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Choques elétricos, dêem-lhe choques elétricos que isso passa.

12/08/2013
No outro dia estava a tv ligada aqui em casa numa novela portuguesa qualquer, não me perguntem qual, não faço ideia, mude-se de canal e não adianta, são todas iguais. Sem eixo, sem sal, sem nada. Os atores representam todos da mesma maneira, estejam tristes, alegres, mal-dispostos ou com cólicas. Bom, adiante, estava a tv numa novela portuguesa qualquer e eis que alguém diz que não sei quem vai levar choques elétricos (não percebi o motivo). Achei ótimo, altamente educativo e vê-se que o pessoal que escreve guiões pra novelas está atualizadíssimo quando aos métodos terapêuticos mais eficazes. Jung, se fora vivo, estaria a dar pulos de alegria. Ele que armou uma escandaleira no hospital onde tinha interrompido as sessões com a Sabina Spielrein por ter chegado lá e ela estar muito pior por conta do tratamento de choque a que tinha sido votada para a controlarem. Não há uma porra de uma autoridade audiovisual ou uma sociedade de psicologia que intervenha nestas horas…
Mas cheira-me que ficaria ainda mais feliz se soubesse o que se faz hoje em dia nos hospitais do estado, públicos, quando alguém lá chega a dizer que está deprimido. Sem sequer perceber se a pessoa está mesmo deprimida ou apenas triste, faz parte da vida, juro que sim…, dá-lhe anti-depressivos pra mão e manda-a embora.

A facilidade com que se receitam anti-depressivos é assustadora, quanto mais não seja porque não é feita com acompanhamento psicológico. Ao invés, põe-se toda a gente em modo zombie, que assim não chateiam nem se põem com muitas exigências, de tão drogados que estão. Não fazem perguntas, não arranjam problemas, não dão trabalho, e tal. Olhos inexpressivos, a olhar sabe deus pra onde, mãos viradas para dentro, mas esta pessoa chega a um consultório de um desses filhos da puta, com estes sinais, e o gajo passa-lhe mais uma receita e manda-a embora. 

Para além de ser preso, em qualquer país em que se leve a psicologia a sério, esse povo perdia a licença em três tempos, por incumprimento de funções, de juramento, por incompetência, na verdade. O trabalho deste povo é ajudar as pessoas a lidarem com os seus problemas, a resolverem as questões que podem ser resolvidas, a aceitarem as que não podem ser resolvidas, a distinguir a diferença. Não é, de certezinha, pô-las a dormir…

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  • Espiral 22/08/2013 at 21:05

    Como psicóloga, assino por baixo de tudo o que disseste. Como ser humano também.

    Um beijo* Tinha saudades de te comentar (ler, leio sempre)

    • Isa 22/08/2013 at 21:06

      :) e eu tinha saudades dos teus comentários ;) tb dou sempre uma espreitadela no teu blog e espero que esteja tudo tranquilo ;)

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