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Controlo excessivo nos relacionamentos

26/02/2014

As relações controladoras […] reafirmam os medos infantis, as inseguranças primitivas. Eu preciso controlar o outro porque o que eu sinto por ele é tão forte que me deixa inseguro. Eu preciso controlar também porque tenho de medo de ele ou ela me exponha ao ridículo diante do grupo. Além de ser tremendamente inquietante, além de ser o contrário da paz, isso é o oposto dos sentimentos adultos. Em vez de independência, cultivo o controle e a dependência do outro por mim, que é uma forma de prisão para nós dois. Em vez de procurar a autonomia, passo a vida intimidado pelas opiniões do grupo, cortejando a aprovação do bando como se fosse um eterno adolescente.

Esse comportamento, embora aprovado pela cultura dominante, faz mal ao nosso convívio e à nossa personalidade. A posse e o controle do outro nos transforma em pessoas muito piores do que poderíamos ser – e, lá no fundo, nós percebemos isso, na forma de um mal estar inexplicável. Só imbecis e psicopatas se orgulham de manter alguém preso a uma corrente. Só doentes rejubilam em exercer controle sobre outro ser humano. A maioria de nós convive dolorosamente com a contradição entre nosso potencial para a liberdade e as regras de uma cultura que nos transforma em vítimas e algozes das pessoas que amamos.

Os limites que a gente impõe à vida do parceiro são uma espécie de cerca que impede a nossa própria liberdade – e causa tremenda dor. Por isso é importante questionar a cultura a nossa volta. Por isso é essencial olhar criticamente para o comportamento dos outros e para o nosso. Não se pode permitir que coisas erradas se perpetuem, por serem corriqueiras e banais. Ivan Martins, @Época

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