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Cinema Paradiso

12/10/2012
Quando Totó vai para a tropa, o dono do novo cinema Paraíso promete-lhe que tudo voltará a ser como dantes, que o lugar de projecionista é dele. Quando volta, e já sem a perspetiva de um amor maior, há uma cena em que Totó para em frente ao cinema, olha para o gajo que está na varanda, o projecionista que o substituiu, que cumpre o dever com o ar mais entediado deste mundo, e percebe que nada será como dantes, que não quer as mesmas coisas que queria quando as deixou, decidindo, nesse momento, ver Alfredo e seguir os seus conselhos de ir para Roma. Quando se despedem, Alfredo diz-lhe: seja o que for, ama o que fazes. Vai em busca do teu sonho, vai para onde há futuro, e não voltes mais, mesmo que a saudade aperte, esquece que esta terra existe, não queiras contacto, não escrevas e não voltes nunca mais. 

Totó torna-se num diretor de cinema, cumprindo o seu sonho, mas é infeliz, por nunca ter esquecido a bela dona de olhos azuis. Envolve-se com várias mulheres, mas não se liga a nenhuma delas e até a mãe percebe, só pela sua voz, que nenhuma o ama, talvez porque ele próprio não seja capaz de o voltar a fazer. Cumpre a promessa de nunca mais regressar, apesar de estar a uma distância de uma hora de avião da terra natal. Volta para o funeral de Alfredo e vê que nada está  igual, o progresso também chegou à sua cidade. Tinha medo de não conhecer as pessoas, até que aparece o louco da praça, que lhe diz que afinal, tudo muda, mas nada muda, que as pessoas são as mesmas, só mais ou menos alguma coisa. 

Às vezes, só saindo para perceber que não dá para ficar. Apesar de, a cada chegada e a cada partida, nunca nada ser igual, nem ninguém, muito menos nós mesmos. Alfredo, que ficou sempre lá, cuja única pessoa com quem se entendia era Totó, sabia do que falava. Por isso o mandou embora. Alfredo, a única pessoa que, mesmo não querendo – e daí talvez quisesse, ou soubesse que ele viria, ter-lhe deixado o presente que deixou atesta isso mesmo – foi capaz de trazer Totó de volta a casa. A mãe fez o que fez a vida toda, esperou. Isso é amor que dura para sempre, o amor verdadeiramente livre, o amor em que ninguém prende ninguém, o amor que não precisa de manutenção. O amor que faz Totó adulto voltar a sorrir, com o presente de Alfredo.

@24/07/12

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  • Mac 24/07/2012 at 07:53

    Um dos "filmes da minha vida" e com aquela música da cena final, linda de morrer :)

  • AnaLu 24/07/2012 at 10:05

    Este há-de ser sempre um filme de sempre. Haverá maior acto de amor que aquele "vai e não voltes"?

    • Isa 24/07/2012 at 13:18

      podes crer, é a coisa mais linda…

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