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Comfortably numb

07/04/2014

numb-blackO que faço aqui, faço num Starbucks em Washington ou numa pousada em Fernando de Noronha, com os pés na água, ou no meio da Amazónia, se a Tim deixar.

As pessoas normais não têm de se fazer uma série de perguntas todos os dias. Não têm de se questionar onde vão estar em Agosto, porque vão estar no Algarve de férias, e em setembro a trabalhar, no mesmo lugar há anos sem fim. Essas pessoas, que são a maioria, acordam todos os dias sem precisar de se perguntar o que vão fazer com as horas que se arrastam em número de 24 por dia, todos os dias.

As pessoas dariam fortunas para ter a minha oportunidade, e eu sinto falta da estrutura das rotinas, é aquele quadradinho ali e não dá para sair fora. Podia mudar de lugar, mas nem isso. Fico horas enfiada numa divisão só, deve ser isso que substitui a estrutura das rotinas.

Saudades de reclamar do trânsito, de querer chegar a casa, da chuva e do frio. Dos colegas e dos chefes, todos uns incompetentes menos eu. Do churrasco do Freitas da contabilidade ao sábado e do chá de bebé da secretária do chefe. De almoços engolidos à pressa e de conversa de merda só pra não ter de pensar na minha vida. Mas não é isso que temos, não foi isso que escolhi, foi o melhor que fiz por mim, aliás, arranjar maneira de não precisar de estar fisicamente em lugar nenhum, pra nada. A minha importância não se mede pelo número de reuniões a que vou, deus me livre, só se for na praia.

Todos os anos por esta altura tenho uma resposta à pergunta: ficas ou vais? De volta pra casa. Até então, essa pergunta apenas se fez nos últimos 5 anos para arranjar forma de conseguir um papel para um visto. Como não sou residente, todos os anos preciso de o renovar. Desta vez, e porque tenho forçosamente de mudar de casa em Junho, a pergunta põe-se com mais propriedade. Já que vou ter de mudar, mudo-me para onde?

O que tinha para fazer aqui já fiz, fiz mais até do que achei. Vários brindes. Cinco anos psiquicamente não são nada, mas fisicamente são muita coisa. Faz agora cinco anos que vim para São Paulo para passar um tempo decente, 6 meses, para estudar cinema. Em Janeiro fará 5 anos que vim pra ficar. Se me perguntassem no ano passado se voltaria para Lisboa, responderia que não me imaginaria a viver em Portugal para já. No início deste ano diria o mesmo. Agora já não sei.Dice_wallpapers_1280x1024-HD

As pessoas normais com trabalhos pra ir, coisas para fazer e casas pra voltar ao fim do dia não precisam de responder à pergunta: fico ou volto pra casa. Mas eu preciso de decidir estas merdas.

Acho que já decidi, os projetos para voltar para casa são mais consistentes do que quaisquer outros. Apesar de ser para sempre paulista.

Mas se me propusessem ir pra Nova Zelândia, de barco, também ia. Ou pra Patagónia. 

A minha vida está toda em aberto. I love playing dice with the universe

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  • Camila 07/04/2014 at 11:36

    Tá pensando em voltar pra Portugal, Isa? Woow

  • Isa 07/04/2014 at 16:36

    Mto tentada, Cami…

  • Diana 07/04/2014 at 18:58

    Naaaaaaaaaaaaaaãooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Vais-me abandonar? Quem é que me vai ajudar a manter a sanidade mental?????
    Pronto, tá bem. Vai lá ser feliz, que é o que a gente quer.

    • Isa 07/04/2014 at 19:44

      vou ter imensas saudades…

  • camila Mendonca 08/04/2014 at 16:45

    Estou a perceber miuda! rsrs… bora toma uma gelada qq hora dessas? bjos

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