói tem de passar, o tesouro (a mudança), são escritos de acordo com esta estrutura mítica.

Quando tomei pela primeira vez contacto com a Jornada do Herói, percebi imediatamente que tinha um potencial que ia além da ficção. Quando estudei jornalismo literário, descobri que entretanto já alguém tinha chegado à mesma conclusão. A jornada do herói não é mais do que a jornada da vida. Quando olhamos atentamente para a nossa história, e se conhecermos as etapas da Jornada, facilmente conseguimos identificar todos os momentos. E os personagens.

A jornada do herói pressupõe sempre, que o desafio com o qual o protagonista é confrontado, para além de estar à sua altura, serve para o levar além dele mesmo, no sentido do seu propósito, que pode não ser consciente. Para tomar contacto com partes suas que precisa de integrar, delas tomando consciência. Versando também sobre algo que o protagonista terá de viver, um relacionamento amoroso, por exemplo. Na verdade, a nossa jornada é composta por uma série de j0rnadas do herói, que, obviamente, inclui heróis e heroínas…

Aqui ficam alguns títulos:
The Hero with a Thousand Faces
The Power of Myth
Myths to Live by
Pathways to Bliss
The Masks of God
Reflections on the Art of Living

Próximo autor: Carl G. Jung

Psicologia – Autores: James Hillman

12/12/2016

James Hillman foi o psicólogo americano pós-junguiano que mais e melhor estudou a área da psicologia analítica dedicada aos arquétipos. Questão central na psicologia de Jung acrescentou, aos já conhecidos conceitos de inconsciente de Freud, o inconsciente coletivo. Com os arquétipos como protagonistas, este conceito veio dar um carater universalista à psicologia, unindo, numa dimensão maior, todos os povos do mundo, pois dele fazem parte valores e questões universais que nos tocam a todos, sejamos nós do Hemisfério Norte ou do Sul, cristãos ou muçulmanos, do Leste ou do Ocidente.

Como todos os junguianos, e esse também é um dos motivos pelos quais Jung me convenceu, James Hillman é, antes de psicólogo, ou talvez em paralelo, um humanista. Com a enorme vantagem, de escrever de uma forma acessível, como quem conta uma história. Uma das suas grandes qualidades, atribuída aos americanos em geral.

Sem nunca entrar em esoterismos, tem a particularidade de abordar as questões psíquicas com um toque que vai além da ciência pura e dura. Não apelando à religião, menciona a existência do que poderíamos chamar alma.

Ao que comummente chamamos alma, e por ter uma conotação religiosa que não agrada a muita gente, Jung deu o nome de Self, arquétipo que está no centro da nossa psique, a quem devemos tudo e mais alguma coisa. É, digamos, o protagonista da existência.

Na sua obra, James Hillman introduz o conceito de daimon, para falar de um propósito maior para a nossa existência do que a mera satisfação do ego. Que nos permite uma vida social e de trabalho, mas não chega para nos satisfazer existencialmente. Por isso é, de longe, o meu pós-junguiano preferido e a minha primeira referência nesta área.

Em paralelo com Joseph Campbell, posso dizer que foi com James Hillman que resgatei uma paixão antiga, a psicologia. Que, enquanto ciência que estuda a cabeça das pessoas, só me faz sentido se abarcar todas as dimensões humanas, indo além das elites. Foi essa a genialidade de Jung, para além de revelar a sua melhor qualidade, a humildade.

Aqui ficam alguns títulos:
The Soul’s Code
The Force of Character
Kinds of Power
Myth of Analysis
Re-visioning Psychology
Emotion
Senex and Puer (Arquétipo do velho sábio e do eterno jovem, mais conhecido pelo complexo de Peter Pan)

Próximo autor: Joseph Campbell

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