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Está aqui tudo, não falta nada.

28/04/2026

Uma forma nada menos do que hilariante de falar sobre o tema. E infinitamente mais eficaz do que qualquer podcast. Não me lembro da última vez que me ri tanto. Vi três vezes de seguida e chorei a rir às gargalhadas em todas elas. Não me canso de ver. É difícil determinar qual a minha estrofe preferida, mas: “I used to be hot in quite a different way” e “I can’t stand heat and summertime at all” talvez levem o prémio. Ainda que seja difícil escolher…

A minha tolerância ao calor desce dois graus por ano, está nos 24, neste momento. Aos 60 emigro para a Noruega.

Pais, filhos, namorados e maridos, tenham paciência… Tenham muita, muita paciência…

Vídeos e Jazz

28/10/2025

Mais ou menos por esta altura, quando o tempo começa a ficar cinzento e as folhas amarelas, o YouTube presenteia-nos com vídeos de jazz, em ambientes outonais.

Primeiro, foram as lareiras, a crepitar.

Costumava deixar a televisão ligada na lareira, enquanto trabalhava. O som embalava-me e, mesmo que fosse apenas virtual, parecia que aconchegava. Era tão bem feito que a lenha ia queimando, mudando de cor para cinzento, à medida que a madeira se desfazia. E o vídeo só terminava quando a madeira estava toda em cinzas.

Por um lado, era mais agradável do que só o som do piano. Por outro, esse vídeo em que há piano em direto não tem anúncios.

Depois, vieram os vídeos a sério. Com musiquinha suave e folhas, chuva ou, à medida que se aproximava o inverno, neve, a cair.

Escolhia criteriosamente o ambiente que mais me agradava. Casas de madeira sem vizinhos, com livros nas paredes, mezaninos, lareiras ou salamandras, árvores de folhas amarelas, e deixava tocar.

São tão bem feitos que dava por mim a olhar para eles uns bons minutos.

O algoritmo fazia o seu trabalho e todos os dias me mostrava uma série deles. Cada vez melhores, mais aconchegantes e mais reais. Com chávenas a fumegar, mantas displicentemente atiradas para um sofá, cães ou gatos.

Às vezes, cães e gatos na mesma divisão, a dormir.

Ficou tão bom que chegou ao cúmulo de apresentar gatos que se mexiam, para dar a sensação de que aquela é a nossa sala. Ao ponto de me ocorrer que só faltava aparecer um jeitoso qualquer a pôr mais lenha na lareira e a perguntar se queria uma mantinha ou um cházinho.

Chega a primavera e as paisagens mudam, mas não tem tanta graça, apesar de serem, também elas, de sonho.

Com o dia que se apresenta hoje, e depois de uma viagem de Santarém no meio de um dilúvio verdadeiramente assustador, voltei a eles, aos vídeos.

Mas acho que se andam a esticar. Neste momento, estou numa casa tão fantástica que o tubo da salamandra dá para o ar, o candeeiro de teto não precisa de estar preso ao mesmo, visto que não há teto, e a parede à minha frente, que dá para um lago lindíssimo, onde caem gotas de chuva, mas que estão invisíveis no céu, e folhas de árvores, amarelas, naturalmente, não existe.

A inteligência artificial já foi menos artificial…

O Cristiano

16/06/2021

Ontem, depois de ter perguntado a um amigo alemão se estava em Munique para o jogo contra a França, ele perguntou-me se estava em Budapeste, sendo eu uma fã incondicional do Cristiano.

Não sou o tipo de fã que o segue para todo o lado, tenho mais que fazer, mas o Cristiano está na minha bucket list de gajos.

O meu amigo não me fez a pergunta, mas eu respondi-me na mesma.

O que faria caso alguma vez tivesse a oportunidade de conhecer Cristiano Ronaldo?

Muito provavelmente ficaria muda, sem reação, incapaz de falar, como me aconteceu com o RAP e eventualmente aconteceria com o Sam Heughan. Ou o Johnny Depp, o De Niro… Fico muda perante as pessoas cujo desempenho admiro muito.

Ao Cristiano, esperava sentir-lhe aqueles abdominais, tirar uma foto com ele e, se me fosse concedida uma pergunta só, acho que queria saber como consegue gerir as emoções, o ego, manter-se minimamente equilibrado ao ponto de permanecer no topo dos atletas de alta competição por tantos anos.

Não há maior e mais planetária figura do que ele.

É preciso uma grande estrutura psíquica, e, obvio, estar muito bem acompanhado, para não se perder.

Não conheço ninguém como ele. Do seu tamanho, que não tivesse sucumbido a fraquezas várias como álcool, drogas, abuso de poder. Acabando por destruir a sua vida. Embora tenham tentado fazê-lo por ele tantas e tantas vezes.

Acho que é por saber muito bem o que quer, de onde vem, quem ele é. Ainda assim, seria essa a pergunta que lhe faria.

Cristiano: The Zone*

19/06/2018

Todos nós nos impressionámos com a capacidade inacreditável de concentração de Cristiano no jogo contra Espanha.

Aqui fica a explicação:

“Foi aí, logo no início do encontro e quando os espanhóis pareciam não ter ouvido ainda o apito inicial do árbitro, que se viu Cristiano Ronaldo entrar naquilo que, há umas décadas, os atletas americanos passaram a chamar “the zone” – um estado de fluidez mental, capaz de nos fazer abstrair de tudo em nosso redor e nos deixar concentrar apenas no nosso objetivo […] , the zone

Cristiano encontrou a sua “zona”

Ainda os jogadores espanhóis estavam a pedir a intervenção do VAR, já ele tinha levado a bola para o local da falta e, serenamente, de olhos na baliza aguardava pelo apito do árbitro.

Indiferente a tudo o que se passava em seu redor.

Ignorando até a presença do guarda-redes David De Gea que, numa manobra normal nestes casos, tentou desconcentrá-lo, parando à sua frente, enquanto se dirigia para a baliza. Sem êxito: Cristiano estava apenas concentrado no que tinha de fazer, ainda para mais com a cabeça fresca.

“A partir do momento em que entras nesse estado, tu percebes que estás lá.

E as coisas à tua volta começam a mover-se quase em câmara lenta e a tua concentração fica absolutamente focada no teu objetivo. De tal forma, que até consegues adivinhar o que o teu adversário quer fazer”. […]

Foi isso que se viu, pelo menos, com a forma como correu para a bola e chutou, com precisão, para o primeiro golo da noite, indiferente a tudo e todos.

Mais de oitenta minutos depois, Cristiano Ronaldo continuava na mesma “zona”,

a demonstrar essa capacidade extraordinária de cumprir algumas das características: completa concentração na tarefa assumida, objetivo claro, facilidade de execução, consciência e ação num único movimento, além de uma sensação plena de controlo sobre tudo o que está a acontecer na competição.

Vale a pena rever todos os momentos ocorridos entre os minutos 85 e 87. A forma como Cristiano Ronaldo recebe a bola, de costas para a baliza, à entrada da grande área, e depressa toma a decisão de a proteger… e esperar a falta do defesa. Era esse o seu objetivo naquele momento.

Um objetivo claramente enunciado na forma como, imediatamente, pegou na bola e… reentrou na “zona”, apenas com os olhos na baliza, a mente a focar-se em tudo o que precisava de executar, mal o árbitro fizesse soar o apito: os quatro passos até à bola, a posição perfeita do corpo para que o seu pé direito pudesse impelir a bola numa curva perfeita sobre a barreira.

Felizmente, ficou tudo gravado em vídeo.

São mais de 90 segundos nesse “estado”, com Cristiano parado, no local que delimitou em quatro passos à retaguarda, sempre a controlar a respiração, de forma lenta, e de olhos fixos no objetivo.

Nos últimos momentos desse período de concentração, percebe-se que ele está absolutamente abstraído de tudo o que se passa à sua volta – podiam desabar as bancadas, registar-se uma invasão de campo nas suas costas, que ele continuaria focado única e exclusivamente na sua tarefa. […]

Foi um enorme golo de pé direito, é verdade. Mas foi, acima de tudo, o golo de um enormíssimo atleta que, nos momentos certos, saber entrar “na zona”.

Graças à sua maior arma: a cabeça.”

*Alegadamente publicado na Visão, explica muita coisa…

“Eu ’tou aqui”

19/11/2013

Não só é o melhor deste mundo e do outro, ninguém me convence que um gajo que atinge a velocidade que o Cristiano atinge num jogo de bola, em qualquer momento do jogo, é deste mundo, como é, ou deveria ser, um exemplo para todos nós. E não é porque é o melhor do mundo, já disse que é o melhor do mundo?, é pela atitude: “your love makes me strong, your hate makes me unstoppable”, Ronaldo, Cristiano.

A atitude dele é diferente da de todos os portugueses que conheci e de quem me lembro.

O Cristiano jamais, jamais desiste. Quando o técnico pede calma e se põe a querer defender um resultado de merda, ainda o jogo vai a meio, e a equipa inteira obedece – ainda não aprenderam que não se defendem resultados com uma margem de um mísero golo, e que estar a empatar ou não ter sofrido um golo não é jogar bem – quando tudo, de repente, está perdido, o gajo, que nunca baixa a cabeça, nunca, vai e marca mais dois golos, como se pode ver no vídeo abaixo, brilhantes, completando um Hat Trick e igualando Pauleta em número de golos marcados ao serviço da seleção portuguesa.

Percebem agora porque é que um gajo como o Cristiano, esteja a jogar como estiver, jamais pode ficar no banco “para aprender”? Isso é argumento para qualquer jogador, menos pro Cristiano.

Metade do mundo odeia-o, a outra metade acha-o metido, arrogante, é alvo de piada pelo Presidente da FIFA, estraçalhado e gozado por metade do planeta, alvo de campanhas de publicidade vergonhosas e vai lá e espeta três nas trombas dos suecos – que aliás provaram que o exemplo de civismo nem sempre vem do norte da Europa -, garantindo assim a presença de Portugal no próximo Mundial de futebol, em 2014, no Brasil.

É provocado para responder a Blatters da vida e porta-se que nem um Lord, o que só atesta a sua inteligência.

O Cristiano, escutem o que vos digo, é o único gajo neste mundo que não se deixa abalar pela crítica, pelo que os outros pensam dele. Prova que é o melhor do mundo a cada jogo que faz, com uma eficácia impressionante, e ainda dá lições de humildade, não se perdendo nos fait divers da media, concentrando-se no que é dele, no que lhe cabe, deixando coisas de comadre para as comadres de plantão.

Vai pro Real de Madrid, que é só estrelas, e não se perde. Antes pelo contrário, só cresce, o gajo só, só cresce. E se isto não define um fenómeno, então não sei o que definirá.

O metido, o merdas, o convencido, e ah se teria motivos pra isso, joga muito, honra todas as camisas que veste, é um profissional de mão cheia, um talento como eu nunca vi, raçudo que só ele, com uma força de deus grego, e um corpinho também, já que falamos nisso, uma vontade de vencer, uma garra que ele retro-alimenta, sempre sozinho, graças à sua tenacidade, à sua resiliência, à sua frieza, à sua capacidade incrível de concentração, ao seu foco, ao facto de em momento algum o perder, ao facto de acreditar nele, de contar só com ele para vir, ver e vencer.

É por isso que é um orgulho e deveria servir de exemplo para todos nós, por não deixar que o externo condicione a sua performance. Nunca, jamais.

Cristiano, és um orgulho, eu amo você. Só não digo que és o mai lindo porque esse é o Joãozinho, mas tu vens logo a seguir, seu lindo.

Na boa, Ronaldo fenómeno há só um, o nosso Cristiano e mais nenhum. Ora vede:

http://youtu.be/aj2cTazTgV8

Até me dá arrepios, isto…

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