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Celebration

12/06/2013
Há uma coisa que aprendi aqui no Brasil e que pouco ou mal se pratica em Portugal, a celebrar as nossas conquistas. 
Quando o fazemos, é de uma forma meio histérica, numa felicidade meio forçada, quase como que a dizer: nem acredito que consegui, diminuindo-nos de uma forma quase patológica. Ao mesmo tempo, é uma celebração quase impositiva, quase que esfregamos o feito na cara dos outros, como se sofrêssemos de um complexo de inferioridade crónico que nos obriga a lembrar os outros do que somos capazes, o que desperta, claro está, as maiores raivas e invejas. 
Raramente o fazemos de forma natural. Casos há, e a meu ver bem mais patológicos, em que mal nos permitimos ficar contentes com as nossas conquistas, como se esperássemos o pior, como se não fosse nada de especial ou, pior ainda, como se nos sentíssimos culpados por conquistarmos coisas boas para nós, por causa dos outros, como se fossemos responsáveis pelas suas não-conquistas, como se fosse feio ou chato celebrarmos o que de bom conseguimos. Como se, ao nos destacarmos da média, nos envergonhasse… 
O que conquistamos é à custa de muito esforço, dedicação, da nossa capacidade de acreditarmos em nós, tantas vezes encoberta pelas chatices e as vicissitudes da vida, que são mais que muitas, da nossa capacidade de não desistirmos de nós, de gostarmos de nós ao ponto de querermos o nosso melhor. 
Podemos sim celebrar cada uma das nossas conquistas. Temos todo o direito, e até a obrigação, quanto mais não seja para memória futura, de as celebrar da forma que entendermos, chamando os amigos ou oferecendo-nos um presente especial. 
Essa celebração é mais genuína quando é feita de forma tranquila, um sorriso basta, contar o feito num tom de voz calmo e suave e celebrá-lo da forma que melhor entendermos. Mas cerebrá-lo, sempre. 
Essa celebração, e a felicidade a ela inerente, é tanto mais verdadeira quanto menos histeria envolver, não nos podemos esquecer que há sempre o perigo de se nos insuflar o ego e isso, já se sabe, é o diabo, porque não há-de tardar muito a que o universo nos mostre que somos apenas humanos, não super-heróis, que tendem a descurar as suas fraquezas, caindo nas armadilhas mais básicas do ego, aquelas em que ficamos presos quando o ego se esquece que somos mais do que o que ele poderia suportar sozinho, que precisa de todos os conteúdos da nossa psique, pois sem eles nada faz, apesar de se achar omnipotente. 
Celebremos, com confiança, com vontade, sem medos, mas conscientes de que foi apenas uma conquista, que muitas e maiores virão e que, para isso, não podemos fazer depender dessa conquista o resto da nossa vida. Ela serve apenas para nos lembrarmos de quem somos e do que somos capazes, quando os momentos menos apetecíveis nos pegarem de surpresa e nos quiserem deitar ao chão. 
As nossas conquistas são o resultado, entre tantas outras, da nossa inteligência, criatividade, gentileza, empatia, perseverança e até mesmo da nossa resiliência, e todas essas qualidades não são de menosprezar, fazem-nos imensa falta todos os dias. São dignas, isso sim, de serem em celebradas. Cheers!

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