Covid-19 – Consciência Individual

23/03/2020

Este é também o momento de consciência individual. E de auto-responsabilização.

Há uma série de valores e instituições que não são negócio, não dependem do mercado. Nenhuma deles é propriedade da esquerda. Que, aliás, e com uma desonestidade intelectual deplorável, tem sido especialista em se apropriar de tudo o que é valor humano e chamá-lo seu. Há anos e anos.

Parem de instrumentalizar e politizar valores que são de todos.

Educação, segurança, saúde e justiça são valores e conceitos de gente e país civilizado. Não dependem de ideologia. Muito menos são sua propriedade. São os únicos que precisam de ser garantidos pelo Estado. SEM ideologia. Quanto a tudo o resto, o Estado só precisa de regular.

E olhem para vocês e as vossas atitudes, antes de politizar tudo numa tentativa ridícula de serem superiores, melhores do que os outros.

Quantos de vocês, que batem no peito a dizer que são de esquerda, acumularam papel higiénico, enlatados, álcool em gel? Comprimidos para reforçar o sistema imunitário, benurons, sabe Deus o que mais. Sem sequer pensarem que nem toda a gente tem orçamento para abastecer 10 carros de supermercado de coisas de que não precisa?

Em Portugal, a população ativa é de 5 milhões (dados 2019). Um milhão deles têm trabalho precário.

Pensaram neles quando esgotaram tudo quanto há nos supermercados? Pensaram que existe gente diferente de vocês quando açambarcaram tudo quanto é dose individual e deixaram tudo quanto é dose familiar nas prateleiras?

Eu, que moro sozinha – e somos muitos, muitos a morar sozinhos, novos e velhos, que não têm força para carregar sacos pesados… – tive de trazer 10 bifes de frango e um saco de batatas que dá para alimentar uma família, porque as doses individuais e os sacos mais pequenos tinham desaparecido.

É um desperdício de recursos.

São toneladas de comida e remédios deitados fora. Que poderiam ter sido aproveitados e consumidos por outras pessoas. Mas vocês, adultos, precisam que venha uma adolescente histérica culpar o mundo inteiro pelos estragos no ambiente. Dizendo-lhe amén. E, em vez de fazerem a vossa parte, policiam a vida dos outros.

Metam-se na vossa vida, olhem para dentro, PENSEM, e façam a vossa parte.

Quantos de vocês roubaram material médico de hospitais públicos, incluindo álcool, gel desinfetante, máscaras e luvas, ou os esgotaram nas farmácias, e agora andam aí aos berros #somostodosSNS?

Pensaram nos desgraçados que não têm outro remédio senão estar enfiados num hospital? Pensaram nos médicos, enfermeiros, auxiliares, que precisam das máscaras para trabalhar, para poderem continuar a cuidar dos doentes com condições de segurança e higiene?

Quantos de vocês compram roupa de que não precisam, artigos e lixo que não servem para nada?

Ou vivem de incentivar as pessoas a fazê-lo, em quantidades absurdas, criando falsas necessidades e perpetuando o desperdício, a insanidade, a exploração repugnante de trabalho escravo de povos de países miseráveis?

Quantos de vocês exploram miseravelmente as pessoas que trabalham para vocês, numa perpetuação insana de controlo, poder, domínio, lucro abjeto? Em vez de tentarem perceber que o mundo só funciona em equilíbrio?

Quando colaboramos uns com os outros e reconhecemos o valor inquestionável de cada um.   

Quantos de vocês, adultos e a criar filhos, estão à espera que vos digam o que fazer? Com toda a informação disponível na internet, em sites fidedignos e sérios.

A quantidade de gente que não pensa pela própria cabeça é apavorante.

Que partilha “informação” sem um mínimo de responsabilidade ou sentido crítico, sem verificar fontes, contribuindo para o pânico geral, é assustadora. O queixume, a reclamação, a exigência insana, sem o mínimo de autonomia, consciência, responsabilidade, nas redes sociais é insuportável.

A quantidade de gente completamente desprovida de contacto com os seus próprios instintos, que só vive na cabeça e não presta atenção às mensagens que todo o seu corpo lhe manda, que ignora gut feeling em prol de ideologia bacoca, para não perder a face, apenas identificada com a persona e o ego, é demasiada.

Todos adultos. Todos a criar filhos.

Saiam das redes sociais e olhem para dentro. Qual é a vossa quota parte de responsabilidade? Individual e que se reflete no coletivo.

Ninguém precisa de ser salvo. Ninguém é melhor do que ninguém para achar que pode fazê-lo. Do que as pessoas precisam é de autonomia, de serem responsáveis pelas suas próprias escolhas, pelas suas vidas, e de lidar com as consequências.

E, caso precisem, terem a humildade de pedir ajuda.

Em vez de continuar a achar que tudo lhe é devido. E, quando chamada à responsabilidade, respondem com acusações idiotas de racismo, xenofobia, preconceito, discurso de ódio, numa tentativa de calar a voz da razão.

Perpetuando um vitimismo absurdo e sem qualquer sentido.

Às quais se junta a turba das redes sociais, sem qualquer sentido crítico, cuidado em apurar a verdade dos factos, tudo em troca de cliques e likes. Pensem nas consequências coletivas das vossas ações. E ajam com responsabilidade.

“Nós não somos o que fizeram connosco. Somos o que fizemos com o que fizeram connosco”. Jung

E só quem teve o infortúnio de nascer sem condições de autonomia e independência precisa de depender do Estado. Só esses. Os que podem trabalhar, têm dois braços, duas pernas e uma cabeça a funcionar, trabalhem. É isso que tem de se incentivar e promover. E não a dependência do Estado para tudo.

Cresçam, de uma vez.

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