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Cozinhar é um ato de amor em comunhão

05/05/2017

Comecei a cozinhar há dois anos. E adorei a terapia. Somos nós connosco mesmos, a criar uma coisa completamente nova a partir de uma série de outras já existentes. A encantarmo-nos com a alquimia de cores a acontecer à nossa frente, num trabalho que envolve o corpo. Que é o que faz do cozinhar um ato terapêutico. A concentração tem de ser total ou algo de péssimo pode acontecer. Para além de ser, obviamente, um ato criativo. Gosto da experiência de conexão que obtenho com o cozinhar, mas nunca fiz questão de o fazer para os outros. Apenas para mim. Para meu proveito que também se prende com sobrevivência, naturalmente.

Ontem matei saudades da cozinha. Tinha a sensação de que não cozinhava há que tempos, talvez por não ter inovado ultimamente, o que torna o ato mecânico e faz que o propósito terapêutico e criativo se perca, cumprindo apenas a função da nutrição, sem afeto.

tarte amigos
Depois da aula de dança, os que querem ficar para jantar levam qualquer coisa para partilhar com o grupo.

Levo sempre vinho, nunca nada que se coma, dá menos trabalho e é mais seguro. Mas, aproveitando a dica do date, que me convidava a fazer uma tarte e a oferecê-la a um amigo, dei por mim com imensa vontade de a partilhar com todas aquelas pessoas que há quatro meses e de forma generosa têm partilhado a sua comida comigo. Comida que fazem com as próprias mãos.

Fiz a tarte do costume e estive presente em todos os momentos de cada fase, da base, feita de raiz, sem glúten, dos espinafres, da mistura da ricotta com o ovo, a noz moscada, a pimenta, o sal, e acho que nunca me deu tanto prazer fazê-la como ontem. Coincidentemente, no fim-de-semana, haverá um evento da dança em que temos de levar algo para partilhar também. E pela primeira vez, em 5, vou levar algo que fiz.

Depois de um ano completamente voltada para dentro por conta do pior dos lutos, dou por mim a voltar-me para fora, sem que a introvertida que há em mim se sinta minimamente ameaçada. E estou a gostar muito…

A tarte voou em três tempos. Sobrou a fatia da cerimónia que serviria de refeição para o dia seguinte, e deu-me imenso prazer ver que os meus companheiros de dança gostaram tanto do resultado quanto eu gostei do processo.

Artist’s Date 124/365 – Bake a pie and give share it with your to a friends

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  • Joca 05/05/2017 at 14:42

    E eu fico à espera de convite para uma prova de degustação…

    • Isa 05/05/2017 at 15:02

      é verdade… não me esqueci. Bjo

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