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És enorme, Cris.

07/10/2026

E, depois da tua carta, que transcrevo abaixo, só gostava que os que andaram a gozar e a criticar a semana inteira, a acusar-te de coisas que nunca foste nem fizeste até hoje, entre outros mimos, incluindo o selecionador, tivessem metade da tua nobreza de carácter, do teu patriotismo, da tua dedicação, da tua honra, da tua honestidade e da tua humildade. Mas parece que os egos grandes são muitos, afinal. E gente que não sabe quando parar também… Pelos vistos, não és só a galinha dos ovos de ouro da FPF… Assunto encerrado.

Obrigada e até sempre.

E que JJ, mesmo não tendo caráter, leve Portugal a conquistar muitos títulos.

<<Tal como prometi, decidi contar, na primeira pessoa e de forma direta, as circunstâncias que envolveram o último estágio da Seleção Nacional.

Após o Mundial 2026 preparei uma carta aos portugueses, que ainda guardo, com as palavras que lhes quero dirigir quando abandonar, definitivamente, a nossa equipa.

No final da competição, logo no voo de regresso dos Estados Unidos, o Presidente da Federação pediu e insistiu que eu ponderasse a decisão de sair porque a FPF queria que eu continuasse.
Logo a seguir pediu que lhe desse a minha opinião sobre o nome do atual Selecionador e que ele estava a ponderar, a par de outros nomes que não me revelou. Respondi ao Presidente da Federação que, em minha opinião, seria a escolha certa. Por isso, no dia em que o atual Selecionador foi apresentado fiquei genuinamente feliz pela escolha. Era a opção certa, como os resultados vão comprovando.

Poucos dias depois recebi um primeiro contacto do novo selecionador nacional a dizer que gostava de estar comigo pessoalmente. Respondi que sim e agendámos para o final das minhas férias. Encontrámo-nos na Cidade do Futebol onde o meu clube fazia estágio de pré-temporada. O Selecionador disse-me nesse dia que contava comigo e que a minha presença era fundamental para o seu projeto. Apresentou-me, logo ali, um plano para a minha participação. Disse-me que jogaria o primeiro jogo e o último e que por razões de gestão física iria fazer sempre três a quatro mudanças por jogo.

Nessa altura colocou-me a hipótese de eu não viajar com a Seleção para Noruega e Dinamarca. Propôs-me que fizesse o primeiro jogo e ficasse em Portugal, para depois me juntar de novo antes
do jogo do Dragão. Recusei de imediato esta proposta. Parecia-me evidente que não a poderia aceitar. Não seria por não jogar os jogos no estrangeiro que deixaria de capitanear a nossa equipa. Esse privilégio de ficar em Portugal não seria um bom exemplo. O Selecionador acabou por concordar com a minha análise. Esta conversa foi acompanhada pelo Simão Coutinho, diretor Desportivo do Al Nassr, pessoa a quem reportava o atual selecionador durante toda a época passada e um dos responsáveis pela sua contratação pelo clube em 2025.

Na véspera do estágio começar o Selecionador deslocou-se a minha casa, em Lisboa, para ter nova conversa comigo, a seu pedido. A conversa foi tranquila e todos os princípios combinados em agosto foram mantidos. Joguei o jogo de Alvalade, e apesar de substituído, não fiz nenhum problema. Coloquei a braçadeira eu mesmo ao Bruno Fernandes, longe de imaginar que pudesse estar a dar os últimos passos, como atleta e capitão da Seleção Nacional. O importante desse dia, para mim, foi a nossa vitória. Ganhar é sempre bom, em Portugal e pelo meu País, ainda melhor.

À hora de almoço do dia do jogo na Noruega um adjunto do selecionador do veio à mesa onde o grupo estava a almoçar e informou-me que o Selecionador me queria falar. Para minha absoluta
surpresa, o selecionador perguntou-me se estava bem para jogar 30 minutos. Eu estava totalmente focado na minha recuperação física, integrado com os meus companheiros como sempre e a pensar que não jogaria naquele dia. Sem nenhum problema. Este pedido era algo fora do meu plano de recuperação física e de treino – porque apenas iria jogar dia 4 no Dragão – mas obviamente disse que sim. Respondeu-me que então estivesse preparado porque jogaria 30 min.

O resto todos conhecem. Aqueci desde o intervalo, vi os minutos a passar e não fui chamado. O Selecionador tinha-me falhado com a sua palavra. No fim do jogo só queria que tudo acabasse com a vitória e ficar sozinho. Não fui cumprimentar os adeptos. Uma falha que é apenas da minha responsabilidade e que não deveria ter acontecido. Peço desculpa aos portugueses que ali nos apoiaram intensamente, peço desculpa aos adeptos e peço desculpa aos que, sem serem portugueses, ali se possam ter deslocado para me ver e a quem eu possa ter desiludido.

Passado 48 horas tivemos uma conversa, eu, o Selecionador e o Simão Coutinho uma vez que tinha sido ele a acompanhar as nossas conversas de Agosto. Foi um momento profundo, muito frontal, sem qualquer tipo de filtro. Concordamos que só havia uma maneira de encerrar este “caso”: que o Selecionador repetisse o que acabara de me dizer ali em privado, na presença do Simão Coutinho, mas na Sala de Imprensa. O que foi combinado era simples: o Selecionador começaria a conferência de imprensa por este tema, procurando encerrar o assunto contando a verdade. Diria que nunca pedi para jogar minutos nenhuns, que foi o Selecionador e mais ninguém, quem me propôs o plano para este estágio e que foi um erro colocar-me a aquecer para não entrar e que se voltasse a acontecer não o faria. Acabamos essa reunião com o Selecionador a pedir-me um abraço, a prometer-me que ia dizer na conferência o que acabara de me dizer a mim e que o assunto se ultrapassava. Eu não jogaria na Dinamarca e jogaria o jogo do Dragão. Tudo isto na presença do Simão Coutinho, sempre. A pedido do selecionador, decorreu depois uma reunião entre ele mesmo, o Simão Coutinho e o Tiago Craveiro em videoconferência, em que se resumiu aquilo que falámos. Foi produzido um pequeno documento que eu mesmo validei e que, com o meu conhecimento, foi
entregue ao Selecionador, tal como ele havia solicitado.

A conferência foi o que se conhece: a postura não teve nada a ver com a nossa reunião, ouvi expressões e uma agressividade que julgo não merecer, uma atitude de quero, posso e mando
que nunca me manifestou, nem de perto nem de longe, em privado, na véspera.

As notas que validei eram as seguintes:
“Acho importante, até porque é a verdade, esclarecer algumas coisas antes de falar da
Dinamarca:

1. Propus ao Cristiano eu mesmo, sem mais ninguém, um plano para ele, esta época desportiva, na Seleção Nacional. Foi uma conversa demorada e muito boa.
2. Sei o quanto ele vive e Ama a Seleção e o peso que tem no Mundo, mais ainda, o peso e a influência positiva que tem na Seleção há 24 anos consecutivos.
3. O plano que propus ao Cristiano foi aceite.
4. Ele nunca questionou as minhas opções. Foi exemplar, leal e profissional.
5. Do plano que tracei para ele não constava o jogo da Noruega. No entanto, senti que ele tinha conseguido recuperar fisicamente do primeiro jogo e avisei-o que poderia ter de o utilizar. O Cristiano concordou.

6. Errei ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo. Se fosse hoje não o faria.
7. Para encerrar o assunto: Eu quero o Cristiano na Seleção Nacional. Aliás não quero pouco, quero muito. Felizmente ele também acredita em mim. Acreditou no Al Nassr e aqui
também.
8. Sobre não ter cumprimentado os adeptos. Já falámos sobre isso. Quem faz mais de 230 jogos pela Seleção não recebe de mim lições de Amor a Portugal. Foi um momento de frustração que não apaga coisa nenhuma. É o jogador que mais autógrafos dá, que mais selfies tira, que mais acarinha os adeptos. Não inventemos problemas onde eles não existem. Quando não estamos contentes reagimos. Foi só isso.”

Nenhuma destas notas dizia, portanto, que o selecionador me pedisse sequer desculpa.

Era a segunda vez, que me estava a faltar à palavra dada.

Decidi abandonar o estágio sem esperar por mais nenhuma quebra de palavra. Para mim a verdade ainda é a coisa mais importante na relação entre as pessoas. Por muito que doa, que me digam a verdade. Aliás, numa conversa que mantive com o Presidente da FPF e com o Selecionador na manhã do dia dessa conferência de imprensa, podem confirmar seguramente, reafirmei que se não me
quisessem ali mo dissessem. Bastava serem francos comigo. Eu aceitaria isso e prometi que prepararíamos algo bonito, como sonho que aconteça, e ninguém ficaria zangado. Lembro-me como se fosse hoje. Responderam em uníssono que não. Que o meu lugar era na Seleção Nacional.

Nunca, em nenhum momento me intrometi em qualquer decisão técnica ou tática de qualquer treinador ou selecionador em quase 25 anos de carreira. Aceito é melhor ou pior o que me propõem
fazer. Respeito a decisão e quando me faltam à palavra, sinto que o meu lugar não é ali.

Devo também um pedido de desculpas aos meus companheiros de Seleção por ter abandonado o estágio. Apesar da absoluta quebra de confiança na palavra do Selecionador, como poderá
testemunhar quem assistiu a estas conversas, eu não o devia ter feito. A responsabilidade é exclusivamente minha.

Peço desculpa aos portugueses mais uma vez, mas a quebra da palavra tem, para mim, um impacto definidor. Senti que, a partir dali, a minha permanência iria apenas prejudicar o grupo de trabalho e fiz o que sempre disse que faria se não me sentisse útil: peguei nas malas e saí. A consequência deste meu ato deve ser avaliada e punida pela Federação Portuguesa de Futebol. Entendo que a punição não deve ter atenuantes. Não sou um jogador qualquer, sou capitão de equipa e isso constitui uma agravante. Já pedi desculpa, mas sei que as atitudes têm de ter consequências. Quem está no futebol como estou sabe que, independentemente do estatuto de cada um, as regras são iguais para todos.

A este propósito, tenho ouvido muito falar em jogos de despedida, que tenho que ter uma despedida digna e que a Federação me quer dar essa oportunidade. Aprendi na vida, com fome e sem nada para comer muitas vezes, que ninguém dá nada a ninguém. Posso prometer a todos os meus fãs, naturalmente e em especial a todos os portugueses, que faremos um ou mais jogos de despedida, haverá tempo para isso. Mas quando penso na seleção o que eu penso mesmo é em competir. Foi nisso que pensei no dia em que me deram a notícia da morte do meu Pai. Estava em estágio da nossa Seleção e lá decidi ficar até terminar o jogo do dia seguinte. Fiz por isso pelo País o que jamais faria por clube algum. Portanto se estiver bem fisicamente, a jogar no meu clube, com golos espero, a seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa Seleção.

Esta é, acreditem, a mais pura das verdades.

Cristiano Ronaldo
6 de Outubro de 2026>>

Cristiano, JJ e a FPF.

05/10/2026

A propósito da novela mexicana em que se tornou o caso Cristiano, JJ e FPF, cá vai:

É por gostar tanto dele que o digo, uma pessoa da dimensão de Cristiano Ronaldo tem de sair em grande. E, para mim, não há nem haverá outro como ele.

Lamentavelmente, tudo tem de ter um fim, já que a idade chega a todos. Por isso, e por melhor que se sinta, não há milagres que lhe tirem os anos que tem nas pernas.

Visíveis a olho nu, no último Mundial.

Pela parte que me toca, não queria tê-lo visto sentado em cima da geleira, durante os três minutos de pausa para hidratação. Escusava de ter passado por isso, demonstrar essa fragilidade perante milhões de pessoas. Não precisava disso, nem de ficar no banco depois de tudo o que fez por Portugal.

Por tudo isto, há que ser realista.

Cristiano Ronaldo não tem lugar na seleção. E ele sabe-o melhor do que todos nós juntos: já não o tinha no último mundial. Como ficou à vista de todos, já não responde da mesma maneira, o que é natural. Também todos sentimos que, estando em campo, obriga, de certa forma, a que joguem para ele. O que prejudica a equipa, facilitando a vida dos adversários. Que, em vez de marcarem dez marcam só um.

Foi convencido a ir, porque gera milhões e não aguenta ficar de fora. Não é surpresa para ninguém, por tudo o que se conhece dele e das suas aspirações. A prova disso é a quantidade de seguidores e, portanto, de dinheiro, que a FPF perdeu nos últimos dias.

JJ fez bem em não o pôr a jogar. Mas falhou em fazê-lo aquecer durante meia hora. Sequer em convocá-lo, para começar.

Cristiano não «amuou» porque não joga. O próprio disse que estava disponível para o que o mister quisesse.

Do que se conhece, JJ combinou algo com o Cris e não cumpriu. E, em frente às câmaras, para toda a gente ouvir, confirmou a presença de Gonçalo Ramos a titular, no jogo contra a Dinamarca. Devia ter sido mais cuidadoso. Fala-se tanto no ego de Cristiano e muito pouco no de JJ. Aquela demonstração de prepotência não lhe fica bem. E se a sua intenção era pôr o Ramos de início, e bem, só tinha de deixar isso claro a Cristiano, antes da conferência de imprensa, e que levou Cristiano a abandonar o estágio, da forma que abandonou. Achar que faria as coisas de outra forma é querer que fosse outra pessoa, diferente da que nos deu tantas alegrias, durante mais de 20 anos.

Sabemos, pelas entrevistas que deu, nomeadamente a Piers Morgan, que o que Cristiano mais preza nas suas relações é a lealdade. E essa falhou.

Cristiano também disse que, no dia em que não fizer falta à seleção, pega nas malas e vai-se embora. Foi exatamente o que fez, depois de, precisamente, perceber que não fazia falta. Por isso, não percebo a histeria, ele até avisou…

Pelos vistos, já não está disposto a ser a galinha dos ovos de ouro da FPF.

Que devia era ter vergonha de se sujeitar a tamanha exposição de mau caráter. Afinal, trata-se de uma instituição, não de uma empresa…

No entanto, não lhe faz justiça sair desta maneira. Cristiano merece uma despedida condigna, devemos-lhe isso.

Marca-se um jogo em Alvalade, ele joga, marca o golo 1000 (ou outro qualquer), acaba o jogo, agradece aos adeptos, o estádio inteiro faz-lhe uma ovação de pé, ele chora, bate com a mão no peito, mostra-se a tarja:

“Capitão valente e imortal”

E está feito. Outra homenagem bonita seria o número 7 ficar, para sempre, o número de CR, não sendo usado por mais ninguém.

Assim, ficaria eterno na Seleção, como, aliás, merece.

Palmas ao Bruno Fernandes por ter sido o único adulto na sala. A dar lições de maturidade a JJ e a Proença, com classe. 

De resto, cimeira de paz? Ridículo. Primeiro-ministro e demais ministros envolvidos? Uma vergonha.

Mais, é possível estar por um e não estar contra o outro, e vice-versa, diz que se chama maturidade ou lá o que é.

E por fim, chega de drama. Que já não há paciência.

Cristiano Forever

02/10/2026

A propósito do drama, da tragédia, do horror e da falta de noção que envolveram o Cristiano, nos últimos dias, vou só deixar isto aqui.

Engraçado que as características que o levaram a ser o maior do mundo no que decidiu fazer com a vida dele, e que pareciam não incomodar os que agora se insurgem – sempre que, graças a ele, Portugal conseguiu o que conseguiu, dentro e fora dos relvados – são-lhe agora apontadas como defeitos e falhas de caráter.

Cristiano Forever.

Hoje, amanhã, sempre e para sempre.

[E o texto que acompanha o vídeo]

Dear @cristiano, when kids imitate your skills, when people around the world celebrate with a “Siuuu,” when teenagers copy your hairstyles, when adults wear your jersey with pride, when parents name their sons Cristiano, when millions support Portugal because of one man, when athletes from every sport seek inspiration from you, and when your name becomes synonymous with confidence, discipline, and relentless hard work…

That’s when you realize your legacy has outgrown football.

No trophy could ever define what you’ve meant to millions of us. We’ve celebrated with you. We’ve lost with you. We’ve cried with you. We’ve risen with you.

That’s why you will always be our GOAT🐐❤️

P.S – We love you through thick and thin @cristiano Thank you for keeping a Million dreams alive! ❤️✨

Faço minhas as palavras do autor.

Está aqui tudo, não falta nada.

28/04/2026

Uma forma nada menos do que hilariante de falar sobre o tema. E infinitamente mais eficaz do que qualquer podcast. Não me lembro da última vez que me ri tanto. Vi três vezes de seguida e chorei a rir às gargalhadas em todas elas. Não me canso de ver. É difícil determinar qual a minha estrofe preferida, mas: “I used to be hot in quite a different way” e “I can’t stand heat and summertime at all” talvez levem o prémio. Ainda que seja difícil escolher…

A minha tolerância ao calor desce dois graus por ano, está nos 24, neste momento. Aos 60 emigro para a Noruega.

Pais, filhos, namorados e maridos, tenham paciência… Tenham muita, muita paciência…

Vídeos e Jazz

28/10/2025

Mais ou menos por esta altura, quando o tempo começa a ficar cinzento e as folhas amarelas, o YouTube presenteia-nos com vídeos de jazz, em ambientes outonais.

Primeiro, foram as lareiras, a crepitar.

Costumava deixar a televisão ligada na lareira, enquanto trabalhava. O som embalava-me e, mesmo que fosse apenas virtual, parecia que aconchegava. Era tão bem feito que a lenha ia queimando, mudando de cor para cinzento, à medida que a madeira se desfazia. E o vídeo só terminava quando a madeira estava toda em cinzas.

Por um lado, era mais agradável do que só o som do piano. Por outro, esse vídeo em que há piano em direto não tem anúncios.

Depois, vieram os vídeos a sério. Com musiquinha suave e folhas, chuva ou, à medida que se aproximava o inverno, neve, a cair.

Escolhia criteriosamente o ambiente que mais me agradava. Casas de madeira sem vizinhos, com livros nas paredes, mezaninos, lareiras ou salamandras, árvores de folhas amarelas, e deixava tocar.

São tão bem feitos que dava por mim a olhar para eles uns bons minutos.

O algoritmo fazia o seu trabalho e todos os dias me mostrava uma série deles. Cada vez melhores, mais aconchegantes e mais reais. Com chávenas a fumegar, mantas displicentemente atiradas para um sofá, cães ou gatos.

Às vezes, cães e gatos na mesma divisão, a dormir.

Ficou tão bom que chegou ao cúmulo de apresentar gatos que se mexiam, para dar a sensação de que aquela é a nossa sala. Ao ponto de me ocorrer que só faltava aparecer um jeitoso qualquer a pôr mais lenha na lareira e a perguntar se queria uma mantinha ou um cházinho.

Chega a primavera e as paisagens mudam, mas não tem tanta graça, apesar de serem, também elas, de sonho.

Com o dia que se apresenta hoje, e depois de uma viagem de Santarém no meio de um dilúvio verdadeiramente assustador, voltei a eles, aos vídeos.

Mas acho que se andam a esticar. Neste momento, estou numa casa tão fantástica que o tubo da salamandra dá para o ar, o candeeiro de teto não precisa de estar preso ao mesmo, visto que não há teto, e a parede à minha frente, que dá para um lago lindíssimo, onde caem gotas de chuva, mas que estão invisíveis no céu, e folhas de árvores, amarelas, naturalmente, não existe.

A inteligência artificial já foi menos artificial…

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